15 de outubro de 2018

DIA DO PROFESSOR

Eu me tornei professor a partir de 1984.
Aquilo que eu fazia com o violão, com a física, a biologia e Língua Portuguesa. Descobri alguma habilidade para facilitar o aprendizado de outras pessoas, fui gostando de fazer aquilo e quando me dei conta já era professor.
Depois não parei nunca mais. Sinto-me realizado e gratificado pelas escolhas que fiz e não me imagino noutra profissão. Desde então escuto coisas bonitas sobre os professores e sua importância na sociedade. Em qualquer sociedade.
Somente na UEPB já se vão 30 anos de docência. Ainda continuo com a mesma chama de esperança e aquele friozinho na barriga toda vez que vou encontrar com uma turma nova, uma plateia nova, seja para uma palestra ou numa sala no início de mais um período.
Ainda continuo sonhando com um país que seja justo e efetivamente valorize os professores e professoras para além dos discursos e das campanhas, onde todos colocam Educação com grande objetivo de governo. Ah, agora também tem a segurança. Talvez mais adiante a educação saia das pautas eleitorais. Espero que, se isto acontecer, seja por termos resolvido a maior parte dos problemas e não porque outras coisas mais sensíveis ao emocional das pessoas passou a ser pauta essencial, mais atrativa para os votos dos incautos.
Sonho ainda com o dia em que os rapazes e moças mais destacados nas escolas de ensino médio desejem ser professores e professoras, não somente pela beleza da profissão, mas também por ser uma profissão valorizada socialmente e que ofereça uma recompensa material em forma de remuneração justa que permita aos indivíduos uma vida com dignidade.
Fosse elencar aqui os professores e professoras que continuam vivos em minha memória, que me serviram de exemplo, em quem me espelhei em larga medida para compor que hoje sou, certamente, a lista seria grande, mas não esqueceria ninguém.
A vida inteira tento fazer do meu trabalho junto a estudantes um tempo/espaço de reflexão crítica sobre o mundo, a ciência, a realidade, o fazer humano.Sempre que vejo o brilho nos olhos de alguém interessado/interessada no saber, atiçado pela chama do conhecimento, instigada pela vontade de aprender mais, pela curiosidade...isto paga o meu salário!
Neste Dia do Professor o meu preito de gratidão a todos que lutam cotidianamente para fazer do nosso país algo bem melhor do que herdamos, mesmo a despeito de certos desejos autoritários que se manifestam, agora às claras.
Um especial agradecimento e todos os meus abraços e aplausos às Professoras e Professores que fizeram e fazem a Universidade Estadual da Paraíba - UEPB.

20 de maio de 2018

MEUS TRINTA ANOS DE PAI

Para Taiguara Rangel, em 18 de maio de 2018.

Primogênito foi, mudou meus planos
Ensinou-me a ser pai e ser mais gente
Após ele o meu ser de antigamente
Jamais foi como era em outros anos

Os mais dias que tive pela frente
Eram luzes fugindo dos enganos
Os mistérios guardados nos arcanos
Cada instante fazendo-se presente

Hoje eu cuido do tempo que esvai
Registrando o teu risco em meu caderno
Trinta anos de vida se abstrai

Transformando em presente amor paterno
Neste peito que guarda do teu pai
Esse amor tão imenso e sempre eterno.

Rangel Jr.

23 de novembro de 2017

NO JARDIM DA SOLIDÃO - glosas

O José Bezerra, além de bom novo amigo (que a vida me ofereceu de presente) e excelente poeta é um exímio formulador de motes, que é uma arte à parte.

Pois bem. O dito cujo ofereceu este mote no Clube do Repente e eu, lançado o repto, andei cometendo uns versos...

Eu sou a criança triste
Por não ter uma escola
Sou a silente viola 
Porque corda não existe
Sou a erva que persiste
Brotando em tórrido chão 
Sou a alça do caixão 
Cogumelo de estrume
Sou a Rosa sem perfume 
No jardim da solidão.

Talvez eu seja flor rara
Encontrada no deserto
Sou a metade do certo
Tapa de luva na cara
Sou graveto de coivara
Pingo d'água no sertão 
Sombra feita no oitão
Suspeito que não assume
Sou a rosa sem perfume 
No jardim da solidão.

Do pouco sou quase nada
Sou meia gota de éter
Da veia sou o catéter
Desobstruindo estrada
Sou a borracha estufada
Dos pneus do caminhão 
Maquiagem num “cambão"
Que não tem jeito que arrume
Sou a rosa sem perfume 
No jardim da solidão.

Da bússola sou o ponteiro 
Quebrado, sem azimute 
Sou alemão sem chucrute 
Filantropo sem dinheiro
Carnaval sem fevereiro
Sou forró sem Gonzagão
Sou o vazio do vão 
Ser ter para onde rume
Sou a rosa sem perfume 
No jardim da solidão.

Sem você eu sou bagaço
Chupado, jogado fora 
Laje feita sem escora
Fadiga, sono, cansaço
Morte sem estardalhaço 
Trilhos sem nenhum vagão 
Caipirinha sem limão 
Casamento sem ciúme 
Sou a rosa sem perfume 
No jardim da solidão.

Eu sou um barbante teso 
Quebrando cada fiapo 
Sou estopa velha, trapo
Caquético, tísico, indefeso
Sou um inocente preso 
No remorso – que é prisão!
Sou que nem assombração 
"Alma esticada em curtume" (*)
Sou a rosa sem perfume 
No jardim da solidão. 

Rangel Jr 
Mote: Zé Bezerra 


* citação de Caetano Veloso

28 de setembro de 2017

SONETO DE ESPERANÇA

A incúria minando a minha crença
Impõe pausa, me oprime, põe preguiça
Sem remédio, tal tédio me enfeitiça
Não retarda o progresso da doença

Sinto o bafo da morte que atiça 
A nação mergulhada em malquerença 
Suo as mãos aguardando essa sentença
Mas não vejo a balança da justiça 

Se o ódio campeia e ganha espaço
A ganância, ansiosa, joga o laço 
O amor perde a chance e não avança 

Mesmo que eu, por dentro, me contorça
Só me resta lutar, arranjar força 
E plantar mais sementes de esperança.

Rangel Junior 

27/09/2017

25 de junho de 2017

O maior São João do Mundo - Tradição e transformações

Quem estiver interessado em realizar uma reflexão séria (não estou dizendo que quem não o faça nao é sério/a) acerca do São João de Campina tem duas boas oportunidades. Claro que é um trabalho científico, portanto, longe de pretender estabelecer "verdades". Porém, uma reflexão para além do achismo que norteia o debate.

Vejam um trecho do trabalho, que já tem mais de meia década.
(...)
"A proposta comercial da festa, no âmbito do turismo, corresponde ao ideário de produção da economia mundializada, em que o lucro resultante das prestações de serviços de viagens para lazer e entretenimento ocorre numa expressiva concentração de capital e renda nas mãos de corporações transnacionais, com poucas empresas de grupos empresariais de pequeno porte. Para os governos federais, estaduais e municipais o desenvolvimento turístico como gerador de empregos também é uma meta comum em todos os projetos de crescimento. O turismo, portanto, em inúmeros municípios brasileiros é reconhecido como uma “tábua de salvação”. Num estágio em que as comunidades receptoras, mediante sua carência de melhor qualidade de vida e necessidade de colocação no mercado de trabalho, reféns das ações empresariais e estatais, acabam cooptadas para depositar sua fé no crescimento do setor, como panaceia para seus males e melhores dias.

Ao investir no seu megaevento junino Campina Grande segue a mesma cartilha. Na crença de que o desenvolvimento turístico privilegia os lugares e seus habitantes, sobretudo com a finalidade de valorizar as pessoas, as microeconomias, na função de estratégia de combate à pobreza. Uma forma de inclusão, com implantação de empresas locais com uma visão própria de exploração consciente e sustentável voltada aos interesses da escala humana e do local, pensando em indicadores de avanço coletivo.

Entretanto, ao não perceber na realidade tal paraíso terreno, o olhar crítico pensa justamente no fato de o turismo ser excludente, por provocar a degradação ambiental e cultural, um modelo perverso de crescimento econômico de poucos, mas não de desenvolvimento da coletividade. A plataforma crítica do turismo, derivada de intervenções acadêmicas, contrária ao entusiasmo geral, aponta para o lado contraproducente da atividade e seus impactos na cultura, meio ambiente, sociedade e economia.

À margem das observações críticas sobre os diferentes segmentos do turismo, inclusive no modelo em que se efetiva no Maior São João do Mundo, há muitos destinos receptores que alcançam alta lucratividade, mesmo que numa posição de indiferença às questões sociais, ambientais e culturais."
(...)

A Professora, pesquisadora Zulmira Silva Nóbrega é Doutora em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia, Brasil. 
É Professora da Universidade Federal da Paraíba, Brasil

A FESTA DO MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO: ANIMAÇÃO PARA TURISTAS E RESIDENTES
Aqui abaixo o link para o artigo completo. Copie e cole em seu navegador.

http://www.seer.ufal.br/index.php/ritur/article/viewFile/576/327

A FESTA DO MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO 
DIMENSÕES CULTURAIS DA FESTA JUNINA NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE 

Aqui abaixo o link para sua Tese de Doutorado completa. Copie e cole em seu navegador.

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/8976/1/Zulmira%20N%C3%B3brega.pdf

Estudar é trabalhoso, mas sempre vale a pena.