9 de novembro de 2009

O (MINI) VESTIDO DA DISCÓRDIA


A notícia mais quente da semana e ao mesmo tempo a mais mobilizadora dos meios de comunicação nacional, no momento, foi a expulsão da estudante Geisy Arruda, 20 anos, do quadro de estudantes da Universidade Bandeirantes (Uniban).

A moça da pauta, uma jovem reboculosa de cabelos nitidamente transformados e com relativo excesso de adiposidade causou espécie ao inexplicável universo dos machos de São Bernardo do Campo-SP, quando comareceu para assistir aula com um vestidinho vermelho, com pano sobrando nas mangas e escasso na parte de baixo.

Inevitavelmente lembrei de um xote cantado por Gonzagão, lá pelo final dos 70 e inícios dos anos 80, de autoia de Luiz Ramalho que vale a pena lemebrar a letra inteira:

"Comadre Joana sempre reclamou


Da minissaia que a filha tem

O namorado se invocou também

E certo dia pra ela falou:

Tua saia, Bastiana, termina muito cedo

Tua blusa, Bastiana, começa muito tarde


Mas ela respondeu: Oi, facilita

Pra dançar o xenhenhém, oi, facilita

Pra peneirar o xerém, oi, facilita

Pra dançar na gafieira, oi, facilita

Pra mandar pra lavadeira, oi, facilita

Pra correr na capoeira, oi, facilita

Pra subir no caminhão, oi, facilita

Pra passar no ribeirão, oi, facilita"

 
 
Mas, ora vejam só!
 
Se lá em tempos pretéritos (já se passaram 20 anos da morte do Rei do Baião) isto já era levado na onda, já se tinha tornado coisa banal, qual mesmo o sentido de tanta balbúrdia por causa de um vestido (ou minissaia) que termina mais cedo? Um olhar crítico sobre o fenômeno, completamente desprovido de juízos de valor é impossível.
 
O fato de conviver há mais de 29 anos com jovens universitários, tanto na condição de aluno quanto exercendo a docência, me dá uma certa noção no sentido de falar de um determinado lugar. Este lugar, em última instância está junto da tolerência. Posso afirmar que já vi quase tudo neste sentido (sem duplo sentido) quando se trata de moças de saias curtas e pernas cruzadas. Porém, nunca saí do meu lugar de educador, inclusive aconselhando, quando achei necessário, algumas a se protegerem.
 
O que causa espécie também, por outro lado, é que as mulheres conquistaram tal espaço no mundo moderno que lhes permite usar e, às vezes, abusar no uso da (pouca) roupa. Entretanto, isso virou uma banalidade de tal ordem que nem vejo mais as expressões de surpresa ou mesmo felicidade geral da macharia abestada com a passagem requebrante de qualquer jovem, a não ser que chame a atenção pelo conjunto da obra.
 
"E aí me dá uma tristeza no meu peito / feito um despeito de eu não ter com quem contar...", pois o prolbmea é que a moça em pauta, pelo conjunto da obra não mereceria atrair para si tanta atenção. Afinal, ela estava vestida para dois eventos: uma aula e depois uma festa. Qual o problema? Qual o problema em gostar ou não de suas roupas ou do seu jeito de vestir e andar balançando seu patrimônio apertado naquele vestidinho curto?
 
Se ela tivesse se ofendido e (feito Maria Brexita, uma doida de saudosa memória, lá de Juazeirinho), num gesto de desespero, mostrado as partes pra quem quisesse ver, exibido o que não devia, ao menos naquele lugar reservado ao saber... praquele magote de marmanjos aparentemente obsediados... eu até admitiria a reação.
 
Todavia, apenas pelo uso da roupa, confesso que ela passaria por mim em qualquer lugar público ou privado merecendo, no máximo, um "olhar de conferência", como compete a 9 de cada 10 homens que eu conheço. O que queriam então aquela macharada ensandecida escrachando a pobre moça com palavras de ordem e gritos de p... p... p...! E olhe que nem sei se ela é ou não. Porém, tem direito de andar, ir e vir, sem que se berre em coro que ela é isto ou aquilo.
 
Tenho certeza que muitas moças, centenas, milhares, em vários recantos deste país, têm ido às aulas, às missas, aos shopping centers com trajes idênticos e, às vezes menos compstos na parte de cima. Mais uma vez indago: qual o problema? Tenho certeza que boa parte daqueles jovens ensandecidos e defensores da moralidade e dos bons costumes que a UNIBAN protegeu expulsando a jovem, já fumou maconha na universidade ao menos uma vez, já deu um amasso escandaloso na universidade ao menos uma vez, já fez isto em outros ambientes menos indicados ao menos uma vez. Qual o problema?
 
É bom lembrar que os linchamentos começam desse mesmo jeito. E aí as catarses cletivas acontecem, assim como em tempos muito remotos homens de carne e osso eram jogados aos leões para o divertimento da aristocracia.
 
Creio que nossa sociedade andamos perdendo coisas. Uma delas, sem dúvidas é o verdadeiro senso de preservação dos nossos direitos dos direitos dos outros, do exercício da cidadania e da justiça, da tolerância, do bom senso. Se não, coisas como essas não aconteceriam. E, se acontecessem teriam sido resolvidas no âmbito da própria instituição, sem maiores problemas, antes que tomasse tais proporções.
 
Pensando bem, acho que a moça perdeu muita coisa. Porém, pelo desenrolar dos fatos, ela sairá ganhando depois e muito. Perdemos nós todos brasileiros, e muito.

2 de novembro de 2009

O MAIOR FAZEDOR DE "BURÉ"


Não sei se você já ouviu falar em Buré. Não encontrei no dicionário nem encontrei palavra assemelhada que pudesse justificar seu uso. Segundo a Wikipedia, Buré é uma comuna francesa na região administrativa da Baixa-Normandia, no departamento Orne. Estende-se por uma área de 5,53 km², com 94 habitantes, segundo os censos de 1999, com uma densidade 17 hab/km².

Entretanto Buré é o ajuste de nivelamento feito sobre a parede de areia de praia que forma aquelas piscininhas feitas por nós, gente grande, para deleite da meninada. Explico: Estava construindo uma dessas piscinas e meu parceiro Vinícius diz pra mim:
- Papai, você bota a areia e eu faço o Buré!
- Como é, filho?
- O Buré, papai! Eu sou o maior fazedor de Buré!

Entendeu agora? Pois bem, Buré nada mais é que isto, a regulagem manual ou com uma pazinha de plástico que você faz no topo da parede de uma piscininha de areia de praia. É o Buré que deixa a parede mais bonita, digamos assim. Até ontem, pra mim essa palavra era inexistente. Não é mais! Pronto!

29 de outubro de 2009

ARTE, EMOÇÃO E COMPROMISSO

Se você está apressado (a) deixe pra lá! Porém, se tem 8'33'' pra se deleitar com um grande espetáculo, você pode colocar em tela inteira ou apenas clicar no video abaixo.
É impressionante o que a arte pode fazer (ou uma artista) pra chamar a atenção para um fenômeno social. A artista ucraniana Kseniya Simonova consegue fazer aquilo que alguns chamam de 'milagre'. Simplesmente fantástico, aos meus olhos.
Tire suas conclusões. Se não tiver tempo agora, volte depois ou vá ao youtube quando puder com a pesquisa do nome.

27 de outubro de 2009

AINDA CHEGO LÁ

O formato do blog ficou todo esquisito depois que fiz umas experiências noutro dia e não consegui mais voltar a ser como era antes. Acho que com a gente acontece assim também: a gente nunca consegue voltar a ser como era antes. Mas não precisava ser tão radical. Afinal, descobri que nos blogs acontece como na vida. Que legal!

Já tentei de várias formas, o tempo é pouco, mas não consegui retomar o formato anterior onde as informações apareciam na íntegra logo no início da página. Há um erro de configuração, pois em todos os modelos que já tentei ele mantem a mesma formatação, como se todo o blog fosse um texto corrido na vertical e isso o deixou meio esquisito. Pra mim, feio mesmo.

Se um dia eu tiver tempo verei se conserto. Meus conhecimentos do assunto se mostraram insuficientes e não tenho tempo pra estudar um troço desses. Guardarei alguns neurônios pra queimar em sinapses mais produtivas.

Conto com sua compreensão.

MOBILIZAÇÃO DE MASSA

Pode até parecer que foi tudo montado, preparado, ensaiado... sei não, mas a idéia geral ficou muito bacana. Veja o vídeo e perceba como as pessoas vão se contagiando com o balanço... e tudo começa com uma pessoa saltitando na platéia...
Tire suas conclusões.

SHOW AUTORAL - CAMPINA GRANDE

SHOW AUTORAL - CAMPINA GRANDE
"É tão bonito quando a gente sente / que nunca está sozinho por mais que pense estar / (...) É tão bonito quando a gente vai à vida / nos caminhos onde bate bem mais forte o coração" (foto de Paizinha Lemos)

ARQUIVO DO BLOG

VISITANTES

QUEM SOU EU