6 de maio de 2008

UM PASSAPORTE CHAMADO FLORBELA

"Eu não pensei que fosse proibido Amar de longe e de perto Com o mesmo coração (...)" Esses são os versos iniciais daquilo que se transformou em meu passaporte para o pernambuco. Tendo à frente o amigo Zenobre (primeiro à esquerda na foto), que foi o verdadeiro abridor de portas, divulgador e articulador, fui à cidade do Recife dar entrevista ao Xico Bizerra (o primeiro à direita), no programa "Forró e ai" da Rádio Folha. Ainda na foto, ao centro, Tereza Accioly, produtora, viúva de Accioly Neto (pra quem não sabe, autor d' A Natureza das Coisas. "Se avexe não / amanhã pode acontecer tudo / inclusive nada .../, entre tantas outras) e Lina Fernandes, apresentadora do programa, junto com Xico Bizerra (compositor dos bons). O programa é merecedor de destaque, pois, além de tocar somente o forró P.O., se desenvolve num clima descontraído, leve eo tempo passa tão rápido que quando você se dá conta está acabando. Por onde andei em Recife fui super bem tratado (daquele jeito de encabular matuto). No Arriégua (de uma comida maravilhosa e um dono - Luiz Ceará - fora do comum), bons papos com Luizinho Calixto (um dos maiores tocadores de 8 baixos do mundo. De Campina Grande. Na foto, ao centro), com o proprietário, com Ivan Ferraz (compositor, poeta e apresentador de programas de rádio e TV. À direita na foto) e com Anastácia (ao lado de Zenobre, na foto). Anastácia merece um comentário especial, pois, pra quem não lembra ou não sabe, tem mais de 600 composições gravadas. Somente duas pra você imaginar o tamanho da autoridade: "Só Quero um Xodó" e "Tenho Sede". Dancei até forró com ela no "Nosso Quintal", um lugarzinho maravilhoso, criado para cultuar o forró tradicional e a memória dos grandes ícones da música nordestina, promovendo semanalmente um encontro de sanfoneiros. Uma beleza! Conheci muita gente boa, dentre elas, Antiógenes, do Ministério Público, colecionador e Gonzagólatra (um neologismo que andam usando por aí afora) e Paulo Vanderlei, descendente do Piancó e que mora em Fortaleza, criador do maior e melhor sítio sobre Luiz Gonzaga na Internet, o http://www.luizluagonzaga.com.br/. Com Zenobre e sua simpatia e autoridade de quem mantém um dos maiores acervos fonográficos do país sobre Luiz Gonzaga, o mundo foi se abrindo e o povo alegre do Recife me apresentando: "Esse aqui é o compositor de Florbela, gravada por Santanna". Parecia uma senha. E eu, claro, todo ancho, contente que só pinto no lixo. A recepção calorosa na Rádio Folha foi de deixar o sujeito encabulado mesmo. No Arriégua, idem! No Nosso Quintal, ibidem... (é o fraco! Parece citação bibliográfica) A oportunidade de conviver com tanta gente boa, que dedica parte de suas vidas a criar, preservar, divulgar a musicalidade nordestina mais original, a difundir pras novas gerações a obra daquele que é o maior de todos os tempos, Luiz Gonzaga Rei do Baião, foi algo maravilhoso. O contato ao vivo com Anselmo Alves, autor do manifesto "Quero Meu Sertão de Volta" - que publicarei aqui - e Leda Dias (dois bons estudiosos da cultura nordestina), valeu a pena! Descobri que há um verdadeiro balaio cultural no Recife e que um movimento forte vem acontecendo naquela cidade em prol de alavancar o forró novamente à sua mereceida posição de destaque na cena cultural do país. Enquanto isso, em Campina, os destaques são Aviões, Calcinhas, Saias, Ferros, Isso ou aquilo de Menina, Safadas, Sem-vergonha... Ai meus eggs!

7 comentários:

Anônimo disse...

Oi Júnior

Mudou e mudou para melhor. Gostei! Estás ficando famoso. Que bom! "Flor Bela" vai te levar longe... Mas, vá e fique! Isso mesmo. O paradoxo é proposital. Vá longe em tua carreira, que com certeza, te dará prazer e dinheiro. Mas não deixes nunca a UEPB. Ela precisa de ti e nós também.
Abraço fraternal.
Divanira

Anônimo disse...

Gostei da mudança, gosto do azul, gosto desse blog atualizado, gosto de arco-íris, gosto de me apaixonar, gosto de ilusões de ótica... Gosto de um montão de coisa, de outro montão de gente, e gosto bem muito de tu; por isso fico imensamente feliz em saber da tua aventura, e de como foi bem recebido nessa viagem pras bandas de Recife. Em tempos de "Flávio José 'no media'" e "Aviões do Forro fenômeno da música regional", quisera eu que todos os nordestinos tivessem a paixão e a sensibilidade que os pernambucanos têm quando se trata de nossa arte, de nossa cultura.
Florbela é uma delícia de música, um passaporte digno do seu trabalho que tenho certeza vai ser reconhecido mais cedo ou mais tarde. Aposto no mais cedo! Xero. Aninha

Anônimo disse...

Florbela é passaporte e avião, rapaz! Ainda vai levar você muito longe. E dessa fonte inda tem muita coisa pra sair... E nós, na torcida!

Rangel Junior disse...

Cara Divanira!
Sempre lisonjeado por suas visitas aos meus escritos.
Outro dia escrevi um poemeto, como glosa de cordel, que dizia assim:

QUANDO COMEÇO A CANTAR
É COMO SE VIAJASSE
EU FAÇO O TEMPO PARAR
MESMO QUE ELE 'INDA PASSE.
EMBARCO NESSA VIAGEM
VOU PEGANDO A 'EMBALAGEM'
OUÇO NOTAS, POSSO VÊ-LAS!
COMO O VENTO DE UM TUFÃO
OS PÉS FINCADOS NO CHÃO
E A CABEÇA NAS ESTRELAS.

Continuo assim! Aqui e alhures! Os pés enterrados no solo firme de minha terra e minha pequenez terrena, humana e mortal, não me impedem de voar. Vôo e voarei sempre, ficando sempre aqui, na minha aldeia, no meu lugar, junto aos meus, às minhas plantas, aos meus velhos alfarrábios, às minhas mais remotas reminiscências, que, como a forja, a bigorna e o martelo do ferreiro moldam o ferro, me fizeram o que sou... em movimento! Sempre!

Rangel Junior disse...

Aninha!
O bom da vida é o movimento!
O bem que a gente se quer, a camaradagem e a solidariedade vermelha, sincera, revolucionária, estão correndo aqui, agora, nas minhas veias.
Imagine se o sangue fosse feito de glóbulos vermelhos, brancos e verdes!
Ô, coisa mais maravilhosa de bela!
Valeu o acompanhamento e as palavras generosas.

Anônimo disse...

Melhor seria se os glóbulos fossem vermelho e preto. Os meus acho que são...rsrsr

Anônimo disse...

Visitando o seu blog, tive a grata satisfação de saber que as últimas noticias e andanças foram maravilhosas.
Sobre Florbela, já conheço, e já tive o prazer de ouvir Santanna cantar ao vivo. Florbela é linda! Que que ela seja então o 'abracadabra', a palavra mágica que abrirá espaços a tanto tempo merecidos. Entre...ocupe esses espaços...se deleite... E continue se inspirando e compondo com essa intensidade que te fez tão tardiamente reconhecido. É isso aí!