8 de abril de 2009

O OVO REDIMIDO

Algumas notícias me causam estranheza, às vezes por certo ar de coisa 'requentada', outras apenas pelo fato de causar. Dentre estas últimas tem algo que sempre me surpreende que é uma matéria condenando este ou aquele alimento e, por tabela, condenando à morte todo ser humano que faz uso frequente do dito cujo. Dentre esses tantos eu lembro agora da carne vermelha, do açúcar, das massas, dos doces todos, do leite, do chocolate... e uma lista enorme que não vou fazer esforço algum pra lembrar. Só por desinteresse mesmo. Mas o foco do meu interesse aqui você já viu no título deste post: o ovo! Ele mesmo! Em seu livro (o único que conheço) Duda Mendonça afirma que o ovo da galinha fez mais sucesso que o da pata (que a sabedoria popular diz ser melhor e mais forte [?]) e ganhou fama porque a galinha faz propaganda tão logo termina de botar o seu ovo. Ouvi, vi e li durante alguns anos uma enorme quantidade de matérias jornalísticas (científicas ou não) desancando o pobre ovo. Fiquei tão influenciado que, apesar de gostar de ovo frito, com cuscuz, com pão, com arroz, com farinha e tudo o mais. E a velha e saudosa cabeça-de-galo? E aquele ovinho de codorna cozido acompanhado de algum precioso líquido que os que gorjeiam não bebem? Há alguns dias pipocaram manchetes em todos os lugares e eu li, ouvi e vi nas TVs que o ovo estava sendo absolvido, ou melhor, estavam retirando as acusações por infartos, aterosclerose e outros danos cardiovasculares. Descobriram que um ovo por dia não faz mal algum e que a quantidade de colesterol nele contida é insignificante para o alarde que faziam e as acusações que lhe imputavam. Resumo da ópera: com uma criação de galinhas que entre adultas, filhotes pequeninos e médios já passa dos 25 habitantes, dá um gostinho legal recolher ovos sempre e comê-los sem culpa. Eu diria que nem como ovos de galinha de capoeira, mas literalmente 'do quintal'. Já sou quase um granjeiro. Ovo é o que não falta. E agora depois de sua redenção nem se fala. Tem mais comida nessa lista e depois comento.

2 comentários:

paulo disse...

Caro amigo
lembro-me sempre de um slogan na greve estudantil de 1977, vindo dos anarquistas da grande passeata dos cem mil, de 1966: "O ovo, frito, jamais será cozido", em ritmo com "O povo, unido, jamais será vencido". Depois, quando vim para os EUA, pela primeira vez em 1988, no dia em que cheguei li no NYTimes que ovo fazia mal. Em 1993, quando me mudei de volta para o Brasil, a notícia lida no mesmo jornal no dia em que me mandei dizia que nada, que ovo é bom. Inda bem que não acredito em jornal. Ovo, aqui em casa todo mundo gosta. Se for de quintal, então, ixe! Quer dizer que já são 25 poedeiras? Há algum garnizé que mantenha as ditas ocupadas?

Anônimo disse...

Amigo, há apenas um (como manda o figurino) pra cantar aqui neste terreiro. Mas eu, como bom raposeiro, ainda prefiro o garnizé na panela, dormido e cozido na cerveja... e para acompanhar, você já sabe...