8 de dezembro de 2008

ÁRVORES DE NATAL

A lógica é a escadinha, que representa a idade e temos da esquerda para a direita Zé Neto, Gilberto, eu e Marcos. O ano? Provavelmente 1967 ou 1968. Cabeleiras cuidadosamente raspadas por "seo" Pretinho, que caprichava no talco Cinta Azul e na maquineta movida à mão e que, quando estava meio cega, dava um monte de beliscões nos nossos cabelos.
Mas este post não é pra falar dos retratados e sim da árvore de Natal.
Lá por volta do dia 15 a 20 de novembro, Papai fazia uma busca em alguns dos sítios das redondezas de Juazeirinho e escolhia uma catingueira que estivesse no ponto, já em forma de arbusto, mas sem ser muito grande. Depois de devidamente podada em seus galhos mais tenros secava por uns dias e Titia (Beatriz) dava o trato final com esmalte sintético prateado. A árvore estava pronta para ser montada e devidamente 'enterrada' numa lata de querosene Jacaré cheia de areia e revestida com papel de presente.
Era uma festa. À noite, as caixas de bolas e apetrechos apropriados era retirada de cima do guarda-roupas e entrávamos na disputa pra ver quem teria o direito de ajudar, pois nenhuma bola poderia ser quebrada. Na verdade, vez por outra aparecia uma delas danificada, provavelmente por conta mesmo do tempo, pois todos os anos o ritual se repetia. Naquela época, ao menos na nossa árvore, quase tudo eram bolas, pequenas médias e grandes que se iam combinando na distribuição para dar um certo equilíbrio. Depois que saímos da casa de Vovô para uma casa alugada, de 69 pra 70 foram-se ainda alguns anos sem árvore, pois era um investimento para o qual não estávamos preparados.
Era do final de novembro para o início de dezembro. A árvore montada era um orgulho para todos e depois de pronta ainda tinha as duas frases, em uma espécie de cartão fino, letra por letra juntadas umas às outras por uma espécie de ilhoses, formando um móbile que seria fixado na parede com um prego em cada uma das pontas.
BOAS FESTAS! FELIZ ANO NOVO!
Às vezes fico pensando em como aquelas coisinhas simples faziam nossas cabeças de meninos, pois tudo era uma grande viagem. Somente no Dia de Reis, já no ano seguinte a árvore seria desmontada e todas as bolsas voltavam às suas caixas pra esperar o natal seguinte.
Minha casa, agora, tem árvore de natal todos os anos e neste ano tem também o meu Mandacaru enfeitado como "árvore de natal". Certamente ele ficará mais bonito e crescido para os próximos anos. A árvore, mesmo simbolizando uma 'importação' tão abrupta na nossa cultura, pelos seus modelos (que em alguns shopping centers fica mais europeizada ainda, até mesmo rodeada de 'neve'), traz um simbolismo interessante, ao menos se servir de momento de festa para sua montagem e desmontagem.
Os presentes talvez não cheguem para todos os lares, mas o colorido que ela incorpora às casas dá uma idéia de alegria, de clima de festa, de confraternização... ainda que enorme parcela da população o faça sem a menor preocupação com a idéia original e os conselhos do aniversariante, que foi um sujeito de grandes idéias.
Êpa! Ainda preciso fazer a minha lista de presentes (a receber) para 2009 e o balanço de 2008. O ano está por um fio e é de praxe realizar o balancete, perdas e danos na busca de compreender do lugar onde estamos como as coisas estão.
Pra começo de conversa, ainda acho que estou no lucro, mesmo 2008 não tendo sido um ano especial. Eu diria até que gostaria de ter hibernado em início de janeiro e estar acordando agora, mas ele estará entranhado em minhas veias até o dia em que o 'motor' desligue em definitivo.
C'est la vie! Saravá!

Um comentário:

Débhora Melo disse...

Rangel,


Fiquei a imaginar como seria uma árvore de natal de mandacaru? E ao postar a foto, percebi e sorri bastante por constatar que já havia visto uma quase igual,a diferença é que era toda recoberta com algodão.
Muito bom saber que os costumes e tradições prevalecem e são esses elementos conservados que fazem parte da sua história real.

E não esqueça de desejar para sí na lista de presentes, SAÚDE. Isso sim, é um presente divino e necessário para uma vida de paz...
O resto? "Vai vindo".

Um abraço,

Débhora Melo.


Ps. Adorei o corte de cabelo dos quatro, sem nenhuma diferença, possivelmente clonado (rs,rs...).