8 de novembro de 2006

FORMIGAS... ESTOU COM RAIVA DELAS!

Definitivamente... estou com raiva das formigas. Elas existem aos milhões, já foram estrela de cinema, mas fazem questão de nos lembrar sempre de sua existência. Só no Brasil as denominações para suas variedades devem somar algumas dezenas ou bem mais. Alguns dizem até que formigas e ervas daninhas são como a consciência, aqui ou ali somem um pouco, mas depois voltam sempre. Ocupam o seu lugar pra nos dizerem, estou aqui! Eu bem que não deveria reclamar pelo tanto que me fartei de tanajuras nos tempos de menino. "Cai, cai, tanajura / que é tempo de gordura...!" Alguém aí já cantou esse pregão popular? Não entendia muito bem a relação da chegada das tanajuras com a meteorologia e as estações do ano. Em Juazeirinho esses assuntos de outono, primavera, verão e inverno não passavam de fantasia literária e formalidade dos livros de geografia, pois ali só existiam duas estações: quando chovia e quando estava seco. Pronto! Simples assim! Entretanto, numa determinada época do ano, me parece que logo depois das primeiras chuvas, alguém dava o sinal, "chegou a tanajura!", e era aquele corre-corre. Meninos com latinhas na mão, outros pegando as coitadinhas, retirando a parte que interessava, a bunda, e comendo logo, outros juntando em saquinhos pra levar pra casa. E os cururus fazendo sua festa. Pareciam que iriam estourar. Segundo o amigo Eduardo, doutor em entomologia, aquela parte a que chamamos bunda (e não poderia ter outro nome melhor) é uma fortuna em proteínas. Era uma festa! Tinha meninos, inclusive, que comiam a tanajura inteira, retirando somente a cabeça com os ferrões. Se fosse frita na manteiga, espalhada numa farofa, até que dava pra descer com tudo, mas crua era barra. Tinha que ser muito destemido ou ter estômago de tamanduá. Alguns o faziam com a maior naturalidade. Eu, hein! Somente sei que fazíamos uma farra danada. Tudo bem, mas desde esse tempo e ele passado, nunca morri de amores por formigas. Até mesmo porque quando no meio de uma brincadeira num monturo qualquer ou mesmo numa caçada, dávamos de cara com um formigueiro da famosa formiga-preta (uma miudinha) o desmantelo era grande. Aquilo é coisa de louco. Na vida do citadino tornou-se algo comum a convivência com formigas. Elas estão por toda parte. Há as galeguinhas miúdas que adoram de açúcar a biscoitos e até mesmo (pasmem!) água e outras pretas que têm ferrão rápido e uma peçonha especialmente dolorosa. Existem também umas formigas comuns amareladas que estão em toda parte, mas não fedem nem cheiram, não incomodam muito. Tem também aquelas de asas que aparecem quando chove e outras amarelas graúdas, açucareiras, que vez por outra resolvem alugar um aparelho eletro-eletrônico e fazer dele sua morada até que o dono descubra o prejuízo. Meu conflito com as formigas não passou por nada disso. Depois de quatro dias fora de casa, chego no domingo à noite e sou chamado às pressas pr’uma inspeção, pois um grave problema havia ocorrido. Meu pé de acerola, ainda brotinho de uns 8O cm, foi vítima das roçadeiras. As famosas formigas-de-roça, fizeram a festa na minha ausência e quando cheguei ainda concluíam sua obra. Haviam comido noventa por cento das folhinhas mais tenras e cuidadosamente tratadas. Foram no topo, deixaram as folhas velhas e garantiram sua nutrição por um bom período com aquilo de mais pujante e renovador que existia na aceroleira. Quando vi o desastre elas ainda viajavam em filas confusas carregando o resultado de sua labuta e meu desgosto pro escuro dos seus formigueiros. Tudo bem, elas fizeram a sua parte, mas tinha que ser logo aqui? Logo com meu pé de acerola? Dona Neide me presenteou e há uns bons meses venho cuidando carinhosamente pra um mói de formigas chegarem assim, donas do ‘pedaço’ e mandarem ver na minha plantinha. Ah, não! A guerra foi declarada. Pisamos na fila de formigas, elas correram desesperadas, umas fugiram largando suas cargas, outras morreram ali mesmo sob nossos sapatos cansados de viagem, mas lutamos bravamente pra proteger nosso futuro arbusto, que bem poderá nos fornecer alguns dos melhores acompanhamentos pr’umas boas doses de cachaça com alguns amigos. Tudo bem e você pode até dizer que as formigas são importantes pro equilíbrio ecológico, que eu não deveria ter trucidado as bichinhas, que elas estavam no seu papel... ao que eu replico imediatamente: mas tinham que fazer o seu papel logo com minha acerolazinha? Definitivamente, acho que as formigas têm lá a sua importância no ecossistema, sua parte na cadeia e lugar no equilíbrio da natureza. Mas, dá licença, elas que vão comer a acerola de quem quiser. Elas que procurem... afinal, mato tem em todo canto, inclusive umas belas carrapateiras num monturo de cinco lotes rodeando minha casa. Por que escolher logo a minha? Não me conformo e pronto! Tenho dito!

7 comentários:

Aninha Santos disse...

HAHAHA coitadinhas das formigas. Opior que também tenho sofrido com elas. De qualquer modo o supense pré artigo inspirou uam viagenzinha fórmica que publiquei lá no meu blog.
Escreva depois sobre o resultado da acerolazinha, a bichinha...
Xêro pra tu.

Anônimo disse...

Agora todo mundo quer saber sobre a continuação dessa história...e torcendo para que o pezinho de acerola possa brotar com todo viço novamente!

Rangel Junior disse...

Vou postar uma foto na segunda-feira. Até lá não escrevo nada. Somente confidências ao "meu querido diário..."rsrsrsrs
Um buraco enorme se abriu no meio 'dos peito'. Güentaí, caba véi!! Êita!!!!!

Marco di Aurélio disse...

Peça pra Dona Neide que da próxima vez que oferecer um pé de acerola de presente, oferte dois, um para produzir, o outro para saciar as saúvas do mundo. Assim, nem você fica sem a safra, nem o ecosistema se sentirá ofendido.
Quando eu sou obrigado a comer num restaurante que tem muita mosca, sempre peço mais um pratinho. Oferta que faço, no canto da mesa, pra elas, as bichinhas, me deixarem em paz. Grande abraço, meu irmão.

Luiz Felipe Caetano disse...

ômi...

Assisti há um certo tempo.. num daqueles canais de documentário, Discovery Channel, National Geographic, sei lá, uma reportagem muito interessante sobre formigas...

VC SABIA QUE SE FORMOS PESAR TODAS AS FORMIGAS NO PLANETA, O PESO DELAS É IGUAL AO DOS SERES HUMANOS???

POIS É MEU VÉI, VAMO CUIDAR NOSSAS ACEROLAS POR QUE O QUE NAO FALTA É FORMIGA NO MUNDO!!!!

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obs 1
não lembro o nome do cidadao cientista que fez essa balança pra pesar formiga

obs 2
quem quiser ir lá no pantanal, no ano que vem eu já tô de volta naquelas bandas, faço questão de apresentar às tucandiras... as bixiga têm até veneno...sempre achei que fossem cruza de formiga e escorpiao... mas isso eu nao vi em canal de tv nenhum nao...

GRANDE ABRAÇO A TODOS (mas nao é de tamanduá)

Rangel Junior disse...

Rapaz, eu tô ficando é assustado pois elas voltaram. Deram-se mal porque, coincidentemente, eu estava em casa. Água em abundância e elas 'dançaram'.
Quando voltar, vamos aprender a cuidar de formigas.
Valeu!

Rangel Junior disse...

Meu poeta grande!
Você "me visitando" é uma honra do 'tamãe' do mundo.
Contra as formigas de roça só muita poesia.
Como a gente dizia antigamente lá em Juazeirinho, "você é um arrombado". Pense num elogio que num é pra qualquer um...