13 de março de 2011

MARIA DE TODAS AS CORES

Merece estar na primeira página. É de Débhora Melo.

"Sai da alcova sem aroma de açúcar ou afeto,
e anuncia em pranto de alívio,
que vem se acolher nas amarrotadas
e ásperas asas da vida.
Sem esmolas ou escudo
Desce de encontro ao mundo,
E vai errante
Ecoando o enredo de desesperança
Que esculpe apenas espinhos
Na enfadonha escassez.

Ingratos dias,
de roupa no tanque,
sol nas costas e ironia,
que só se ignora
quando a paixão inflama e incendeia,
e o beijo escorre o corpo,
irreal e imenso,
compensando o inferno da ilha.
Dos olhos marcados
vaza um oceano de dor
que cai sobre os ombros
em duro desencanto e declara
outono.
Mas não se entrega,
porque é mulher, mãe Maria...
de todas as cores,
de sol, de dia,
de noite e trevas,
de amores e desamores Maria...

Maria é todas e única,
Maria andarilha,
seus pés deixam pegadas na terra
e filhos na vida,
e seu sangue pulsa,
pulsa e impulsa
nossa luta Maria."

3 comentários:

Débhora Melo disse...

Rangel !

Agora fiquei emocionada, obrigada.

Um abraço fraterno.

Débhora Melo.

ALFRAPOEMAS disse...

Parabéns pela postagem, Cantador! Eu não sabia da grandeza poética da Debhora Melo.
Parabéns mesmo, Poetisa! As "Marias" estão lisonjeadas e orgulhosas de você!

Alfrânio.

tanemensi disse...

Amei o poema, maravilhosa iniciativa voce ter postado.
Muito bonito, muito lindo e emocionante
Este poema homenageia toda mulher de valor
Tania