10 de janeiro de 2010

POESIA E VIAGEM

Pra tudo tem um dia, dizia Dona Neide, minha Mãezinha.Viajei a Teresina. Pela primeira vez num jatinho. Uma vida inteira sem conhecer o Piauí... Em 20 dias visitei duas vezes.
Relembrei que poesia é vento.
Poesia é chão.
Poesia é fogo, terra, água, ar.
Poesia é trabalho, poesia é delírio... corpo nu, poesia entrega.
Poesia uísque, poesia parede, poesia violão, poesia sono, poesia teu amor de promessa...
Poesia desejo, poesia no prato, poesia suor, poesia amizade, poesia pedra, poesia materia, poesia vida, gozo, cansaço, poesia sonho.
Poesia! Pô!


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7 de janeiro de 2010

NA VOLTA...

Já dizia o pensador paraibano. Volto! Mais bem achado que antes!
Três quilos a mais, muito estresse a menos;
O fígado plenamente saudável,
A pele pouco bronzeada (resultado de mais barraca do que praia);
A paternidade reforçada e atualizada com carinho diuturno,
Os olhos cheios de imagens belíssimas e cheiros e sotaques...
A sensação maravilhosa de desligar sobre quase tudo,
O que se chama aventura!
A sensação mais maravilhosa de voltar e encontrar tudo no lugar,
O que se chama segurança!
Quase tudo continua como dantes, mas o ano é novo.
Em 2008 perdi coisas que serão pra sempre em minha vida. Sentimentos!
Em 2009 perdi pessoas de carne e osso, mas não as perdi pra sempre.
Elas continuam aqui comigo, cá dentro onde só eu sei.
Foi um ano de muitas perdas.
Uma sugestão para pôr UMA INSCRIÇÃO no túmulo da família lá em Juazeirinho: NÃO HÁ VAGAS!


Em meu coração há vagas pra amizade, muitas vagas!
Há um sonhador com os dois pés fincados no chão. Não o suficiente pra poder se desgrudar e voar por aí espalhando devaneios pelo mundo.

Em 2010 quero viver somente 365 dias. Nem um a mais ou a menos. Um de cada vez como quem degusta uma boa cachaça, lentamente, pois dá um baratozinho sem embriagar.
Não quero me embriagar de 2010, mas apenas vivê-lo como se ele fosse mais um de muitos que virão. Há muito por fazer.

Quero que você esteja por perto, acompanhando, lendo, criticando, polemizando, elogiando (se for merecedor), mas aqui por perto.

Sem "o outro" esse blog perde a razão de sua existência e vira "meu querido diário". Aliás, quem seria "o outro" nos famosos 'diários'? Um alter ego?

Estou de volta! Vamos desejar juntos viver um ano de muita luta, paz, saúde, harmonia, amor, amizade,solidariedade... na ordem que você achar melhor!

Estou de volta!

17 de dezembro de 2009

PENSANDO COM SCHOPENHAUER

Fui presenteado por uma prezada amiga com um livrinho superinteressante. Ainda acho, como dizia o velho slogan da inesquecível Livraria Pedrosa em Campina Grande, que o livro é o melhor presente. Dele extraio e divido algumas ideias.


"Assim como o caminho que percorremos fisicamente sobre a terra é apenas uma linha e não uma superfície, na vida, quando queremos agarrar e possuir algo, devemos deixar muita coisa à direita e à esquerda e renunciar a diversas outras. E se não soubermos lidar com tal fato e, ao contrário, tentarmos pegar tudo o que nos atrai pelo caminho, como crianças na feira, é porque temos a aspiração insensata de transformar numa superfície a linha de nossa vida; corremos então em ziguezague, vagando aqui e ali como fogos fátuos, e não conseguimos nada".


Por hoje é só e suficiente. Deixo-vos com esta máxima.


O BLOGUEIRO, QUE JÁ É SAZONAL, ESTÁ PRESTES A ENTRAR EM RECESSO.

11 de dezembro de 2009

ESSE SOU EU E MAIS UM POUCO

A terra pegando fogo ao sol de Janeiro
A chuva emoldurando canções de ninar gente grande
O cheiro de mormaço caririzeiro
O peso das horas se espalhando em sentido anti-horário
A flor do mandacaru gritando desejo invernoso
O furioso ganido de um cão preso a uma corrente imaginária
O céu e o inferno na terra em permanente transe
A loucura cotidiana de querer ser tudo sendo tão pouco
A maciez do caju maduro se abrindo de felicidade
O delírio quixotesco de um andarilho maltrapilho com eternos moinhos a vencer
Avatar de priscas eras, metamorfoseado em tosco e contorcido bonsai
Alinhavador de canções que talvez nunca cheguem a ser terminadas ou escutadas.
Esse sou eu e mais um pouco, ainda no louco delírio de me descobrir!

6 de dezembro de 2009

ONDE ESTÃO NOSSOS HERÓIS?


Às vezes, pra fazer o que é certo, é preciso sermos firmes e desistir daquilo que mais queremos. Até dos nossos sonhos. Dito assim, como frase de efeito pra começar um texto, indica quase que claramente que o autor buscou inspiração num daqueles livros de pensamentos e frases marcantes.

Pode até parecer inusitado, mas a frase foi pronunciada por Tia May a Peter Parker, no meio de um de suas crises entre ser ou não ser o Homem-Aranha. A mesma frase ele repete um dia pro Dr. Octopus, tentando trazer à tona a sua consciência de homem bom. Neste filme, depois de uma sequência fantástica de luta em que ele evita um desastre enorme e salva um trem lotado de passageiros e após ter sua identidade secreta revelada, escuta de um garoto:
- Não vamos contar pra ninguém!

- Eu vou ser sempre o Homem-Aranha, por isso não posso ficar com você, diz Peter a Mary Jane nas entrelinhas. Noutro dia, após a amada desistir do casamento com o filho de seu maior desafeto e perseguidor diante do altar ele escuta de Mary Jane:
- Eu fiz o que tinha que fazer. É errado fazermos as coisas pela metade, não sermos completos...

E desde quando fazemos as coisas assim por inteiro? Eu diria que talvez apenas nossos heróis são capazes de tal feito. E pra que servem os heróis se não pra nos ensinar que as coisas que devem ser feitas têm que ser feitas, mesmo que isso nos custem um enorme sacrifício? O mais complicado dessa história toda é sabermos exatamente quais são as coisas certas e que devem inevitavelmente ser feitas.

A vida inteira passamos tomando decisões sobre isso ou aquilo. Desde a mais tenra idade, quando os juízos morais começam a se formar em nossa consciência, não fazemos outra coisa. O tal do livre arbítrio não passa de um nosso juiz interior que fica o tempo todo batendo aquele martelinho na mesa e proferindo sentenças. Muitas vezes elas são dolorosas, nos trazem sofrimento psíquico, remorsos e mesmo dores físicas, mas o fundamental é termos a clareza de que fizemos "a coisa certa". É isso que dá sustentação aos nossos desígnios e nos dá a exata dimensão de que não devemos ficar culpando o destino pelo que nos acontece ou à nossa volta.

Tirando o fato de que não precisamos ter um dupla identidade como a maioria dos nossos heróis da ficção, para que tomemos sempre a decisão de fazermos o que deve ser feito, custe o que custar, temos no mais íntimo de cada um de nós um pouco desses heróis que nos alimentaram a fantasia desde pequenininhos. Afinal, imagine se não fossem os caçadores da história de Chapeuzinho Vermelho...

Fazendo exercício de viagem interior, me vêm a lembrança Roy Rogers, Tex Willer, Zorro, Super-Homem, Batman e tantos outros... até o Super-Pateta. Mas, e qual o lugar ocupado por Che Guevara, Fidel Castro, Vitor Jara, Lenin, Zumbi dos Palmares, Oswaldão, Lenira, Ghandi, Maurício Grabois, Nelson Mandela, Luther King... e tantos outros que poderia encher uma página inteira.

Temos heróis e Heróis. Todos eles nos fazendo companhia e sendo um pouco do que nosso alter ego nos diz o tempo todo que devemos ser. Os heróis nos servem também para que tenhamos vez por outra a coragem de fazer aquilo que devemos fazer, mesmo que nos doa. Afinal, dentro de cada um de nós habita também um herói invisível que nos faz ser melhores do que seríamos sem ele.