10 de agosto de 2008

PAI

"Pai, eu cresci e não houve outro jeito..." dizia Fábio Jr naquela que talvez seja sua melhor música. Poderia escrever uma crônica bem bonitinha hoje, fazer mil divagações de reminiscências do meu pai e falar de tantos pais bacanas que eu conheço, mas optei por não fazê-lo. Vou apenas postar um agradecimento afetuoso aos meus filhos, que me proporcionaram essa alegria e me ensinam cotidianamente a ser pai. Taiguara e Vinícius são a verdadeira razão de minha comemoração de hoje. Meio solitária, meio melancólica, pois não ando muito chegado a festas e badalações e muito mais a certa introspecção que me tem permitido também me conhecer mais. Nesse movimento, tento ser um pai melhor, mais atencioso, presente, dedicado. Um pai educador, um pai forte, como diria meu primogênito, um pai-de-aço, um super-pai, um pai-aço, sempre em seus trocadilhos sarcásticos que, à minha maneira, relevo porque não roubou de ninguém! Sempre fui um pouco palhaco na vida e essencialmente pros meus filhos faço todos os papéis: o pai-durão, o pai presente, o pai distante, o pai preocupado, o pai cuidadoso, o pai chato, o pai complacente, o pai taciturno, o pais brincalhão, o pai flexível, o pai chorão sentimentalóide, o pai ranzinza, o pai mão aberta, o pai que não sou, mas que gostaria de ser pra eles. Não sei bem se sou tudo isso ou nada disso, mas sei que sou pai, vivo - e experiencio a vida - com eles. Espero acertar, mas isso nós só saberemos bem adiante. Um dia, quando eles forem pais, certamente usarão muito do que aprenderam comigo no meu papel de pai e também haverão de negar muito do que me viram fazer. Desejo que, me negando, me superem como pai. É um pouco da dialética do amor paterno. Não há como não ser tocado, de alguma maneira pela passagem do calendário e, ifluenciado ou não, não sentir uma pontinha de saudades do velho Tonito. Pros meus eventuais leitores, um feliz dia. Seja um bom pai! Pros meus filhos maravilhosos, um feliz dia dos filhos! Vocês são 2 e são 10.

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá Júnior

Gostei! Você voltou bem disposto. Mas, admirável mesmo é essa decisão acertada de ser um PAI com todas as qualidades que qualquer filho adoraria. Com certeza, amigo,é essa mistura heterogênea que o classifica como um pai maravilhoso. E, além do mais, um poeta de mão cheia, o que completa, a meu ver essa plenitude. Como sou um pouco "pãe", sei como nos faz feliz tudo isso. Parabéns pelo dia e por todos que virão.
Um abração
Divanira

Taiguara Rangel disse...

pai vei, sei que tanto vc quanto eu estamos bastante chateados (pra nao dizer emburrados, enraivecidos, entristecidos...) por nao termos nos visto hj, mas fazer o que, sao coisas da vida.
tentei falar com vc desde ontem, mas nao deu.
tbm nao eh lugar pra me desculpar nem pra lhe culpar.
gostei bastante do texto, como de todos e tantos outros, e espero podermos nos ver ainda essa semana.

bjs do seu HOMEM,
Taiguara

ps: herdado nao eh roubado, segundo dona Eneide.

Anônimo disse...

Ô coisa boa, o bicho voltou foi disposto! Bom ler vc de novo, mesmo percebendo certa melancolia na escrita... Tu és especial e querido, sabes disso! Beijo grande. Aninha

Socorro disse...

Olá amigo,

Belo texto! Como os outros leitores que já postaram seus comentários, fico feliz em constatar que vc. voltou a nos alimentar com suas 'tiradas' e tb com os seus 'papos sérios'!
Como eterna leitora da psicanálise, a função paterna e os seus incontáveis viéses, seus efeitos e etc, sempre foram objeto da minha atenção.
Citando trecho de trabalho apresentado na XII Jornada do Círculo Psicanalítico da Bahia, nov/2000, a Função Paterna "É um processo dinâmico que antecede e acompanha o sujeito por ela estruturado. A construção e a emergência da função paterna, seja ela competente, ou não, ocorrem no emaranhado das tramas do romance familiar que contribui com os elementos que povoam o imaginário e o simbólico de cada sujeito."(Dalva de Andrade)
Se eu pudesse resumir aquilo que não se resume, diria, assim como vc, que só a posteriori saberemos dos nossos erros e acertos!
É certo que, aplicando com ética essa dialética...já podemos ter a certeza de termos acertado mais do que errado. Taiguara e Vinicius o dirão!
Certamente,onde Tonito estiver, estará feliz ao 'ler' o filho que ele 'formatou' até mesmo pela sua ausência. O legado que ele deixou está muito bem traduzido nas suas palavras.
Parabéns.