Mesmo longe e com encontros sazonais, sempre deixei clara a minha admiração pelo amante da boemia. A última de nossas grandes serestas foi em maio de 2008, nos setenta anos de Dona Neide, com Pedro Mago, Alisson, Givanildo, Almir e Abidoral. A enfermeira fura a ponta do seu dedo de duas em duas horas. Precisa de uma gota de sangue pro teste de glicemia. Depois de uma semana não há dedo que aguente. Afinal são apenas dez. Às oito da noite o eterno boêmio, um dos últimos seresteiros da velha guarda, reclama pra sua amada: "desse jeito não vou conseguir tocar meu violão nem tão cedo". Às cinco da manhã um infarto muda o rumo das coisas e silencia seu pinho e sua bela voz. Fui a Timbaúba (terra de minha mãe) vê-lo e me despedir. Não teve abraço, nem sorrisos, nem seu vozeirão solto no ar. Apenas uma face hirta, quase de cera e a dor da última despedida. Setenta e dois anos de vida e uns cinquenta de poucos de sereno, seresta e paixão pela música e pela vida... ah, e pela cerveja! Uma bela história. Um sorriso solto, largo, farto, que se apaga pra vida real e se eterniza na nossa memória. Evoé, Firmino!
Palavras e imagens. Impressões e olhares sobre o mundo e as relações. Um pouco de cada coisa: educação, universidade, cultura, arte, política, gente...até poesia e outras formas de escrita.
9 de julho de 2010
18 de junho de 2010
O POETA E A PALAVRA
O poeta e a palavra são farinha do mesmo saco.
A palavra está para o poeta,
assim como a chuva está para o arco-íris.
A palavra na cabeça do poeta,
A palavra na caneta do poeta,
A palavra tinta no pincel do poeta,
A palavra vida no coração do poeta,
A palavra punhal, palavra-dor,
palavra comida, palavra vinho no bucho do poeta.
A palavra nomeia.
O poeta passeia com a palavra.
O poeta namora a palavra.
O poeta come a palavra,
transa com ela, goza e... morre.
Morre o poeta com a palavra.
O poeta da palavra não morre.
A palavra do poeta não morre.
O poeta não morre,
... vira pura palavra!
A palavra está para o poeta,
assim como a chuva está para o arco-íris.
A palavra na cabeça do poeta,
A palavra na caneta do poeta,
A palavra tinta no pincel do poeta,
A palavra vida no coração do poeta,
A palavra punhal, palavra-dor,
palavra comida, palavra vinho no bucho do poeta.
A palavra nomeia.
O poeta passeia com a palavra.
O poeta namora a palavra.
O poeta come a palavra,
transa com ela, goza e... morre.
Morre o poeta com a palavra.
O poeta da palavra não morre.
A palavra do poeta não morre.
O poeta não morre,
... vira pura palavra!
15 de junho de 2010
ARCO-ÍRIS COLOSSAL
O Colosso já foi palco de memoráveis confraternizações. Algumas de aniversário de Agenor, seu feliz proprietário. Agenor, pra quem não sabe, é irmão de Nego Toca, de Averaldo e Aurora.
Família de excelentes músicos, herdaram de Seu Bola 7 (até hoje não sei o nome do seu pai. Mas isso não vem ao caso, pois até mesmo ele chama o pai assim) o gosto pelo refinamento musical e o espírito brincalhão e gozador. Agenor, no caso, me parece que pegou a maior fatia da herança. Herdou ainda a verve empresarial no ramo de planos pós-vida.
Pois não é que o sujeito tomou gosto pelo negócio? E, se nos tempos de antigamente lá em Juazeirinho, o carpinteiro fúnebre só construía o ataúde após o sujeito ser passado e diplomado para morar na cidade de pés-juntos, hoje tudo está muito mudado: tem catálogo, tem sala bonita com os "envelopes de madeira" dispostos pro sujeito escolher com que roupa quer ir pra sua morada infinita.
Mas a postagem nem era pra falar deste assunto. É que Agenor, o velho Agenor de Guerra, que traz como única sequela de um AVC o fato de ter ficado mais "carregado" que antes e, além de estar preparando interessante livro sobre a história e personagens da pequenina Juazeirinho, resolveu entrar pro time de caçadores de arco-íris. Capturou este aqui na porta de sua casa, no Sítio Colosso, ex-vizinho do velho Cazuza, pai de Zé do Tango e Adauto "Rampa".
O impressionante na foto é que o arco-íris parece sair do poste, como se uma enorme onda de energia o projetasse pelo céu. Deixo-o pra vocês.
7 de junho de 2010
SÓCRATES NO SHOPPING CENTER
O amigo Eli Brandão me enviou e, mesmo não publicando na íntegra, selecionei em seu final algo que gostaria de ter escrito. Essa é boa inveja...O texto é de Frei Betto." (...) Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um Shopping Center. É curioso: a maioria dos Shoppings Centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles, não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de "missa de domingo". E ali dentro se sente uma sensação paradisíaca: não há mendigos, não há crianças de rua, não se vê sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno: aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se vários nichos: capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Mas, aquele que só pode comprar passando cheque pré-datado, ou a crédito, ou, ainda, entrando no "cheque especial", se sente no purgatório.
E pior: aquele que não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald... Por tudo isto, costumo dizer aos balconistas que me cercam à porta das lojas, que estou, apenas, fazendo um "passeio socrático". E, diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
- Estou, apenas, observando quantas coisas existem e das quais não precisopara ser feliz!"
27 de maio de 2010
O BRILHO DO SOL COMO UM PRESENTE
Uma canção que marcou o final de minha adolescência, lá pelos idos de 81, me veio à memória hoje, por ser uma data especial.
Segue em minha tradução tosca, com o auxílio luxuoso do google, Sunshine on my shoulders, do John Denver.
"O brilho do sol sobre meus ombros me faz feliz
O brilho do sol nos meus olhos pode me fazer chorar
O brilho do sol na água parece tão adorável
O brilho do sol quase sempre me deixa melhor.
Se eu tivesse um dia que eu pudesse lhe dar
Eu lhe daria um dia exatamente como hoje
Se tivesse uma canção que eu pudesse cantar para você
Eu cantaria uma canção para fazer você se sentir melhor.
Se eu tivesse um conto que eu poderia dizer-lhe
Eu diria um conto com a certeza de fazer você sorrir
Se eu tivesse um desejo que eu pudesse pedir para você
Eu desejaria a luz do sol durante todo o tempo."
O brilho do sol nos meus olhos pode me fazer chorar
O brilho do sol na água parece tão adorável
O brilho do sol quase sempre me deixa melhor.
Se eu tivesse um dia que eu pudesse lhe dar
Eu lhe daria um dia exatamente como hoje
Se tivesse uma canção que eu pudesse cantar para você
Eu cantaria uma canção para fazer você se sentir melhor.
Se eu tivesse um conto que eu poderia dizer-lhe
Eu diria um conto com a certeza de fazer você sorrir
Se eu tivesse um desejo que eu pudesse pedir para você
Eu desejaria a luz do sol durante todo o tempo."
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