8 de março de 2012

NÓS, HOMENS E MULHERES

Quando nenhuma fêmea se sentir acossada ou intimidada pela força física de um macho; Quando nenhuma mulher for forçada por um homem a fazer algo que não seja exatamente a expressão do seu desejo; Quando nenhuma mulher for mais obrigada a se submeter à violência doméstica, por medo de ficar sozinha, por medo de ser morta, por medo de ser punida... Quando nenhuma mulher for remunerada discriminadamente, mesmo realizando trabalho igual ao de um homem; Quando nenhuma mulher precisar desenvolver tripla jornada de trabalho e ainda ser tratada como objeto; Quando nenhum homem olhar pra uma mulher e sentir que ele é quem sabe, é quem pode, é quem manda... Quando as mulheres não precisarem mais de uma delegacia "da mulher"; Quando mulheres e homens compreenderem que maior que a opressão de gênero é a opressão de classe; Quando homens e mulheres, irmanados, igualados socialmente, compreenderem que é possível edificar um mundo sem amarras e opressões de nenhuma espécie... Quem sabe...quem sabe...poderemos dizer que vivemos em uma sociedade verdadeiramente democrática. De quem será a obra? Nossa. De homens e mulheres libertos da consciência opressora, dominadora, que impera numa estrutura social que ainda prima pela concorrência, pela lei do mais forte, pela discriminação, pela submissão de uns aos desígnios e seios de outros. Esse mundo é possível? Acredito que sim e trabalho para construí-lo. Um mundo orientado pela solidariedade, a fraternidade, a igualdade de direitos, a igualdade efetiva de oportunidades. Se justiça social for uma utopia, que lutemos por ela! Se a felicidade geral da nação for um delírio, que exercitemos a nossa loucura! Pra que servem os sonhos, se não para que saibamos que de outro modo o mundo fica sem graça e sem o brilho das estrelas a noite fica também mais sem graça. Vamos juntos, homens e mulheres!

6 de março de 2012

A ADUEPB e a crise. Silêncio!

Sobre silêncios provocados pela Aduepb  

Com a fuga desesperada e injustificada da Assembleia na última sexta (2/março), espero que a diretoria da Aduepb reconheça suas limitações e a derrota que provocou para si mesma. Com isto, agora me sentirei seguro para preencher minha ficha de filiação e voltar à condição de servidor sindicalizado. Por que não o fiz antes? Alguns momentos se mostram emblemáticos para que não o fizesse, dentre os quais destaco os seguintes.

Há seis meses na Universidade, em dezembro de 2007 recebemos no campus VI a visita desse sindicato. Como naquele momento eu e os demais colegas (todos, diga-se de passagem) discordávamos do pleito do sindicato, queriam que não aceitássemos o PCCR tal como proposto pela reitoria, não fomos ouvidos. Já com a ficha preenchida em mãos, preferi atirá-la ao lixo, pois pela primeira vez vi uma instância sindical chegar com as propostas prontas e determinadas, negando o direito à voz e ao planejamento à classe que representa. Foi naquele momento que percebi a fragilidade de uma instância que deveria nos representar, lutando contra a própria categoria – pelo menos naquele campus estávamos todos convencidos disto, o que permanecemos convictos até hoje. Assim, companheiros, nesse momento eu não pude falar porque era novo na Universidade, pretexto da Aduepb para que não nos dessem ouvidos.

Este ano estamos em meio a uma luta pela manutenção da Lei de Autonomia da UEPB. Isto estava claro para todos que compareceram à Assembleia da Aduepb na sexta-feira. Ouvi de uma professora “não aguento mais escutar essa palavra, autonomia” – até manifestações dessa natureza são aceitas em um evento assim. Óbvio que não teríamos uma unanimidade. Mas, igualmente improvável deveria ser um sindicato lutar mais uma vez por uma causa que não seja da categoria – estou aqui entendendo que a Autonomia Financeira da Universidade seja também uma causa da categoria, ou pelo menos de sua maioria. Mais uma vez me decepcionei.

Em mais uma oportunidade queriam me negar o direito de falar, com o argumento de que não sou sindicalizado, o que é forte para mim, pois desde meus tempos de metalurgia que me sinto com a obrigação e direito de ser filiado a um sindicato. Como se esse argumento não bastasse, vários foram os manifestantes presentes que declararam ou insinuaram que eu, como diretor de centro, assim como os demais gestores presentes, não tínhamos legitimidade para estar naquela assembleia. Ora, acaso deixamos de ser professores, de ter interesse pelo bem da Universidade? Passamos a desprezar o nosso desenvolvimento profissional? Não queremos mais pensar em nossa progressão ou em melhoria em nossas condições de trabalho e em nossos salários? A mesa diretora dos trabalhos em nenhum momento se pronunciou contrário a esse tipo de ataque, mostrou-se condescendente, chegando a publicar em seu site excertos que corroboram isto.

Sobre essa matéria gostaria de acrescentar que sou diretor de centro porque fui eleito segundo as normas estabelecidas em nossa Universidade, de forma democrática. A mim não foram prometidos ou concedidos quaisquer favorecimentos pessoais na Universidade ou fora dela, nem eu os aceitaria. Também por esse motivo permaneço convicto na luta por uma instância sindical dessa Universidade livre de interferências do governo ou de quaisquer outros grupos que tenham interesses que não sejam os nossos, negociados de maneira legítima, convergindo para o bem e desenvolvimento da UEPB e da Paraíba. Sindicato é para lutar pela categoria, não pelo governo ou outras instâncias administrativas.

Que a nova diretoria não caia nesse mesmo erro.  Seja na luta pela Autonomia ou em quaisquer outros momentos, que ouça a sua categoria e a represente de fato, falando em seu nome segundo a demanda por ela estabelecida. Falando especificamente desse momento, é de todos a luta pelo cumprimento da Lei de Autonomia, da gestão da Universidade, da Aduepb, do povo paraibano, da academia brasileira, logo há muita convergência entre os interesses de todas essas esferas. Mas o sindicato, caros companheiros, deve falar em nome de toda a categoria de docentes, ouvindo-a, não sucumbindo a ofertas que exiguam nossa capacidade de luta e minem as conquistas da Universidade. À luta, companheiros, pela UEPB, por sua Autonomia e por um sindicato que nos represente!

Joelson Pimentel

9 de fevereiro de 2012

QUEM TRAIU A CONFIANÇA?

Publico aqui a transcrição de minha fala pública manifestada há 9 meses, acerca da posição do Governo do Estado da Praíba sobre a UEPB. Questão da autonomia, do repasse de recursos, da tática do movimento e da greve rejeitada pela Assembléia dos Docentes. Prof. Rangel Junior Data: 10/05/2011 Assembléia Geral dos docentes - ADUEPB. Local: Auditório Psicologia da UEPB Tempo: 03’ 04”   “... E é bom que a gente saia daqui com  esse espírito, que não estamos em lados opostos. Isso aqui não pode se transformar em uma disputa interna. Nós não podemos colocar aqui blocos de A ou de B. O que está em debate aqui é o interesse da universidade, é o interesse da instituição que faz parte de nossa vida , da nossa história. Eu entrei nessa Universidade  como aluno em 1981  até hoje essa Universidade faz parte de minha vida com 23 anos como professor dela e trabalho apenas nela tirando aqui meu sustento e  a feira semanal que faço (palmas). Por isso, o que está em jogo aqui ...(Assim como tantos outros que estão aqui senão sua maioria), então não vamos colocar aqui amigos, colegas de trabalho em campos opostos (políticos) apenas porque divergem de uma opinião. E aí - fraternalmente – eu tinha dito a Cristiane desde o início quando nos conversamos aqui: o que está em discussão aqui, volto a insistir, é apenas o seguinte:  Não estamos tratando de um contrato privado ou de  um contrato que pode ser assinado  e depois ir para um cartório se esse contrato for quebrado. Eu tava dando um exemplo, tem um gravador aqui na mesa , quem vende um gravador desse dá uma certidão de garantia dizendo que a garantia vale por tanto tempo, 3 meses, 6 meses, 1 ano. A garantia é que se quebrar você tem direito ao conserto .A garantia não é que ele vai quebrar. Eu não posso  antecipar que o governador vai ou não vai cumprir o compromisso ( palmas) que ele assumiu publicamente. Eu não posso partir do principio  que o governador está sendo desonesto ao botar uma frase  tal e qual ...Não posso partir desse princípio! O que está em discussão é  que o governador assumiu um compromisso publico  de defesa da Universidade, de preservação daquilo que ele tem obrigação de preservar que é a lei... Ele jurou perante a Constituição do estado que vai  preservar a lei, que vai defender a lei acima de tudo  e a Constituição, portanto, ele não está fazendo nada mais que sua obrigação e nós temos que garantir o seguinte: a nossa luta é que não pode ser como uma coisa insana  que nós temos que ir pra cima, ir pra cima, ir pra cima. Quem tem visão fixa à gente sabe o que é. Nós precisamos entender a hora de ir pra cima, pro embate e a hora de recuar para termos, sim, a opinião pública do nosso lado, para a sociedade entender que esta  Universidade fez um recuo tático, pra dar um voto de confiança  a aquilo que o governador assumiu publicamente e caso ele não cumpra, aí é outra história".

5 de fevereiro de 2012

Autonomia da UEPB: Uma Questão Moral Posta ao Sr. Governador


            De Aristóteles (quando sugere que a Autonomia é a condição da felicidade) a Marx (quando afirma que a autonomia política tem por base a autonomia econômica), passando por Hegel (e sua dialética do escravo e do senhor), tem razão os grandes pensadores: somente a Autonomia possibilita a Liberdade, lembrando que a Liberdade é o primeiro maior bem, depois da Vida.

            Assim sendo, a educação que não objetiva a Autonomia não gera Sujeitos, mas objetos, vez que ser Sujeito significa ser dono de seus desejos e comandante de suas escolhas na busca da concretização de seus próprios anseios e ideais. É isso que as ditaduras não aceitam, seja a ditadura familiar, sejam as ditaduras de Estado, a primeira destruindo a constituição do sentido do Ser, as segundas ultrajando o sentido de ser das Constituições, ambas agindo pela força, que é a suprema negação do poder, como afirma Hannah Arendt.

            Dessa forma, se o pai-ditador passa à História dos homens como castrador, o governante-ditador passa à História da humanidade como déspota. Entretanto, mesmo quando movido por mínima liberdade, somos, ainda assim, minimamente autônomos para escolher. Ao escolhermos, escrevemos nossa história, inscrevendo-nos nas historicidades alheias. E sábio é aquele que, como preceitua Kant, se pergunta, antes de escolher: “Quero? Posso? Devo?” Assim, deve todo Pai se perguntar: “Quero, posso, devo educar em função da autonomia ou da subserviência?” E cabe a todo Governante perquirir: “Quero, posso, devo governar em função da subserviência ou da autonomia?” Aqueles que a isso responderem afirmativamente passam à História como inesquecíveis, porque sábios; aqueles que a isso negativamente responderem, passam à História como esquecíveis, porque tiranos execráveis. Ser para sempre relembrado ou esquecido para sempre é esta a questão que a manutenção ou a quebra da autonomia da Universidade Estadual da Paraíba propõe ao Sr. Governador Ricardo Coutinho. Será sábio? Será néscio? Lembrando que, ao escolhermos, nos escolhemos, cabe apenas ao Sr. Governador responder – e em respondendo a isso, engrandecer-se ou encolher.

Edmundo de Oliveira Gaudêncio
Professor Titular
Departamento de Psicologia
Universidade Estadual da Paraíba