31 de dezembro de 2011

ANTES QUE O ANO ACABE...


É preciso dizer, antes de mais nada, que tudo valeu à pena. Isto é quase uma oração, quase um Ato de Contrição.

É preciso se reconciliar com os sonhos e planos, mesmo os que não deram certo.

É urgente e necessário fazer algo para que o Ano Novo comece bem.

É imprescindível proteger o fígado de tanta comida gostosa e que, mesmo não sendo “ilegal nem imoral...” engorda! E engorda pra caramba!

É emergencialmente importante dar aquela paradinha pra refazer alguns planos pro ano que virá.

É muito bom chegar perto de quem você ama e, não custa nada, dizer dos seus sentimentos numa boa, sem censuras ou encabulecimentos.

É sensato lembrar se faltou alguma conta pra pagar e, mesmo justificando com o fechamento dos bancos na sexta-feira, honrar os compromissos no primeiro dia útil do ano.

É mais que tudo indispensável olhar pra trás e tentar lembrar o que deixamos de fazer...

…aquele abraço que ficou no meio do caminho,
…aquele papo franco que foi adiado,
…aquele telefonema pro/a amigo/a que há tanto tempo não vê,
…aquele pedido tão urgente e que você não deu a merecida atenção,
…aqueles livros que você jurou ler e que ficarão pro ano seguinte,
…aquela consulta médica que pode identificar que você precisa se cuidar mais,
…aquela visita a um/a parente que mesmo perto parece estar do outro lado do mundo...

No meu caso, aproveito pra pedir perdão a quem neguei qualquer uma das ações que listei acima.

Pedir perdão é algo doloroso, mas o faço genericamente e, mesmo que você nem imagine a quem estou pedindo, sei exatamente do que falo. Peço perdão principalmente pelo que deixei de fazer, mesmo a quem eu não pude perdoar.


Dito isto me despeço de 2011.


Espero e me esforçarei para me tornar uma pessoa melhor daqui por diante.


Afinal, em 2012 terei 366 dias para tentar. Conto com você fazendo parte deste projeto.

27 de dezembro de 2011

NOSSOS ERROS SÃO NOSSOS


 (...) Mas não sou mais

Tão criança a ponto de saber tudo.
R.Russo


É mais fácil e cômodo buscar nos outros ou alhures a responsabilidade por nossos insucessos. Sabe aquela história do jogador que falhou numa bola e o time adversário fez o gol da vitória? Ao final do jogo, responsabilizado pela derrota, ele arguiu o repórter: e por que nem um dos nossos atacantes fez um gol no adversário?

É assim no mais das vezes. Se bem que é verdadeira a tese de que raramente alguém erra sozinho ou deve arcar com o peso de toda responsabilidade quando a obra em questão é coletiva. Portanto, responsabilidades divididas solidariamente.

Acompanho dia-a-dia situações limite em que nossas tentativas de acerto nem sempre são bem sucedidas. Muitas vezes, conseguimos aquele gol salvador na prorrogação, assim como nem sempre o autor do gol é o responsável maior pela vitória. O conjunto da obra, o conjunto de atores (ou jogadores) é que construiu o resultado final.

Numa situação de concurso público, por exemplo, é muito comum o sujeito lutar por uma vaga e no final se dar conta de que se tivesse estudado mais um pouco aquele tema, poderia ter saído vitorioso no final. Uma questão de prova, um ponto de diferença...

Vejo pessoas se preparando para disputar certames públicos que viraram verdadeiras maratonas. Criou-se no país uma categoria nova chamada “concurseiro”, o sujeito que vive a vida estudando, treinando, se preparando para passar num concurso público. Passa em um, continua estudando para galgar outro emprego melhor até conseguir aquele que considera ser seu emprego público de fim de linha.

Por outro lado, num concurso como o de docentes na UEPB para o preenchimento de mais de duas centenas de vagas, outro tipo de reação sempre aparece. A pessoa concorre, disputa vaga com mais algumas, mas não consegue passar numa das etapas. Culpa a banca examinadora, culpa a instituição, alega tratamento diferenciado, perseguição, incompreensão, incompetência para julgar, sorteio de tema ruim... Porém, falta olhar para si mesmo e se auto-avaliar.

Independente da carga de subjetividade relativa existente em uma situação como essa, a pessoa precisa olhar para os próprios erros e buscar corrigi-los, sob risco de continuar negando a si mesma ou se enganando, como na fábula da raposa e as uvas. A banca foi ruim! Esta instituição não me merece! Eu sou mais importante e conseguirei algo melhor! Na psicologia, esta é uma das lições elementares sobre os mecanismos de defesa do ego. Há que se respeitar também a capacidade dos concorrentes que lograram êxito.

Aproveitando o momento de final de ano, passado o Natal e as famosas trocas de presentes, que tanto inundam nossa cultura, nada melhor que por a cabeça no travesseiro ou, como dizia minha mãe, pôr a mão na consciência, avaliar e aprender com os próprios erros.

O mais importante é parar um pouco e buscar racionalmente uma tomada de consciência sobre as próprias capacidades, potencialidades e oportunidades em um mundo de disputas cada dia mais acirradas e nem sempre tão equânimes.

Como terei pouco mais de 30 dias pra resolver uma pendência que mereceria bem mais tempo para tal, minha concentração é sobre este debruçar, este refletir e encarar o desafio como se fosse o último, porém, com uma certeza: neste caso, luto agora apenas contra mim mesmo...ah, e contra o relógio!

22 de novembro de 2011

QUEM FAZ (TAMBÉM) LEVA

Há um ditado muito comum em meio aos futebolistas que diz: "quem não faz leva". A referência é clara ao fato de que, quem não joga no ataque, quem não faz gols acaba levando gols e recebendo por castigo a derrota.

Uso essa metáfora futebolística para referenciar um evento do qual participei hoje e marcou profundamente minhas imagens e registros da história de minha vida em Campina Grande: a entrega do título de Cidadania Campinense à Professora Marlene Alves, reitora da UEPB, pela Câmara dos Vereadores de Campina Grande

Prefiro entender que todas as vezes que a Câmara votou pela outorga de tal honraria a fez em nome da tradição, do respeito e da verdadeira contribuição da pessoa escolhida à história da cidade.

Pois bem. Sou muito suspeito pra falar positivamente da reitora da UEPB e o título de cidadã campinense que recebeu hoje na cidade. Porém, arrisco a dizer: nada mais merecido.

A professora Marlene, longe de qualquer comparação com jogo retranqueiro, é personalidade forte e que joga sempre o ataque. Se ao longo do tempo ainda não foi possível vislumbrar as suas contribuições à história da política paraibana através de suas atitudes, porém, necessário também se faz reconhecer que ela tem, de fato, personalidade forte e tem brilho próprio, luz...e que isso fará a diferença na hora de definir "quem vai conduzir os destinos dessa cidade pelos próximos quatro anos."

A professora Marlene mostrou até o momento, na prática e pela própria experiência que é possível fazer diferente. E ser diferente diz respeito ao modo de fazer, ao jeito de falar, de tratar as pessoas, de respeitar a coisa pública, ao sotaque paraibano, ao respeito à nossa cultura e todas as formas de manifestação de nossas tradições.

Em relação ao título de cidadania foi como um gol de placa. Ou seja, ela fez por onde e levou. Fez o que se comprometeu em fazer e levou pra casa uma espécie de troféu. Com muita honra e orgulho ela recebeu o título ontem. Vi a felicidade e o brilho nos seus olhos. Não de soberba, daquele orgulho besta, individualista, mas aquela imagem de quem tem a sensação de que está cumprindo com seu dever de CIDADÃ.

Há 7 anos Marlene Alves foi eleita a primeira mulher reitora da UEPB. Seu lema era: Muda, UEPB! A UEPB mudou!

Aguardemos, pois sua trajetória de brilho ainda está só começando!

16 de novembro de 2011

SOU OBRA EM PARCERIA DO ACASO COM A PERSISTÊNCIA

I - Esperança é aquilo que faz você olhar pro horizonte, não visualizar o final da estrada e, ainda assim, cabeça erguida, dá seguidos passos em sua direção.

II - Há exatos 47 anos eu estava no colo de minha mãe no interior de um ônibus, juntamente com dois irmãos mais velhos e um tio, com destino ao Rio de Janeiro, onde encontraria meu pai, Seu Tonito, pela primeira vez. Havíamos saído de Juazeirinho no dia 15 de novembro de 1964 e fiz meu aniversário de 2 anos na estrada.

III - Quando completei oito meses de vida arrumei uma infecção intestinal. Desidratado, minha mãe queria trazer-me para Campina Grande e meu avô, José de Fontes, disse pra ela: Você vai perder seu tempo. Vai levar esse menino pra Campina e vai trazer um anjinho nos braços. Olha a nata nos olhos dele...já é um anjinho! Ela respondeu: eu trago o anjinho numa caixa de sapatos pra enterrar aqui, mas não vou deixar ele morrer sem socorro. Trouxe-me a Campina e o farmacêutico Mamede Moisés Raia me salvou com soro e antibióticos, lá na fronteira entre Monte Cstelo e Nova Brasília. Dpois virou nome de rua,a mas me salvou antes. Ainda bem!

IV - Eu não era nem sou um anjinho. Cá estou, aos 49 anos, 80 kg e ainda sem precisar de óculos. E o que isso tem a ver? Sei não, mas só sei que foi assim e eu lembrei de contar antes que a memória me traia em definitivo. Devo a minha mãe, Dona Neide, a minha vida em dobro.

V - Por essas e outras razões que eu afirmo ser obra em parceria do acaso com a persistência. Aliás, se não estiver errado, a maioria das criações humanas são uma mistura de acaso, rompante, iluminação, insight, inspiração, estalo...como você prefira chamar e da persistência, que é o que dá mesmo o resultado final, a obra laboraria com produto final e tudo o mais.

VI - Tenho aprendido nesses anos que ainda tenho muito a aprender, que não sei de quase nada, mas tenho aperfeiçoado a tolerância, a paciência e a arte de esperar...como quem tocaia passarinhos. Quem sabe, essa parte eu também não tenha aprendido lá, em Juazeirinho? O tempo dirá!

9 de novembro de 2011

EU SOU APENAS O QUE SOU (?)


"Eu sou alguém livre/
Não sou escravo e nunca fui senhor/
Eu simplesmente sou um homem/
Que ainda crê no amor.
(...)
Eu sou um porto amigo sem navios/
Um mar, abrigo a muitos rios/
Eu sou apenas o que sou."

A frase da canção O Moço Velho, de Sílvio César, traduz reminiscências, mas também pode atualizar um presente em construção. Na verdade, somos obras inconclusas. Somos projeto em permanente adaptação e, se possível, aperfeiçoamento.

Quem acredita bastar-se a si mesmo/a nem se deu conta ainda de que precisa do outro para saber que é. Sem o outro não somos! Eis a essência de "ser humano."

Por esses dias andei aprendendo coisas novas, como sempre. Uma delas reforça uma tese antiga que defendo: não temos um controle remoto na mão, apertando botões e guiando o mundo. É preciso sempre permitir que aquele “outro” que nos completa se revele em sua plenitude de sujeito.

Não se trata aqui da ideia de amor romântico onde o outro seria uma espécie de “cara metade” ou a “outra metade da laranja”. Não! Somos cada um inteiro, mas inteiro incompleto, ou inteiro em construção, em movimento, pois além deste movimento existe o movimento “do outro”. É isso que precisa ser compreendido.

As dores de uma espécie de virose ou dengue (não sei ainda o que será!) me puseram em estaleiro noturno e, como não dá pra ficar lendo... bom, como não dá pra assegurar concentração pra leitura mais séria vamos às vivências ou experiências humanas.

Afinal, somos todos passageiros dessa fantástica experiência humana!

Na prática mesmo, ninguém é apenas o que é. Ou, dito de outro modo, não somos apenas o que somos, mas somos, além disso, o que somos para os outros e o que eles são pra nós. Confundiu? Deixa pra lá! É só um exercício...

29 de outubro de 2011

...E FORAM FELIZES PARA SEMPRE!


Aviso imprescindível aos navegantes: não sou crítico de arte. De teatro entendo muito pouco. Sou um espectador sensível e que vive aberto a novas experiências de sensibilização pela arte.

Assisti, ontem à noite, a estréia da nova montagem de Aluizio Guimarães: "...e foram felizes para sempre!" e registro aqui algumas impressões de espectador curioso que se deixou tocar pela experiência artística.

A encenação acontece num locus diferente do habitual (que não vou detalhar pra não estragar a surpresa...), o que, por si, já provoca o espectador a uma quebra de rotina.

A iluminação de Gutemberg é tão primorosa que beira a perfeição. Sem exageros! O clima criado pela marcação precisa da luz na movimentação dos atores leva o espectador a embarcar junto com estes, de modo que a luz entra em cena como se seu papel fosse para iluminar o texto e nao só os atores em cena.

Falando em cenografia, do piso aos adereços e todos os elementos cênicos estão muito bem combinados e equilibrados, em posicionamento e cores, permitindo aos atores interagir com o público como se este espiasse por detrás de um vidro espelhado...

A música mereceria um capítulo à parte. O repertório encaixado nas cenas, a suavidade da interpretação ao vivo da  banda A Valsa de Molly é algo excepcional, como se você, ao escutar a música, tivesse que ficar procurando de onde ela está vindo.

No geral, acredito que o autor e diretor Aluízio Guimarães conseguiu algo extremamente complicado: tratar um tema tão batido como o casamento, as crises numa relação a dois sem abusar dos clichês. Claro que sem alguns deles não teria graça nenhuma, em minha humilde opinião.

...e foram felizes para sempre! faz rir sem forçar a barra (aliás, Aluízio encontrou várias novas piadas...rsrsrs), provoca reflexão sem objetivo doutrinário, sensibiliza sem ser piegas. Chico Oliveira e Alana Fernandes, cá pra nós, chegam a parecer um casal casado...rsrs

Não sei se vi todas as criações do autor, mas pelo que conheço de suas incursões em teatro e cinema, trata-se do seu trabalho mais próximo do que chamam de "popular", entre aspas mesmo.

Por fim, não poderia deixar de falar da solução encontrada para que o "...e foram felizes para sempre!" provoque no espectador a sensação de continuidade da história. Não posso desmanchar também a surpresa, mas garanto que quem assistir terá uma grata surpresa neste aspecto.

Vale a apena ir ao Teatro Municipal Severino Cabral e assistir ...e foram felizes para sempre!

16 de outubro de 2011

dia do compositor

Aproximadamente trinta e quatro anos depois, um momento marcante ontem, na minha vida, fecha um elo com aquele Setembro de 1977, quando cantei Gosto de Maçã

MUITO PRAZER! SOU PROFESSOR!


Um dia, atendendo ao apelo de uma vizinha, comecei a dar aulas particulares de violão. Era o ano de 1980 e eu trabalhava o dia inteiro na fábrica de Ibrahim Hamad, tirava do Açude Velho pro Gigantão da Prata a pé e voltava pra casa da mesma forma. As aulas de violão aconteciam nos sábados em que não viajava pra Juazeirinho ou alguma noite em que as aulas não preenchiam todos os horários.
Atendendo a outro apelo de uma amiga, sendo estudante do Estadual da Prata, fui dar aulas particulares de Física, como reforço, pois a mesma estava com dificuldades na matéria. Detalhe: ela estudava no CEPUC, que era “o Motiva” de então em Campina Grande.
Um outro dia, em 1982, já estudante de Psicologia na URNe, atendi ao apelo de um amigo e fui em seu lugar ministrar aulas de Biologia em Fagundes. Isso também aos sábados, pois estudava à noite e trabalhava o dia inteiro no Balcão da Economia.
Em 1984 a empresa fechou a filial na cidade e minha opção seria ir pra João Pessoa. Escolhi ficar desempregado pra tentar terminar o curso que estava atrasando. Desta forma, atendendo a mais um apelo, desta feita da necessidade, fui ganhar um salário mínimo e ministrar aulas de Português, Moral e Civismo e OSPB no Colégio Municipal de Juazeirinho. Depois ainda lecionei Educação Artística. Afinal, eu sabia tocar violão... (rsrs)
Quando dei por mim já era professor de verdade. Estudava os assuntos, preparava aulas, corrigia provas (coisa difícil até hoje!), viajava cinco dias por semana os 80 km que separam Juazeirinho de Campina Grande, na maioria das vezes de carona pra ganhar o dinheiro da passagem. Assistia aulas todos os dias pela manhã e em alguns à noite.
Em 1988, já psicólogo (também licenciado), conquistei uma vaga de professor pro tempore no departamento de psicologia da UEPB, onde havia estudado. Coincidência, pois o Colégio de Juazeirinho onde comecei também havia sido meu espaço educativo da quarta série ao 2º ano do médio.
Acontece que me descobri professor e descobri que queria fazer aquilo pro resto de minha vida. Em 1989 conquistei vaga de professor efetivo e daí em diante é uma longa história que não dá pra contar num post para um blog. Ficaria por demais maçante.
Passados 27 anos tenho alguns registros importantes a fazer, mas destacarei alguns muito curtos.
- Nunca tive problema com estudante em sala de aula. Não registro nenhum conflito que não tenha sido devidamente resolvido com diálogo;
- Nunca tive envolvimento afetivo algum com alunas/os que pudesse comprometer meu trabalho e seus objetivos;
- Nunca precisei tratar com terceiros – diretoria, coordenação, supervisão – quaisquer assuntos conflituosos envolvendo a relação professor/estudantes em que tenha me envolvido;
- Nunca tive nenhum problema trabalhista ou conflito direto envolvendo relações de trabalho com colegas, mesmo tendo sempre assumido posições firmes, com opinião defendida – muitas vezes apaixonadamente – nos espaços coletivos;
- Nunca tive uma avaliação (e nota atribuída) contestada por estudante ou com pedido de revisão de prova;
            Registro também algumas coisas que fiz e algumas quase certezas que tenho hoje. Podendo mudar amanhã!
            Amigos por onde passei e passo. Respeito conquistado, mesmo da parte dos que em vários momentos se transformaram em adversários políticos. Respeito por parte dos estudantes por quem sempre tive uma atitude democrática, respeitosa e firme.
            Em 27 anos de profissão aprendi mais que ensinei.
            Depois de uma especialização inconclusa, um mestrado concluído há 14 anos e um doutorado em andamento, constato muito à vontade que sei muito pouco e que uma vida só não basta pra aprender as coisas que tenho vontade, ler os livros que gostaria, assistir aos filmes que anoto, compor as canções que tenho em mente, escrever os livros que fiz sinopses esperando um dia ter tempo...ufa!
            Aprendi também a não pedir respostas de estudantes para as quais eu já tenho uma que seria a certa. Quando faço uma pergunta numa avaliação é porque quero saber o que cada um pensa a respeito de determinado tema trabalhado em sala de aula.
            Descobri que a aula funciona pra mim como uma espécie de catarse. Sempre as encerro com um “gostinho de quero mais”, uma vontade de não sair, uma certeza de que aquele momento jamais se repetirá.
            Termino minhas aulas feliz da vida porque tenho ali a certeza de que faço uma coisa de que gosto imensamente e o regozijo, o quase arrebatamento que toma conta de mim, me dizem que escolhi a profissão certa e que sou um sujeito feliz por isso.
            Amo o meu ofício e as descobertas que ele me oferece cotidianamente não me seriam ofertadas por nenhum outro tipo de trabalho.
            Ser professor é algo que me orgulha e honra. Busco honrar todos os dias a remuneração que o povo da Paraíba me paga e tenho a consciência muitíssimo tranquila de que os esforços têm dado certo.

3 de outubro de 2011

COMPARTILHAR É DEIXAR O OUTRO TAMBÉM SER

Há pessoas que perderam a capacidade de olhar o mundo ao seu redor, ver a injustiça campeando e se indignar. Há pessoas que nunca tiveram essa capacidade, por terem nascido e sido educadas em circunstâncias muito específicas que as levaram a agir assim, ou simplesmente pela perda mesma de valores morais e ideais mais altruístas.

Há no mundo e ao nosso redor muitas pessoas assim. Não são más, é bem verdade! Todavia, infelizmente, acham-se muito espertas ao ponto mesmo de debochar dos sentimentos mais nobres que movem as ações de outros no seu entorno. Pessoas assim criaram uma armadura de insensibilidade social e, muitas vezes, buscam desenvolver um forte sentimento de afetividade que transborda apenas no âmbito da individualidade. Ou seja, são afetos que, de forma quase egoísta, somente se compartilham com os mais próximos. São capazes de ir à missa aos domingos, ao culto semanal, orar por todos, mas não conseguem olhar por todos e para todos que não seja verticalmente, em posição superior.

Desta forma, quaisquer sentimentos mais universais de companheirismo, camaradagem, solidariedade e fraternidade verdadeiras, na prática, são rechaçados na forma do achincalhe, do deboche, da piada, na tentativa de levar a crer que o indivíduo que assim pensa e age, na verdade, é um ingênuo, um "inocente útil" aos planos maquiavélicos de delirantes senhores mundiais candidatos a ditadores e dominadores universais, na linha da ficção dos desenhos animados.

Não tenho vergonha de dizer ao mundo: o que me mobiliza é o sonho, a utopia, o desejo...Porém, tenho a coragem suficiente pra dizer na cara que não tenho a desfaçatez mesquinha de ficar sonhando, professando ideais, sem mover uma palha pra mudar o curso da história e a cada dia seja dado um passo a mais na construção de um mundo sem exploração do homem pelo homem, sem as amarras do lucro que fazem com que o sujeito olhe sempre pro outro analisando a possibilidade do quanto pode tirar daquele para si, quanto pode lhe render a aproximação ou o "negócio" que possam estabelecer dali em diante.

Definitivamente, esse mundo não é o meu!

Deixem-me com meu "anacronismo"! Deixem-me continuar empunhando minha lança quixotescamente, desde que apenas acredite naquilo que vejo e sonho em mudar.

Meu mundo e nada mais é um lugar onde todos possam buscar o sol e o encontrem a cada manhã, sem ter que tirar do outro um pouco de luz que seja. Há luz suficiente para todos no universo e em nosso Planeta tão castigado.

Sejamos os que buscam o sol, mas o sol para todos! Sejamos os que buscam a vida, mas a vida em abundância, como sugeriu um certo profeta, e para todos sobre a terra.
É isso!

26 de setembro de 2011

SER OU NÃO SER UNIVERSITÁRIO/A?*


Caro/a estudante! Você começa hoje um curso superior numa universidade pública. E o que isso muda, afinal? E o que isso muda em sua vida? Você continua sendo o que era antes, um/a estudante. Afinal, qual a diferença mesmo entre ser estudante de ensino médio e ser estudante universitário/a?

Ser universitário//a é uma questão de atitude. Isso mesmo: a maior diferença está na atitude.
Se você chegou aqui cheio/a de expectativas, sonhos, planos, esperanças de mudanças e um otimismo à prova de terremotos, pois se prepare porque será testado/a cotidianamente daqui por diante. Testado/a no sentido de provar pra si mesmo/a que é capaz de fazer algo por si e para si e que sabe exatamente o que quer pra sua vida.

E como isso é possível se você acaba de passar em um vestibular e está apenas começando um curso superior? Eis a questão: a mudança começa agora!

Se no ensino fundamental e médio você era alguém que confiava em 100% no/a professor/a, que esperava em quase 100% pelo que ele/ela trouxesse para sala de aula, que exercitava cotidianamente os ensinamentos do/a professor/a na esperança de memorizar, aprender macetes, desenvolver habilidades para passar no vestibular, ao menos uma coisa é certa, algo funcionou, pois você está aqui.

Não que você não deva confiar em seus/suas professores/as. Não que você não aceite ser orientado/a ou guiado/a pelos/as seus/suas professores/as, não que você não precise estudar cotidianamente... Nada disso! Você terá sempre que memorizar algumas coisas, desenvolver muitas habilidades, aguçar sua curiosidade, preparar-se para avaliações, provar que aprendeu.

A grande diferença está em que, a partir de agora, você será mais responsável pelo seu aprendizado do que o professor. Isso porque quem esperar sempre pelo/a professor/a sairá daqui como um/a profissional mediano/a ou mesmo medíocre. Quem acreditar que o/a professor/a sabe de tudo e que irá lhe ensinar esse tudo está profundamente enganado/a. Quem olhar para o/a professor/a e vê-lo/a como uma fonte de sabedoria, um verdadeiro oráculo pronto a dar-lhe respostas pra tudo irá se decepcionar e, por conseqüência, descobrirá que a Universidade não era aquilo que tanto sonhava.
Eis meus caros alunos e alunas algumas sugestões a partir do que aprendi com minha experiência. Você precisa acima de tudo se tornar o/a maior responsável pela sua formação. 

Seu/sua professor/a será mais facilitador/a do seu aprendizado que um/a ‘ensinador/a’ de coisas. Será mais um/a orientador/a sobre os caminhos que você deve percorrer em busca do conhecimento ao invés de um/a sabe-tudo com respostas prontas que facilitarão sua vida. 

Mais que dar respostas prontas, seus/suas professores/as deverão lhes ensinar a fazer as perguntas e procurar as respostas.

Daqui em diante você precisará ser mais dono/a do seu nariz. Você precisará ler os textos indicados pelo/a professor/a, pesquisar a bibliografia recomendada, dar conta de participar dos debates, seminários, avaliações, mas não é somente isto. Você estará no comando. É disto que você precisa ter consciência. A mudança acontecerá se você mudar.

Prepare-se para esta mudança que é, essencialmente, de atitude. Aproveite os anos de estudo na Universidade, pois eles não voltarão e mesmo que você faça outro curso superior, depois já não será a mesma coisa.

Não há incompatibilidade entre ser jovem, vivenciar todas as oportunidades oferecidas aos jovens e ser universitário. Não há contradição alguma entre participar de quase tudo que a vida oferecer, curtir ao máximo esta fase tão marcante da vida, namorar bastante, se divertir com os novos amigos e, ao mesmo tempo, fazer da experiência universitária uma grande oportunidade. Oportunidade para crescer, aprender muito, preparar-se para o mundo do trabalho, estabelecer novas e boas relações, participar ativamente da vida universitária e aprender um novo modo de fazer política, realizar uma fantástica viagem pelo mundo do conhecimento e daqui a alguns anos se tornar um/a profissional diferenciado/a.

A grande diferença estará na mudança de atitude que você conseguir imprimir à sua vida.

Você terá pela frente talvez o maior desafio que já enfrentou até agora. Talvez maior que a própria tentativa de ingressar na Universidade. O desafio não é concluir um curso superior, mas se tornar uma pessoa com novos conhecimentos, competências e habilidades. Mais que isso, o maior desafio é se tornar uma pessoa melhor, mais madura, mais aberta pro mundo, mais capaz de se autodeterminar e tomar conta do próprio destino, edificá-lo.

E mais: você não pode esquecer que o povo paraibano financiará a sua formação superior. Tenha sempre consciência deste fato.

Isto é SER universitário/a! Se você conseguir dar conta disto, daqui a alguns anos sairá da UEPB com marcas e memórias inesquecíveis de um tempo maravilhoso e, além de ser uma pessoa mais experiente e com boas histórias pra contar, terá vivido alguns dos melhores anos de sua vida. Desejo-lhe uma boa viagem!

* Republicado com revisão.

12 de agosto de 2011

Chico Passeata, um homem brasileiro!

No início dos anos 90, militando no movimento docente nacional da ANDES, presidindo o sindicato dos professores da UEPB, ADUEPB-Seção Sindical, conheci Helena Serra Azul, professora da UFC e, de quebra, conheci Chico Monteiro, seu eterno namorado e companheiro, o Chico Passeata.
Articulador competente, dominava a política com maestria e se mostrou dono de uma lista interminável de amigos e aliados políticos, sempre dispostos a compor, apoiar, somar em algum projeto político de relevância.
A partir daí fui me tornando amigo do marido de Helena e criando um vínculo próprio com Chico Passeata. Aprendi a gostar e admirar a sua história de vida, verdadeira saga em luta permanente, desde a época de estudante de medicina.
Chico passeata foi o cara que escalou uma estrutura enorme de uma caixa d'água da Faculdade de Medicina da UFC, antes do AI-5, e fincou lá. Uma bandeira com um "viva, Edson Luís", depois da morte do estudante no RJ.

5 de agosto de 2011

Quase Azul

Desde o início dos anos 80, quando a visitei ela primeira vez, tenho um fascínio pelo caminho que vai de Tambaú à ponta do Cabo Branco. Há uns 10 anos transformei este fascínio em canção. Aqui pela primeira vez. Minha homenagem à bela capital paraibana.

26 de julho de 2011

NOTA DA ANP REPELE MATÉRIA DA REVISTA ÉPOCA

Nota da ANP sobre matéria da Revista Época. Assessoria de Imprensa da ANP.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) repele, energicamente, as acusações feitas pela Revista Época em reportagem de capa da edição de 23/7/2011. A revista veiculou falsidades e desconsiderou dados verdadeiros que já lhe tinham sido informados há dois anos. Generaliza suas aleivosias irresponsáveis e agride toda a comunidade que trabalha na Agência. Em respeito a seus servidores e à sociedade, a ANP presta os seguintes esclarecimentos:

Os Srs. Antonio José Moreira e Daniel Carvalho, que aparecem na gravação e foto divulgadas e foram apresentados repetidas vezes na reportagem como “assessores da ANP”, nunca foram assessores desta Agência. Nunca foram sequer do quadro de servidores permanentes da Agência.

Antonio José Moreira é servidor da Procuradoria da Fazenda Federal e foi destacado para o acompanhamento de processos da ANP, atuando em dependência da Agência, como ocorre com os demais órgãos públicos. Daniel Carvalho foi apenas estagiário na ANP. Além disso, a revista maldosamente os apresenta como se estivessem hoje na ANP, sendo que ambos já estão fora dessa Instituição há mais de dois anos.

A reportagem também não informa que, tendo tomado conhecimento em 2009 da gravação referida na matéria, um funcionário da Assessoria de Inteligência da proporia ANP acompanhou a advogada Vanuza Sampaio, ao Ministério Público para a apresentação da denúncia, ficando claro que a ANP estaria, como permanece até agora, à disposição do Ministério Público para os esclarecimentos necessários.

Essas informações, que a reportagem ignora, tinham sido fornecidas pela ANP à Revista Época há mais de dois anos.

O ex-superintendente de Abastecimento da ANP Edson Silva interpelou judicialmente a advogada Vanuza Sampaio, através de seccional da OAB/RS, para que confirmasse em juízo as acusações agora veiculadas pela revista Época. Em sua resposta, a advogada negou que tivesse conhecimento de qualquer irregularidade por ele praticada.

Edson Silva afirma que jamais autorizou quem quer que seja a falar em seu nome ou fazer tratativas do tipo que a revista lhe atribui e nega que tenha havido qualquer encontro em um "café nas cercanias da sede da ANP, no centro do Rio", como consta na reportagem.
A ANP nunca teve conhecimento de qualquer irregularidade praticada pelo ex-superintendente de Abastecimento Roberto Ardenghy.

As insinuações feitas por Época contra o ex-diretor Victor Martins, merecem também nossa repulsa e o nosso protesto, vez que a Revista Época volta a se apoiar em denúncias levantadas há anos e que foram consideradas falsas, depois de ampla investigação por uma CPI do Senado Federal.

Ao contrário do que afirma a Revista, a ANP não se exime de fiscalizar ou tolera irregularidades no mercado de combustíveis. A prova maior disso é a qualidade dos combustíveis brasileiros, que estão de acordo com os melhores padrões mundiais. Qualidade resultante do rígido controle exercido pela ANP, o qual envolve operações regulares de fiscalização realizadas em coordenação com o Ministério Público, órgãos estaduais e municipais.

Quanto à acusação de aparelhamento político, a Revista Época ignora que o quadro permanente de servidores da ANP só foi constituído na atual administração, por meio de dois concursos públicos que permitiram a contratação de mais de 650 servidores, repita-se, todos concursados. São profissionais capacitados, que servem à sociedade com dedicação e correção, não sendo merecedores do tratamento ofensivo que lhes foi dispensado pela Revista.

26 de junho de 2011

JUIZ PISOU NA BOLA

Não pense que eu falo aqui de árbitro de futebol (isso mesmo) que não deve ser confundido com juiz. São duas coisas diferentes, apesar de sabermos que um, dentro do campo, tem mais poder que o outro (fora).

A notícia tomou conta do país. "A corregedora do Tribunal de Justiça de Goiás, desembargadora Beatriz Figueiredo Franco, “tornou sem efeito” nesta terça-feira (21) a decisão do juiz da 1ª Vara de Fazenda Pública de Goiânia Jeronymo Pedro Villas Boas, que anulou o contrato de união estável firmado por casal homosexual."

Pense numa confusão grande... e veja nos endereços que podem ser acessados a partir daqui: http://eptv.globo.com/noticias/NOT,0,0,355159,Desembargador+torna+sem+efeito+anulacao+de+casal.aspx

Não me intrometo neste assunto por me entender incompetente para tal. Fiquei feliz da vida quando Paizinha, gay, lésbica, homo... o que você quiser chamar... me convidou pra ser padrinho de seu casamento com Normana... sua companheira com quem vive amorosamente há quase 20 anos.

E daí? O que eu tenho a ver com isso? Ôxe! Paizinha e Normana formam um casal (e cá pra nós!) dos mais longevos que conheço. Qual o problema de botarem no papel que há 18 ou 19 anos elas vivem juntas e dividem, além do afeto - que o Estado não pode regular -, questões comezinhas como reforma de uma casa, levantamento de paredes, pinturas e ajustes outros de construção de um espaço de lazer, melhoramento de uma área ou outra na casa que dividem desde este tempo todo...

A pergunta é: quem sou eu pra dizer que elas não têm uma vida em comum e não devem ter o direito de dividir em comum a sua vida e suas materialidades? Alto lá! Vamos e venhamos, mas o que se discute mesmo é a propriedade...

Que o amor seja live e a propriedade regulada como sempre... mas pelo menos não sejamos nós os caudatários de uma regulação que restrinja o direito geral que temos aos que não têm a mesma orientação sexual que nós. Ora!

Paciência!

12 de junho de 2011

TRÊS TUITADAS SOBRE NAMOROS E NAMORADOS/AS

Quadrinha antiga: "O inverno é rigoroso /Já dizia minha avó/ Quem dorme junto tem frio/ Quanto mais quem dorme só!" rsrs

O calor me fez suar/No meio da madrugada/Imaginei que uma chuva/Era ali anunciada/E a manhã fria convida/Pros braços da namorada.

Se eu fosse Patativa/Abriria a madrugada/Viveria só cantando/E não faria mais nada/A não ser grudar no bico/D'uma Patativa amada.


11 de maio de 2011

A GREVE É GRAVE


Breves comentários sobre transigência e fortaleza.

Sabemos e não esperamos acontecer. Nós fazemos a hora!

De certo modo, talvez tenha sido esta a leitura feita pela imensa maioria dos docentes da UEPB na Assembleia Geral de ontem, 10 de maio de 2011, no auditório de Psicologia/CCBS, cinco dias após a decisão de suspensão das atividades por tempo indeterminado. Lembro que já havia acontecido um dia de paralisação antes.
Em 23 anos de atividade docente, mais seis e meio como estudante-trabalhador, confesso que perdi a conta de quantas greves fizemos em defesa desta Universidade. Por cinco dias, incluindo o final de semana, os professores da UEPB ficaram sem ministrar aulas ou desenvolver outras atividades inerentes ao seu ofício. Desta vez, por conta de minhas responsabilidades administrativas, trabalhei tanto quanto, menos aulas, pois não precisei ir a nenhuma entre quinta passada e ontem.
Todos os movimentos paredistas na UEPB ao longo das últimas duas décadas tiveram a sabedoria de começar e terminar na hora certa. Com diversos governos tivemos diálogos inócuos, fomos vítimas de enrolações vergonhosas, compromissos descumpridos e até momentos sem diálogo algum. Já precisamos chegar às últimas conseqüências numa greve, pondo em risco as vidas de companheiros/as, na tentativa de forçar abertura de diálogo.
Por outro lado, também já fizemos muitos bons acordos, negociações, ajustes, concertações que repercutiram no seio da instituição de forma positiva e a tornaram o que ela é hoje. Nunca, nenhuma das conquistas aconteceu em torno de sorrisos, reverências, afagos, salamaleques ou bajulações. Sempre foi o combate que nos levou às vitórias. Essa sempre foi a marca de sabedoria coletiva destes movimentos na UEPB.
Combinando a tentativa de diálogo, a oferta de alternativas com pressão política e um forte pacto com a sociedade (que alguns chamam de opinião pública) conseguimos vitórias marcantes. Não foram poucas as vezes também que recuamos, tivemos insucessos temporários e recolhemos “as armas”, fortalecemos nossas convicções e voltamos à baila com mais vigor, mais convencimento, mais união e retomamos o papel de vanguarda.
Todavia, pela primeira vez nestes anos todos, a direção do movimento ameaçou tomar outro rumo. Um rumo de aventura inconseqüente que poderia nos levar a uma derrota política e a um relativo descrédito perante o povo que sustenta a instituição. Uma tática confusa, parecida com a de um time desesperado que é somente ataque, sem meio campo ou defesa, muito menos goleiro.
Ontem o movimento docente arrumou sua tática, reorganizou suas ideias e demonstrou ao povo da Paraíba, e ao governo, que está oferecendo crédito, que se dispõe ao diálogo, que acredita e espera que o governo cumpra com seus compromissos, que não recua em suas conquistas, que esta Universidade é da Paraíba e que, acima de tudo, a sua defesa é tarefa de todos.
A UEPB galgou em seis anos uma posição de destaque no cenário regional e mesmo nacional. De uma instituição acanhada, pejorativamente tratada mesmo por seus alunos, de um patrimônio que sempre foi mais promessa que realização, ela transformou-se em orgulho dos paraibanos.
A UEPB precisava dar “um salto para chegar à sua época, para atingir os desafios do seu tempo” e o fez, incrivelmente, antes da Paraíba. A visão de futuro, o desprendimento, a noção exata da importância de certas conquistas, deram à sua comunidade uma das mais importantes conquistas, a autonomia financeira. Em termos históricos, afirmo sem receio que esta conquista está em pé de igualdade com sua fundação em 1966, sua estadualização em 1987, e seu reconhecimento em 1996.
A Autonomia - em geral - é condição fundante do ente Universidade. Porém, não há autonomia universitária per se. O texto constitucional brasileiro em seu artigo 207 afirma que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial (...)”. Esta autonomia somente poderá ser praticada com a com a garantia material de seu exercício. A garantia efetiva somente pode ser exercida por meio da autonomia financeira. Entenda-se, autonomia financeira é um meio e não um fim em si. Complementarmente, os mecanismos democráticos de participação colegiada, decisão e o controle social são mecanismos que, para além dos órgãos formais de controle, podem dar à Universidade moderna, essencialmente à Universidade Pública, um novo feitio, sintonizado com o seu tempo e cumprindo o seu papel de dar sempre o passo adiante no rumo do desenvolvimento social.
E o que tem a greve da UEPB a ver com isso? O discurso de defesa da autonomia não pode ser confundido com cantilena nem banalizado em meio a outras bandeiras sazonais. A autonomia financeira desta instituição é, a meu ver, a maior e mais importante conquista de sua história recente. Da mesma forma que ela não pode retroceder em relação à sua fundação, à estadualização – publicização -, ao reconhecimento... não pode retroceder um passo em relação à autonomia financeira.
A pujança observada na Universidade da Paraíba hoje, sem necessidade de lente de aumento, o vínculo social construído e solidificado ao longo de mais de quatro décadas, o seu entranhamento no tecido social das várias camadas que compõem este mosaico chamado de povo paraibano, dão à UEPB uma característica, de fato, de patrimônio social, de riqueza, a ser cuidadosamente zelada, protegida e, se preciso for, a ferro e fogo, das vontades e humores temporários.
A Universidade nasceu para ser farol. Um farol que lança luz, mas não faz sombra a ninguém. Ninguém individualmente é maior que a Universidade. Nenhum grupo ou força política pode se arvorar em ser dono/a do seu destino. Seu desiderato é ser de fato, luz para terra e para os homens.
É esta Universidade que está saindo fortalecida de uma batalha. Sai fortalecida e pronta para outra. O povo da Paraíba tem a noção exata de sua importância e, como sempre, saberá defendê-la de quaisquer intempéries políticas que pairem sobre ela.
A vida nos há de oferecer muitas boas oportunidades de demonstrá-lo!
Não descuidemos!

8 de maio de 2011

MÃES SÃO SERES MUITO ESPECIAIS

mãe
mãe mãe
mãe mãe mãe
mãe mãe mãe mãe

mami
mami mami
mami mami mami
mami mami mami mami

mama
mama mama
mama mama mama
mama mama mama mama

manhê
manhê manhê
manhê manhê manhê
manhê manhê manhê manhê

  mainha
mainha mainha
mainha mainha mainha
mainha mainha mainha mainha

mamãe
mamãe mamãe
mamãe mamãe mamãe
mamãe mamãe mamãe mamãe

mamica
mamica mamica
mamica mamica mamica
mamica mamica mamica mamica

mãezinha
mãezinha mãezinha
mãezinha mãezinha mãezinha
mãezinha mãezinha mãezinha mãezinha

mamãezinha
mamãezinha mamãezinha
mamãezinha mamãezinha mamãezinha
mamãezinha mamãezinha mamãezinha mamãezinha

Não importa como você a chama.
Importa como você a trata.
Importa como você a carrega.
Importa como você a representa.
Importa como você a referencia.
Importa o quanto ela seja grande dentro de você.

As mães são seres muito especiais, pois não se realizam por si mesmas, mas através de sua obra.
Façamos por onde merecê-las!

*A Dona Neide rendo todas as minhas homenagens. Em seu nome a todas as mães que, se fossem apenas mães, já seriam muito. Não se contentando com este "apenas", ainda são muito mais. 

5 de maio de 2011

A GREVE NA UEPB E POSIÇÃO DO GOVERNO*

Governador se reúne com reitora da UEPB e reafirma compromisso
Quinta-feira, 05 de maio de 2011 - 00h20
O governador Ricardo Coutinho recebeu na noite desta quarta-feira (4),  no Palácio da Redenção, a reitoria da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Marlene Alves, e reafirmou o compromisso com a autonomia da instituição com base na Lei Estadual nº 7643/2004.

Em reunião, que durou quase quatro horas, o Governo do Estado se comprometeu a efetuar o pagamento da parcela do duodécimo referente ao mês de dezembro do ano passado, que deveria ter sido paga pela gestão anterior. Ricardo Coutinho garantiu que o Governo irá recalcular o duodécimo para incluir o repasse que não efetivado em 2010.


“Nós respeitamos e defendemos a autonomia da UEPB, que é a universidade da Paraíba e patrimônio da nossa terra. Nosso compromisso com a UEPB é verdadeiro, prova disso é que  vamos corrigir a falha deixada porque, para nós, o que importa é o crescimento da instituição, e não as questões de ordem política”, frisou o governador, que  reafirmou ainda o compromisso com a UEPB, sob forma de parcerias e investimentos.


A reitora da UEPB, Marlene Alves, avaliou de forma positiva o encontro, principalmente pelo fato do governador reconhecer a autonomia da UEPB e garantir que vai realizar o repasse da parcela que deixou de ser efetivada em dezembro de 2010 e que acabou quebrando a ordem financeira da instituição.


Marlene ressaltou que se reunirá com os representantes dos professores e dos técnicos administrativos e falará sobre a importância dessa garantia da autonomia e do compromisso do governador em construir parcerias para o fortalecimento da instituição.


“Temos compreensão do momento de dificuldades financeiras que passa o Estado e também as dificuldade de ordem legais, como a LRF. Mas, assim como os demais poderes do Estado vamos continuar contribuindo, pois temos garantida a nossa autonomia que é o nosso maior bem, porque é algo que toda a universidade brasileira deseja”, completou.


Participaram da reunião a reitora da UEPB, Marlene Alves, o vice-reitor, Aldo Maciel, o Pró-reitor de Planejamento, Rangel Júnior, além dos secretários de Administração, Gilberto Carneiro, Finanças, Aracilba Rocha e da Controladoria Geral do Estado, Luzemar Martins.



Pulbicado originalmente em www.paraiba.pb.gov.br

30 de abril de 2011

O FIM DO FORRÓ - Braulio Tavares



O ayapaneco, língua falada no México há muitos séculos, está ameaçada de sumir.  Só restam dois índios que a falam com fluência.  Um tem 75 anos, o outro tem 69, mas os dois são “intrigados”. Não se falam há muito tempo, e com isso o ayapaneco está em vias de extinção.  Algo parecido está ocorrendo com o forró nordestino.  Já foi a música mais tocada no país, no tempo de “Asa Branca”.  Agora, está sendo suplantada por outros tipos de música que espertamente lhe tomaram o nome, invadiram seu território, colonizaram seu público.  Se os falantes do forró não começarem a conversar e a tomar providências juntos, essa idioma musical deixará de existir.  Ou melhor, haverá no Brasil inteiro uma coisa chamada “forró” atraindo dezenas de milhares de jovens para as festas.  Mas – nomes à parte – aquele tipo de música não existirá mais.



O forró está sendo esmagado pelo chamado “forró de plástico”, que é uma musiquinha alegre, sacudida, boa de dançar, com letras bobas ou ruins com-força. É uma variedade da lambada; recorre ao palavrão e a dançarinas seminuas, o que em princípio não é pecado, a não ser quando se torna (como é o caso) uma receita obrigatória e a principal atração.  É duro assistir um show de uma hora onde a melhor coisa do show são as pernas das dançarinas, e as frases que fazem vibrar a platéia são apenas as que dizem palavrões (em geral insultando parte da platéia).  Uma ou duas músicas assim...  Vá lá que seja.  O show inteiro?  Quem ouve isso, e gosta, merece o que está escutando.


Além disso, o forró de plástico recorre a práticas que corroem há tempos nosso mercado musical.  A primeira é o jabá (suborno de radialistas e de diretores de rádios), que tem dois tipos: o “jabá pra tocar minha música” e o “jabá pra não tocar de jeito nenhum a música de Fulano e Sicrano”.  Ganhar concessões de rádios e usá-las para divulgar as próprias músicas é uma versão legalizada desse processo, mas é legal somente porque os critérios para concessões de rádios e TV no Brasil são uma calamidade. A grande imprensa combate, como se fosse o fim do mundo, a cópia não-autorizada de CDs ou o download gratuito de músicas. Por que não fala nos critérios de concessão de rádios e TVs, que são uma catástrofe ainda pior para o país?


O forró de plástico está criando a monocultura da produção de uma coisa única, repetida, uniforme.  Monocultura é o contrário de cultura.  Cultura é o reino da diversidade, das manifestações livres dos indivíduos e dos pequenos grupos.  A monocultura é uma imposição de-cima-para-baixo, feita por um grupo que fabrica e vende uma música igual até que o povo não suporte mais a música igual mas não saiba mais como fazer a música diferente, e com isso as duas morrerão juntas.  O forró de plástico destrói o forró e destruirá a si mesmo no futuro. Sua repetitividade e mau gosto esgotam em seu próprio público o prazer e o significado de ouvir música.

OBS.: Mesmo não concordando em 100% com as opiniões expostas, Braulio Tavares faz uma excelente reflexão e acertadas provocações acerca do tema que está tão em voga na Paraíba. Quer dizer, a polêmica.

1 de abril de 2011

PRIMEIRO DE ABRIL

Fossem 364 dias "da verdade" e 1, umzinho, apenas um, "da mentira", eu acharia mais bacana.

Problema grande tem quem quiser se aventurar a refletir sobre verdades e mentiras em nosso meio social. Estará fadado ao fracasso quem tentar definir critérios para validação de verdades.

Na verdade (ôps!), como dizem, cada um tem sua verdade! Ah, é? Mentira! Pura mentira!

Se a verdade está na vida real, nos fatos, nos fenômenos per si, como poderia estar nos indivíduos? Ou seja, a verdade é o que é ou o que eu quero que ela seja? O que eu quero que ela pareça ser? O que eu acredito que ela seja?

Imagine o que se passa na cabeça do sujeito que afirma: "a verdade é que..." Ora, qual verdade, cara pálida? A sua verdade, claro.

Creio que a questão essencial é não confundir verdade com certeza. Minhas verdades são tal conjunto de coisas, ideias, conceitos... que "valorizo", ou aquilo em que acredito. Minhas certezas são aquilo que me dão a ilusão de que essas certezas são verdades universais. Complicado? Bem, penso que é o que eu acredito ser verdade que se torna verdade.

Discutir verdade e mentira no campo moral é um problema. Problemão. Afinal, quem nunca mentiu que atire a primeira pedra... ou quem nunca acreditou numa mentira, idem! A coisa não é tão simples assim. Fico matutando sobre a forma com que algumas pessoas mentem e acreditam de tal modo em suas mentiras, criam tal imagem mentirosa das coisas, dos fatos e de si que fica difícil (o outro, eu) acreditar que aquela mentira que o indivíduo diz de si, e que tanto acredita ser verdade, não seja de fato uma verdade. Ou seja, corresponde ao que de fato aconteceu, existe, é.

Há uma linha tênue e difícil de ser identificada entre a verdade e a mentira. Vivemos na sociedade da mentira e não da verdade. Uma mercadoria não basta ser boa, mas precisa parecer ser boa para que convença o consumidor potencial de que merece ser adquirida. A uma pessoa, da mesma forma, não basta ser virtuosa, precisa parecer virtuosa, ou, podemos dizer, verdadeira. Lembra da história da mulher de César? Pois bem! Na nossa sociedade não basta que algo seja verdadeiro, mas tem que parecer verdadeiro. Aliás, tem se transformado em regra que mais importante que ser é parecer ser. Desculpe os trocadilhos e cacofonias. Ou seriam "cacofo-nóias"?

Agora estamos diante de um novo problema. Lembro de uma anedota (que palavra mais antiquada!) preconceituosa, como sempre, que falava que ainda no medievo os ingleses criaram um 11º mandamento. "Não sê descoberto!". Dito de outro modo: "deves tu cumprir os 10 mandamentos, porém, caso isto não ocorra há um 11º pra te salvar". O pior de tudo vem agora. Conheço gente que só se preocupa com este suposto 11º mandamento.

Entre tantos conflitos, continuo acreditando que minhas verdades estão postas à prova sempre e a todo momento. Minha certezas? Ah, estas não resistem ao minuto seguinte, pois desenvolvi uma capacidade enorme de mudar de opinião, desde que alguém (ou a vida) me convença disto. Aprendi que quem tem ideia fixa, gostando ou não, termina muito bem enquadrado/a no CID-10.

Olhos abertos, portanto, e ouvidos atentos ao que acontece à sua volta. Nem tudo que você vê é o que é. Acredite mais no que você sente. Aí, de fato, residem muitas verdades.
Olhando com atenção você verá um meio arco-íris saindo próximo à linha do segundo poste lá no final da rua Neusa Borborema, residência de Paulinho e Socorro Barbosa. Quem viu primeiro e me indicou pra registro foi Célia Regina. Clique na foto para ampliar e só assim ele aparece.
Procuro um arco-íris completo e quase perfeito pra postar aqui e mudar alguns conceitos deste blog. Não que eu vá deixar de ser caçador, mas este espaço passará por mudanças. Tudo que já foi continua sendo, mas o que virá deve refletir o perfil do seu criador. Se não, não seria eu.
Aguarde!

13 de março de 2011

MARIA DE TODAS AS CORES

Merece estar na primeira página. É de Débhora Melo.

"Sai da alcova sem aroma de açúcar ou afeto,
e anuncia em pranto de alívio,
que vem se acolher nas amarrotadas
e ásperas asas da vida.
Sem esmolas ou escudo
Desce de encontro ao mundo,
E vai errante
Ecoando o enredo de desesperança
Que esculpe apenas espinhos
Na enfadonha escassez.

Ingratos dias,
de roupa no tanque,
sol nas costas e ironia,
que só se ignora
quando a paixão inflama e incendeia,
e o beijo escorre o corpo,
irreal e imenso,
compensando o inferno da ilha.
Dos olhos marcados
vaza um oceano de dor
que cai sobre os ombros
em duro desencanto e declara
outono.
Mas não se entrega,
porque é mulher, mãe Maria...
de todas as cores,
de sol, de dia,
de noite e trevas,
de amores e desamores Maria...

Maria é todas e única,
Maria andarilha,
seus pés deixam pegadas na terra
e filhos na vida,
e seu sangue pulsa,
pulsa e impulsa
nossa luta Maria."

9 de março de 2011

MÃES, MARIAS, MULHERES


Ao longo da minha vida conheci muitas mulheres legais. Muitas!
Algumas passaram de passagem, outras se demoraram mais, seja na presença ou na lembrança.
Outras deixaram apenas marcas na passagem. Algumas, muito especiais, deixaram marcas profundas em forma de ensinamento, lições de vida ou pura e simplesmente em forma de sentimento.
Seria uma brutal sacanagem tentar fazer uma lista de mulheres importantes na minha vida, como sugeria o compositor sobre os grandes amigos. Não que a canção seja isto, uma sacanagem, mas da forma como ela propõe, uma lista seria fatalmente o cometimento de injustiças. Gosto de correr riscos!
Três mulheres, todas professoras, marcam minha trajetória de educador pelo exemplo e humanidade que carregam por dentro. Coincidentemente, três Marias: uma delas, muito tempo atrás, uma há mais de uma década e outra na atualidade. Uma me orientou entre a 5ª e 8ª séries, outra no mestrado e outra me orienta no doutorado. Maria José, Maria Susana e Maria Luiza. Separadas pelo tempo, em muito se parecem pela dedicação à causa da educação e jeito de lidar com o desconhecido, o novo e a nossa ignorância geral.
No mais, outras mulheres que eu acompanhei/acompanho e que merecem destaque por sua capacidade de luta, coragem e pela presença marcante em minha vida não caberiam numa lauda. Porém, vou arriscar destacar três.
A companheira Marlene Alves, reitora da UEPB, que acompanho há quase 20 anos e aprendi a admirar pela sua tenacidade, vontade de mudar o mundo e capacidade de luta, mesmo em meio ao quase caos que é gerir parte tão importante da máquina estatal neste país.
Uma jovem senhora que tem marcado profundamente meus dias nos últimos 7 anos e que carrega em seu ventre, para além da possibilidade de minha continuação genética, a oportunidade de dividir comigo a educação de um ser humano para o bem, na tentativa de melhorar a humanidade. Atende pelo nome, porque escolheu, de Camilla Rangel.
Por fim, deixei para o final por ser a mais importante delas, uma senhora chamada de Dona Neide. Mais uma Maria. Esta a mais nobre das mulheres com quem pude conviver. Viúva aos 39 anos, bancou a educação de 7 filhos com idades de 02 aos 16 anos. À custa de sacrifícios, dentre eles o principal, a própria saúde, deu conta de criar e encaminhar para o mundo os filhos que nele havia posto. Assumiu com honra e galhardia sua missão e pôs, como ela mesma dizia, a sua cruz nos ombros e a carregou até o último dia de vida sem se curvar ou vociferar contra a humanidade ou a própria sorte.
Dona Neide sonhava com a felicidade dos filhos, sua realização, e uma morte sem sofrimento. Dizia que seria o seu presente, “morrer como um passarinho”. A vida não lhe deu o presente desejado, mas a poupou de maiores sofrimentos quando chegada sua hora. Descansa seu corpo inerte, ou o que dele restou, à sombra de uma ingazeira, na entrada do Cemitério de Juazeirinho.
Hei de viver muito ainda pra lembrar quase diariamente de ao menos uma de suas tiradas inspiradas e suas máximas proverbiais. Velhinha cheirosa e cheia de sabedoria, que não deixava de se emocionar pelo simples fato de voltar pra casa após alguns dias de estaleiro no hospital.
É pra ela que rendo minhas homenagens no Dia Internacional da Mulher. Está mais que viva dentro de mim!
É em seu nome que homenageio a todas as bravas mulheres do mundo.



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1 de fevereiro de 2011

É PRESIDENTA, SIM!


DEPOIS DE BREVE POLÊMICA, EIS QUE AS LUZES SE ACENDEM!
Fantástico texto de Marcos Bagno. Conhecimento e comprometimento!

"O Brasil ainda está longe da feminização da lín-gua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada.

Se uma mulher e seu cachorro estão atraves-sando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.

Somente no século 20 as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. 

Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.

Agora que temos uma mulher na Presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.

Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na Presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?

Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples – e no lugar de um –a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública."

Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília.