11 de agosto de 2014

PAIS E FILHOS

Dentre as incontáveis lições que aprendi com meus filhos, talvez a mais importante tenha sido a libertação de uma certa mania de querer aprisionar o tempo.

Explico: muitas vezes, quando eu experimentava um momento de muita felicidade, ternura, uma sensação muito boa, ficava racionalmente tentando congelar aquele momento, tentando registrar para arquivo nalguma zona específica do cérebro para que aquele instante jamais se desgrudasse da minha memória.

Eis que a vida, cruelmente, me ensinou que as memórias mais dolorosas ficam gravadas de uma maneira tão aleatória e tão autônoma que são aquelas que, de maneira mais recorrente, voltam mais vivas ao nosso cotidiano. Precisamos aprender a mudar essa lógica.

Pois então. Meus filhos me ajudaram a desfazer aquela crença banal que eu tinha. Os momentos singelos e tão fugazes que vivenciei e vivencio até hoje com eles se encarregaram de jogar por terra a minha tese. Aprendi a deixar acontecer, a olhar, experienciar e curtir cada momento com a emoção que lhe convém nesse sistema aleatório de escolhas que nosso inconsciente vai fazendo e formatando como método individualizado ao longo dos anos.

Ou seja, depois de tanto tempo, acredito que estou aprendendo a me guiar por aquela máxima, de "viver cada momento como se fosse único" - o que eles são, em verdade - e deixar que a parte do organismo responsável pelo registro se encarregue de fazer seu trabalho independente de vãos comandos racionais.

Os resultados têm sido fantásticos. Aprendi a me emocionar mais, a chorar mais, a gargalhar mais - às vezes feito um perfeito idiota - e tenho notado que estou me transformando num ser humano melhor, por estas razões. Se não melhor para os outros, ao menos me sentindo como uma pessoa melhor e mais condescendente consigo mesma.

Meus filhos são o maior barato. Meus filhos são o máximo e me enchem de uma espécie de orgulho besta, de uma empáfia estranha ao meu habitual jeito meio contido de ser, de uma alegria incomum por tê-los como filhos e poder desfrutar, vez por outra, de raros momentos que somente eles são capazes de oferecer.

Por estas e outras tantas razões que não caberiam neste pequeno texto, o Dia dos Pais pra mim sempre foi e continuará sendo quase todo dia, quase toda semana, quase todo mês. Basta que um momento mágico seja criado, um gesto, um sorriso, um abraço, um afago qualquer seja ofertado e lá vou eu feliz da vida, radiante, o peito cheio de regozijo por estar vivo e ter essa fortuna que a vida me presenteou.

Um comentário:

Maura Pires Ramos disse...
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