26 de setembro de 2008

ODE TRIUNFAL

"(...) A maravilhosa beleza das corrupções políticas, Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos, Agressões políticas nas ruas, E de vez em quando o cometa dum regicídio Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana! (...) Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma, Que emprega palavões como palavras usuais, Cujos filhos roubam às portas das mercearias (...) A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão. Maravilhosa gente humana que vive como os cães, Que está abaixo de todos os sistemas morais, Para quem nenhuma religião foi feita, Nenhuma arte criada, Nenhuma política destinada para êles! Como eu vos amo a todos, porque sois assim, Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus, Inatingíveis por todos os progressos, Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida! (...)" Quem diria! Foi escrito em Londres e datado de junho de 1914 por Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. Em tempos de eleições e outras tantas coisas episódicas e intrigantes...

3 comentários:

Anônimo disse...

Querido Junior

Como os textos são intemporais, pois adequam-se aos contextos reais e atuais, como se o "recado" fosse para o hoje, para o agora. Grande contribuíção nestes tempos de tanta "estreiteza e podridão".
Tenha um excelente domingo com sua "Flor Bela" e Seu "botão de rosa" mais belo ainda.
Beijo maternal (desculpe-me a ousadia!)
Divanira

RANGEL JUNIOR disse...

Ora, ora! O beijo é muito bem-vindo, sim! Agradecido demais pelo compartilhamento. Beijo grande!

Débhora Melo disse...

Caro Rangel!

Mais uma eleição se aproxima,e mais uma vez está em nossas maos o futuro da nossa cidade.
Fico a pensar, haverá coerência nas escôlhas?
E ao ler Ode Triunfal fêz-me lembrar de uma frase de Eça de Queiroz a meu ver, atualissima, pois vivemos num mundo politico de "mascaras" onde a mais bonita terá êxito glorioso numa festa de rituais .


«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.» (Eça de Queiroz)


Um abraço

Débhora Cunha Melo.