4 de novembro de 2008

SEM-FIM

Desde menino escuto falar de uma tal rosca sem-fim, que seria uma peça - e eu entendia assim àquela época - petencente às engrenagens de caminhões, não sei se na parte da direção ou do câmbio. Tempos depois descobri que ela é parte de muitas engrenagens de máquinas, inclusive utilizada também na robótica. Seria uma espécie de parafuso que, apesar de chegar ao fim - ao contrário do que sugere o nome - fica girando em torno de si para lados opostos, permitindo um movimento contínuo de outras engrenagens, neste caso, indo e voltando. Nossa! Que explicação esquisita. Enfim, a rosca sem-fim faz com que algo gire, gire, gire... e não saia do lugar. Essa imagem me acudiu para entender o que anda acontecendo na política de Campina, com reverberação pro estado da Paraíba. Tivemos dois turnos eleitorais, vencedor proclamado, diplomado e ainda escuto, quase dez dias depois, carros de som passando em minha porta, inclusive no domingo, entoando - como um mantra - aqueles jingles da camapanha vitoriosa do prefeito Veneziano Vital do Rego Segundo Neto, incluindo alguns que considero de conteúdo impublicável aqui no blog. De tanto escutar isso, também nos carrinhos de som especializados em vender discos pirateados, resolvi ontem procurar pra comprar um desses CDs com as "músicas" de campanha. Ainda tive oportunidade de travar um bom diálogo com a vendedora sobre a poítica local. Ela se revelou apaixonadíssima, arreada os quatro pneus e o semi-eixo "por Campina" e pelo"Cabeludo'. São assim as denominações por aqui. Escolherei uma hora apropriada para escutá-lo com cuidado, pois merece um estudo. Ando torcendo para que a eleição termine aqui pela Serra da Borborema e a vida volte ao corriqueiro de antes, a cidade volte a viver normalmente, o palanque seja desmontado e eu possa vestir, sem constrangimentos, minhas camisas da cor que me apetecer, sem ouvir comentários insinuativos de ambos os lados. Afinal, todas foram pagas com o meu próprio dinheiro. Quero vestir minhas camisas, vermelhas ou amarelas, pra gozar meu expediente de trabalho ou pra ir sofrer no Bar de Almeida (ou do Brito), desfrutar uma lingüiça de bode, um arrumadinho, degustar uma dose de Triunfo... curtir um violão... Vôte! Ô, rosca sem-fim!

2 comentários:

Débhora Melo. disse...

Meu caro , Rangel!

Quando leio artigos em que referes a sua rotina e do seu rico cotidiano, fico sempre a imaginar que estou passando pela vida e nao estou vivendo.
Qualifico-me como uma pessoa extremamente caseira, raras vezes saio para saborear a noite e seus feitiços.
Esse show do Beto Mi,nao me perdoo de nao ter assistido e você minuciando o acontecimento, faz-me quase chorar de arrependimento de nao ter sucumbido os convites...rs!

Li o artigo(aliás,leio todos)SEM-FIM e mais um fragmento fêz-me "invejar", eis:

Quero vestir minhas camisas, vermelhas ou amarelas, pra gozar meu expediente de trabalho ou pra ir sofrer no Bar de Almeida (ou do Brito), desfrutar uma lingüiça de bode, um arrumadinho, degustar uma dose de Triunfo... curtir um violão...

Isso sim, é que é fim de tarde, fim de expediente de maneira amena e sociavel, até mesmo a dose de Triunfo, do qual nao bebo, foi saboreada imaginariamente...rs!

Portanto, caro Rangel, você tem o poder com as palavras, de maneira sútil de nos fazer refletir de forma suave, como anda nossa vida?

Obrigada por mais um texto e pelos textos lidos em outrora que para mim , é denominado como a ROTINA DO AMANHÃ.
Depois te explico,porque?


UM ABRAÇO, POETA!


Débhora Melo.

Débhora Melo disse...

Carissimo Rangel,

Apague esse comentario acima por favor, pois postei no artigo errado.

Esse comentário é para "Noite de Reencontros". Do qual já postei
Por favor...rsrsrs!

Grata pelo compreensão.

Débhora Melo.