16 de outubro de 2011

MUITO PRAZER! SOU PROFESSOR!


Um dia, atendendo ao apelo de uma vizinha, comecei a dar aulas particulares de violão. Era o ano de 1980 e eu trabalhava o dia inteiro na fábrica de Ibrahim Hamad, tirava do Açude Velho pro Gigantão da Prata a pé e voltava pra casa da mesma forma. As aulas de violão aconteciam nos sábados em que não viajava pra Juazeirinho ou alguma noite em que as aulas não preenchiam todos os horários.
Atendendo a outro apelo de uma amiga, sendo estudante do Estadual da Prata, fui dar aulas particulares de Física, como reforço, pois a mesma estava com dificuldades na matéria. Detalhe: ela estudava no CEPUC, que era “o Motiva” de então em Campina Grande.
Um outro dia, em 1982, já estudante de Psicologia na URNe, atendi ao apelo de um amigo e fui em seu lugar ministrar aulas de Biologia em Fagundes. Isso também aos sábados, pois estudava à noite e trabalhava o dia inteiro no Balcão da Economia.
Em 1984 a empresa fechou a filial na cidade e minha opção seria ir pra João Pessoa. Escolhi ficar desempregado pra tentar terminar o curso que estava atrasando. Desta forma, atendendo a mais um apelo, desta feita da necessidade, fui ganhar um salário mínimo e ministrar aulas de Português, Moral e Civismo e OSPB no Colégio Municipal de Juazeirinho. Depois ainda lecionei Educação Artística. Afinal, eu sabia tocar violão... (rsrs)
Quando dei por mim já era professor de verdade. Estudava os assuntos, preparava aulas, corrigia provas (coisa difícil até hoje!), viajava cinco dias por semana os 80 km que separam Juazeirinho de Campina Grande, na maioria das vezes de carona pra ganhar o dinheiro da passagem. Assistia aulas todos os dias pela manhã e em alguns à noite.
Em 1988, já psicólogo (também licenciado), conquistei uma vaga de professor pro tempore no departamento de psicologia da UEPB, onde havia estudado. Coincidência, pois o Colégio de Juazeirinho onde comecei também havia sido meu espaço educativo da quarta série ao 2º ano do médio.
Acontece que me descobri professor e descobri que queria fazer aquilo pro resto de minha vida. Em 1989 conquistei vaga de professor efetivo e daí em diante é uma longa história que não dá pra contar num post para um blog. Ficaria por demais maçante.
Passados 27 anos tenho alguns registros importantes a fazer, mas destacarei alguns muito curtos.
- Nunca tive problema com estudante em sala de aula. Não registro nenhum conflito que não tenha sido devidamente resolvido com diálogo;
- Nunca tive envolvimento afetivo algum com alunas/os que pudesse comprometer meu trabalho e seus objetivos;
- Nunca precisei tratar com terceiros – diretoria, coordenação, supervisão – quaisquer assuntos conflituosos envolvendo a relação professor/estudantes em que tenha me envolvido;
- Nunca tive nenhum problema trabalhista ou conflito direto envolvendo relações de trabalho com colegas, mesmo tendo sempre assumido posições firmes, com opinião defendida – muitas vezes apaixonadamente – nos espaços coletivos;
- Nunca tive uma avaliação (e nota atribuída) contestada por estudante ou com pedido de revisão de prova;
            Registro também algumas coisas que fiz e algumas quase certezas que tenho hoje. Podendo mudar amanhã!
            Amigos por onde passei e passo. Respeito conquistado, mesmo da parte dos que em vários momentos se transformaram em adversários políticos. Respeito por parte dos estudantes por quem sempre tive uma atitude democrática, respeitosa e firme.
            Em 27 anos de profissão aprendi mais que ensinei.
            Depois de uma especialização inconclusa, um mestrado concluído há 14 anos e um doutorado em andamento, constato muito à vontade que sei muito pouco e que uma vida só não basta pra aprender as coisas que tenho vontade, ler os livros que gostaria, assistir aos filmes que anoto, compor as canções que tenho em mente, escrever os livros que fiz sinopses esperando um dia ter tempo...ufa!
            Aprendi também a não pedir respostas de estudantes para as quais eu já tenho uma que seria a certa. Quando faço uma pergunta numa avaliação é porque quero saber o que cada um pensa a respeito de determinado tema trabalhado em sala de aula.
            Descobri que a aula funciona pra mim como uma espécie de catarse. Sempre as encerro com um “gostinho de quero mais”, uma vontade de não sair, uma certeza de que aquele momento jamais se repetirá.
            Termino minhas aulas feliz da vida porque tenho ali a certeza de que faço uma coisa de que gosto imensamente e o regozijo, o quase arrebatamento que toma conta de mim, me dizem que escolhi a profissão certa e que sou um sujeito feliz por isso.
            Amo o meu ofício e as descobertas que ele me oferece cotidianamente não me seriam ofertadas por nenhum outro tipo de trabalho.
            Ser professor é algo que me orgulha e honra. Busco honrar todos os dias a remuneração que o povo da Paraíba me paga e tenho a consciência muitíssimo tranquila de que os esforços têm dado certo.

3 de outubro de 2011

COMPARTILHAR É DEIXAR O OUTRO TAMBÉM SER

Há pessoas que perderam a capacidade de olhar o mundo ao seu redor, ver a injustiça campeando e se indignar. Há pessoas que nunca tiveram essa capacidade, por terem nascido e sido educadas em circunstâncias muito específicas que as levaram a agir assim, ou simplesmente pela perda mesma de valores morais e ideais mais altruístas.

Há no mundo e ao nosso redor muitas pessoas assim. Não são más, é bem verdade! Todavia, infelizmente, acham-se muito espertas ao ponto mesmo de debochar dos sentimentos mais nobres que movem as ações de outros no seu entorno. Pessoas assim criaram uma armadura de insensibilidade social e, muitas vezes, buscam desenvolver um forte sentimento de afetividade que transborda apenas no âmbito da individualidade. Ou seja, são afetos que, de forma quase egoísta, somente se compartilham com os mais próximos. São capazes de ir à missa aos domingos, ao culto semanal, orar por todos, mas não conseguem olhar por todos e para todos que não seja verticalmente, em posição superior.

Desta forma, quaisquer sentimentos mais universais de companheirismo, camaradagem, solidariedade e fraternidade verdadeiras, na prática, são rechaçados na forma do achincalhe, do deboche, da piada, na tentativa de levar a crer que o indivíduo que assim pensa e age, na verdade, é um ingênuo, um "inocente útil" aos planos maquiavélicos de delirantes senhores mundiais candidatos a ditadores e dominadores universais, na linha da ficção dos desenhos animados.

Não tenho vergonha de dizer ao mundo: o que me mobiliza é o sonho, a utopia, o desejo...Porém, tenho a coragem suficiente pra dizer na cara que não tenho a desfaçatez mesquinha de ficar sonhando, professando ideais, sem mover uma palha pra mudar o curso da história e a cada dia seja dado um passo a mais na construção de um mundo sem exploração do homem pelo homem, sem as amarras do lucro que fazem com que o sujeito olhe sempre pro outro analisando a possibilidade do quanto pode tirar daquele para si, quanto pode lhe render a aproximação ou o "negócio" que possam estabelecer dali em diante.

Definitivamente, esse mundo não é o meu!

Deixem-me com meu "anacronismo"! Deixem-me continuar empunhando minha lança quixotescamente, desde que apenas acredite naquilo que vejo e sonho em mudar.

Meu mundo e nada mais é um lugar onde todos possam buscar o sol e o encontrem a cada manhã, sem ter que tirar do outro um pouco de luz que seja. Há luz suficiente para todos no universo e em nosso Planeta tão castigado.

Sejamos os que buscam o sol, mas o sol para todos! Sejamos os que buscam a vida, mas a vida em abundância, como sugeriu um certo profeta, e para todos sobre a terra.
É isso!

26 de setembro de 2011

SER OU NÃO SER UNIVERSITÁRIO/A?*


Caro/a estudante! Você começa hoje um curso superior numa universidade pública. E o que isso muda, afinal? E o que isso muda em sua vida? Você continua sendo o que era antes, um/a estudante. Afinal, qual a diferença mesmo entre ser estudante de ensino médio e ser estudante universitário/a?

Ser universitário//a é uma questão de atitude. Isso mesmo: a maior diferença está na atitude.
Se você chegou aqui cheio/a de expectativas, sonhos, planos, esperanças de mudanças e um otimismo à prova de terremotos, pois se prepare porque será testado/a cotidianamente daqui por diante. Testado/a no sentido de provar pra si mesmo/a que é capaz de fazer algo por si e para si e que sabe exatamente o que quer pra sua vida.

E como isso é possível se você acaba de passar em um vestibular e está apenas começando um curso superior? Eis a questão: a mudança começa agora!

Se no ensino fundamental e médio você era alguém que confiava em 100% no/a professor/a, que esperava em quase 100% pelo que ele/ela trouxesse para sala de aula, que exercitava cotidianamente os ensinamentos do/a professor/a na esperança de memorizar, aprender macetes, desenvolver habilidades para passar no vestibular, ao menos uma coisa é certa, algo funcionou, pois você está aqui.

Não que você não deva confiar em seus/suas professores/as. Não que você não aceite ser orientado/a ou guiado/a pelos/as seus/suas professores/as, não que você não precise estudar cotidianamente... Nada disso! Você terá sempre que memorizar algumas coisas, desenvolver muitas habilidades, aguçar sua curiosidade, preparar-se para avaliações, provar que aprendeu.

A grande diferença está em que, a partir de agora, você será mais responsável pelo seu aprendizado do que o professor. Isso porque quem esperar sempre pelo/a professor/a sairá daqui como um/a profissional mediano/a ou mesmo medíocre. Quem acreditar que o/a professor/a sabe de tudo e que irá lhe ensinar esse tudo está profundamente enganado/a. Quem olhar para o/a professor/a e vê-lo/a como uma fonte de sabedoria, um verdadeiro oráculo pronto a dar-lhe respostas pra tudo irá se decepcionar e, por conseqüência, descobrirá que a Universidade não era aquilo que tanto sonhava.
Eis meus caros alunos e alunas algumas sugestões a partir do que aprendi com minha experiência. Você precisa acima de tudo se tornar o/a maior responsável pela sua formação. 

Seu/sua professor/a será mais facilitador/a do seu aprendizado que um/a ‘ensinador/a’ de coisas. Será mais um/a orientador/a sobre os caminhos que você deve percorrer em busca do conhecimento ao invés de um/a sabe-tudo com respostas prontas que facilitarão sua vida. 

Mais que dar respostas prontas, seus/suas professores/as deverão lhes ensinar a fazer as perguntas e procurar as respostas.

Daqui em diante você precisará ser mais dono/a do seu nariz. Você precisará ler os textos indicados pelo/a professor/a, pesquisar a bibliografia recomendada, dar conta de participar dos debates, seminários, avaliações, mas não é somente isto. Você estará no comando. É disto que você precisa ter consciência. A mudança acontecerá se você mudar.

Prepare-se para esta mudança que é, essencialmente, de atitude. Aproveite os anos de estudo na Universidade, pois eles não voltarão e mesmo que você faça outro curso superior, depois já não será a mesma coisa.

Não há incompatibilidade entre ser jovem, vivenciar todas as oportunidades oferecidas aos jovens e ser universitário. Não há contradição alguma entre participar de quase tudo que a vida oferecer, curtir ao máximo esta fase tão marcante da vida, namorar bastante, se divertir com os novos amigos e, ao mesmo tempo, fazer da experiência universitária uma grande oportunidade. Oportunidade para crescer, aprender muito, preparar-se para o mundo do trabalho, estabelecer novas e boas relações, participar ativamente da vida universitária e aprender um novo modo de fazer política, realizar uma fantástica viagem pelo mundo do conhecimento e daqui a alguns anos se tornar um/a profissional diferenciado/a.

A grande diferença estará na mudança de atitude que você conseguir imprimir à sua vida.

Você terá pela frente talvez o maior desafio que já enfrentou até agora. Talvez maior que a própria tentativa de ingressar na Universidade. O desafio não é concluir um curso superior, mas se tornar uma pessoa com novos conhecimentos, competências e habilidades. Mais que isso, o maior desafio é se tornar uma pessoa melhor, mais madura, mais aberta pro mundo, mais capaz de se autodeterminar e tomar conta do próprio destino, edificá-lo.

E mais: você não pode esquecer que o povo paraibano financiará a sua formação superior. Tenha sempre consciência deste fato.

Isto é SER universitário/a! Se você conseguir dar conta disto, daqui a alguns anos sairá da UEPB com marcas e memórias inesquecíveis de um tempo maravilhoso e, além de ser uma pessoa mais experiente e com boas histórias pra contar, terá vivido alguns dos melhores anos de sua vida. Desejo-lhe uma boa viagem!

* Republicado com revisão.

12 de agosto de 2011

Chico Passeata, um homem brasileiro!

No início dos anos 90, militando no movimento docente nacional da ANDES, presidindo o sindicato dos professores da UEPB, ADUEPB-Seção Sindical, conheci Helena Serra Azul, professora da UFC e, de quebra, conheci Chico Monteiro, seu eterno namorado e companheiro, o Chico Passeata.
Articulador competente, dominava a política com maestria e se mostrou dono de uma lista interminável de amigos e aliados políticos, sempre dispostos a compor, apoiar, somar em algum projeto político de relevância.
A partir daí fui me tornando amigo do marido de Helena e criando um vínculo próprio com Chico Passeata. Aprendi a gostar e admirar a sua história de vida, verdadeira saga em luta permanente, desde a época de estudante de medicina.
Chico passeata foi o cara que escalou uma estrutura enorme de uma caixa d'água da Faculdade de Medicina da UFC, antes do AI-5, e fincou lá. Uma bandeira com um "viva, Edson Luís", depois da morte do estudante no RJ.

5 de agosto de 2011

Quase Azul

Desde o início dos anos 80, quando a visitei ela primeira vez, tenho um fascínio pelo caminho que vai de Tambaú à ponta do Cabo Branco. Há uns 10 anos transformei este fascínio em canção. Aqui pela primeira vez. Minha homenagem à bela capital paraibana.