26 de setembro de 2011

SER OU NÃO SER UNIVERSITÁRIO/A?*


Caro/a estudante! Você começa hoje um curso superior numa universidade pública. E o que isso muda, afinal? E o que isso muda em sua vida? Você continua sendo o que era antes, um/a estudante. Afinal, qual a diferença mesmo entre ser estudante de ensino médio e ser estudante universitário/a?

Ser universitário//a é uma questão de atitude. Isso mesmo: a maior diferença está na atitude.
Se você chegou aqui cheio/a de expectativas, sonhos, planos, esperanças de mudanças e um otimismo à prova de terremotos, pois se prepare porque será testado/a cotidianamente daqui por diante. Testado/a no sentido de provar pra si mesmo/a que é capaz de fazer algo por si e para si e que sabe exatamente o que quer pra sua vida.

E como isso é possível se você acaba de passar em um vestibular e está apenas começando um curso superior? Eis a questão: a mudança começa agora!

Se no ensino fundamental e médio você era alguém que confiava em 100% no/a professor/a, que esperava em quase 100% pelo que ele/ela trouxesse para sala de aula, que exercitava cotidianamente os ensinamentos do/a professor/a na esperança de memorizar, aprender macetes, desenvolver habilidades para passar no vestibular, ao menos uma coisa é certa, algo funcionou, pois você está aqui.

Não que você não deva confiar em seus/suas professores/as. Não que você não aceite ser orientado/a ou guiado/a pelos/as seus/suas professores/as, não que você não precise estudar cotidianamente... Nada disso! Você terá sempre que memorizar algumas coisas, desenvolver muitas habilidades, aguçar sua curiosidade, preparar-se para avaliações, provar que aprendeu.

A grande diferença está em que, a partir de agora, você será mais responsável pelo seu aprendizado do que o professor. Isso porque quem esperar sempre pelo/a professor/a sairá daqui como um/a profissional mediano/a ou mesmo medíocre. Quem acreditar que o/a professor/a sabe de tudo e que irá lhe ensinar esse tudo está profundamente enganado/a. Quem olhar para o/a professor/a e vê-lo/a como uma fonte de sabedoria, um verdadeiro oráculo pronto a dar-lhe respostas pra tudo irá se decepcionar e, por conseqüência, descobrirá que a Universidade não era aquilo que tanto sonhava.
Eis meus caros alunos e alunas algumas sugestões a partir do que aprendi com minha experiência. Você precisa acima de tudo se tornar o/a maior responsável pela sua formação. 

Seu/sua professor/a será mais facilitador/a do seu aprendizado que um/a ‘ensinador/a’ de coisas. Será mais um/a orientador/a sobre os caminhos que você deve percorrer em busca do conhecimento ao invés de um/a sabe-tudo com respostas prontas que facilitarão sua vida. 

Mais que dar respostas prontas, seus/suas professores/as deverão lhes ensinar a fazer as perguntas e procurar as respostas.

Daqui em diante você precisará ser mais dono/a do seu nariz. Você precisará ler os textos indicados pelo/a professor/a, pesquisar a bibliografia recomendada, dar conta de participar dos debates, seminários, avaliações, mas não é somente isto. Você estará no comando. É disto que você precisa ter consciência. A mudança acontecerá se você mudar.

Prepare-se para esta mudança que é, essencialmente, de atitude. Aproveite os anos de estudo na Universidade, pois eles não voltarão e mesmo que você faça outro curso superior, depois já não será a mesma coisa.

Não há incompatibilidade entre ser jovem, vivenciar todas as oportunidades oferecidas aos jovens e ser universitário. Não há contradição alguma entre participar de quase tudo que a vida oferecer, curtir ao máximo esta fase tão marcante da vida, namorar bastante, se divertir com os novos amigos e, ao mesmo tempo, fazer da experiência universitária uma grande oportunidade. Oportunidade para crescer, aprender muito, preparar-se para o mundo do trabalho, estabelecer novas e boas relações, participar ativamente da vida universitária e aprender um novo modo de fazer política, realizar uma fantástica viagem pelo mundo do conhecimento e daqui a alguns anos se tornar um/a profissional diferenciado/a.

A grande diferença estará na mudança de atitude que você conseguir imprimir à sua vida.

Você terá pela frente talvez o maior desafio que já enfrentou até agora. Talvez maior que a própria tentativa de ingressar na Universidade. O desafio não é concluir um curso superior, mas se tornar uma pessoa com novos conhecimentos, competências e habilidades. Mais que isso, o maior desafio é se tornar uma pessoa melhor, mais madura, mais aberta pro mundo, mais capaz de se autodeterminar e tomar conta do próprio destino, edificá-lo.

E mais: você não pode esquecer que o povo paraibano financiará a sua formação superior. Tenha sempre consciência deste fato.

Isto é SER universitário/a! Se você conseguir dar conta disto, daqui a alguns anos sairá da UEPB com marcas e memórias inesquecíveis de um tempo maravilhoso e, além de ser uma pessoa mais experiente e com boas histórias pra contar, terá vivido alguns dos melhores anos de sua vida. Desejo-lhe uma boa viagem!

* Republicado com revisão.

Um comentário:

Leonardo Santos disse...

Ao ler esse texto, acabei respondendo muitas perguntas que ainda perpassavam na minha mente sobre essa 'mudança' e é interessante como a atitude é o que realmente tem diferenciado os universitários na faculdade, pois muitos ainda se dão ao desfrute de só receber, e concordo no sentido de que, após entrar tudo se torna uma troca pois é o momento de dar um retorno e ao mesmo tempo um crescimento a nossa sociedade paraibana que tanto gosto!