26 de julho de 2014

Amigos e amigas.

Há 8 anos e meio resolvi criar este blog e de até aqui consigo que cumpriu razoavelmente aquilo que deu sentido à motivação inicial de sua criação.
Altos e baixos em termos de publicação, freqüência, periodicidade... Vejo que minha relativa regularidade e certa estabilidade em tantas outras coisas não se repete por aqui.
O ato de escrever continua sendo algo muito prazeroso pra mim, mas confesso que andei sacrificando-o por outras tantas escolhas menos felizes. Na maioria das vezes forçado pelas circunstâncias e noutras tantas por falta mesmo de volição. Não que tenha deixado de "ter coisas a dizer".
Não vou prometer nada que não possa cumprir, mas somente pelo fato de ter sentido saudade de bons contatos feitos, de boas interlocuções neste espaço, de fato, confesso que me bateu uma vontade danada de voltar a escrever com mais compromisso, publicar poemas, crônicas, contos, impressões do cotidiano...
O facebook não pode substituir um espaço como este que tem outra natureza, outros objetivos e se propõe também a alcançar outros interesses, longe da fugacidade de uma espécie de "linha do tempo" que cai e se renova a cada segundo.
Vamos ver se a vida me reserva e me oferece um pouco mais de paciência de modo a me permitir voltar sempre.
Vou ver se vocês ainda estão por perto.
Como dizia o pensador, na volta ninguém se perde.
52 chegando...
Todas as engrenagens funcionando (mais ou menos) em ordem... Hehehe
Ganhei uma garantia estendida ao nascer, pelo que sou agradecido.
Todavia, sinto que está chegando ao final do seu prazo.

O tempo dirá!

10 de junho de 2014

MANOEL MONTEIRO

A noticia do desaparecimento do Poeta Manoel Monteiro me deixou com aquele nó na garganta.

Compartilhei numa rede social a informação, com um banner, ainda na esperança de que algo de positivo acontecesse. Uma voz interior dizia que algo de muito errado estaria acontecendo e, nestas horas, um cético engole seco e torce para que o mais temível não tenha acontecido. Torcer aqui é pura força de expressão.

A noticia da sua morte provocou um enorme vazio e a sua viagem épica deixa uma enorme interrogação pra todos nós que gozamos do privilégio de sua convivência alegre e de sua grandeza humana e poética.

Dizer agora que Monteiro era um dos melhores, o melhor, o maior, o mais isso ou aquilo é chover no molhado.

Digo apenas que ele vai fazer uma falta imensa, deixa uma dor danada no coração de muito gente que lhe quer bem, que o admira e que conhecendo os seus tantos predicados valorosos, sempre se pergunta: por que tem que ser assim?

Ele escolheu assim!

Prefiro acreditar, como disse um poeta amigo, que ele escreveu o seu último roteiro, indicou o tema e o enredo completo (cinematográfico) do seu último cordel, já que ele mesmo não poderia escrevê-lo resolveu viver a história e deixar que outros a contem.

Não quis ser o escritor dessa história, mas simplesmente seu protagonista e personagem principal e personagem único e humanamente ativo.

Não adiantou ir embora, pois ficará pra sempre entre nos, na história da poesia popular brasileira, nordestina, paraibana, Campinense.
Nem deu tempo de abraçar ninguém, despedir de ninguém, avisar ninguém...
Fiquemos nós com estas interrogações enormes destas coisas insondáveis da vida humana.
Salve, Manoel Monteiro!

Presente!

29 de março de 2014

Jovens formandos da UEPB.

Minhas senhoras!
Meus senhores!

Se algo pode ser dito sobe a vida e estabelecermos apenas uma verdade absoluta sobre ela é que está sempre em movimento.

Tal movimento não é linear nem incessante, porém, é certo que acontece também de modo a permitir que tudo tenha suas fases, seus ciclos. Altos e baixos.

Assim como no planeta e na natureza temos verões e invernos, outonos e primaveras, na vida temos as mais variadas formas de manifestação das estações.

Humanos que somos, experimentamos momentos os mais diversos e mesmo díspares quando se trata do longo caminho da aventura humana entre o nascer e o morrer.

Vivemos momentos bons e momentos ruins. Outros nem tanto nem tão pouco.
Precisamos aprender sempre a reconhecer sua existência, suas formas de apresentação e aprendermos, portanto, a conviver com eles.

Se nos momentos de incerteza nos sentimos fragilizados, inseguros, duvidosos de que as coisas boas ainda acontecerão, de que somos vítimas infelizes do acaso ou da própria vida, certamente o aprendizado e a experiência nos darão mais adiante a clareza de que tudo passa, tudo muda, tudo se transforma, tudo se desmancha, renasce e volta de outra maneira para nos ensinar a viver a vida e sintonizar com o seu movimento.

Precisamos, isto sim, humildemente aprender duas lições fundamentais: em primeiro lugar aprender a não sermos derrotistas nos momentos de baixa, de negatividade de um ciclo; em segundo lugar aprender a não sermos auto-suficientes ou arrogantes nos momentos de alta, de positividade de um ciclo.

É nos momentos de alta que precisamos nos prevenir, guardar nossas reservas energéticas e morais para enfrentarmos os momentos de crise.

É nos momentos de baixa que devemos olhar para o horizonte, elegermos prioridades, operarmos com os elementos da coesão e da consciência e trabalharmos com mais afinco para que novo ciclo de bonança possa dali ser fecundado e elevar a todos a novo patamar... e assim por diante.

Saber lidar com ambos é essencial para o equilíbrio e a estabilidade de nossas vidas e, por extensão, de nossas famílias, dos grupos onde atuamos, das instituições que edificamos.

Aprenderemos então que nenhuma felicidade é eterna nem qualquer tempestade durará para sempre. Eu, por exemplo, se é que não fica piegas ou até mesmo arrogante se auto-exemplificar, venho me tornando mestre em aperreio, PHD em desatar nós e pós-doutor em sofrimento. E isto é só o começo! E ainda consigo sorrir em quase todos os momentos ou ao menos depois de passada cada tormenta.

Estamos aqui hoje diante de um enorme contingente de jovens que celebram o fechamento de um ciclo. No caso, talvez o mais importante e mais destacado de suas vidas até este momento.

Meus caros formandos e formandas.

Peço-lhes um minuto de sua atenção e sugiro que façam um pequeno exercício: caso estejam ao lado do pai ou da mãe olhem para ele, para ela. Toquem o seu braço, a sua mão...observem a sua expressão de regozijo, de orgulho, de silenciosa felicidade.

Se sua mãe ou seu pai não estiverem por perto ou nem mesmo mais em nosso meio, por favor, façam um esforço para imaginar o brilho do seu olhar, a expressão de orgulho e contentamento por você estar aqui hoje, neste exato momento, dizendo: agora eu sou graduado! Agora eu sou formado pela UEPB! Ou como diziam os antigos, enchendo o peito: "MEU FILHO AGORA É DOUTOR! MINHA FILHA AGORA É DOUTORA!"

Carreguem este momento em suas memórias! Não esqueçam de que muito mais que uma realização pessoal, este momento é uma realização daqueles que cuidaram de vocês cada segundo para que estivéssemos aqui hoje. Mães e pais.

Como vocês disseram no juramento que acabaram de fazer, honrem o nome a instituição que vos formou. Honrem o nome, a história e a memória dos seus país e mães.

E se eu perguntasse três coisas? Pra chegar até aqui...
PRIMEIRO: foi fácil? Certamente vocês responderão com um sonoro NÃO,
SEGUNDO: foi ruim? Seguramente vocês responderão com um sonoro NÃO,
TERCEIRO: VALEU A PENA? A resposta é com vocês!

E sobre os obstáculos que aparecerem no caminho, não se esqueçam, olhem pra eles frente a frente, nos olhos, cara-a-cara e com inteligência, paciência, persistência, enfrentem a todos. Superem todas as barreiras!

Lutem por seus sonhos e nunca desistam deles! A prova de que dá certo está aqui, nas mãos de vocês, no coração de vocês, na vida de vocês. E nós todos somos testemunhas disso.

Agradeço e parabenizo a todos vocês em nome do corpo docente e técnico-administrativo da UEPB por terem acreditado nesta instituição que completou 48 anos ainda nesta semana que se encerra.

A partir de agora vocês não estarão mais na UEPB, mas ela seguirá com vocês até o fim de vossos dias. Vocês levarão a UEPB aonde forem e a levarão em lugar seguro, nas mentes e nos corações de todos e de cada um.

Será assim por todos os dias bons e difíceis que tiverem de enfrentar. Levem a memória deste tempo que atravessaram com tão rica experiência. Levem na memória as lutas que travaram, os conflitos que viveram, as festas que fizeram, as noites que perderam...e se perderam foi pra ganhar o que agora estão recebendo.

Foi uma boa troca! Foi por uma boa causa! Nenhuma noite foi perdida! Nem as dos incansáveis estudos, ou das orações nem as da festas. Todas compuseram a obra inconclusa que segue a partir daqui por novos e ainda desconhecidos caminhos.

Desejo muitos êxitos pela vida que segue e que vocês nunca se afastem do caminho do bem, da justiça, da ética, da solidariedade, da fraternidade, do bom senso, do caminho dos justos. Mesmo diante das mais difíceis tempestades.

TENHAM MUITO ZELO. PRESTEM MUITA
ATENÇÃO COM O QUE FARÃO COM A VIDA DE VOCÊS DAQUI EM DIANTE. Com o legado que receberam desta bela e comovente história.

Tenham uma boa noite e um bom retorno para o coração e o aconchego dos seus lares.
Muito obrigado.

Prof. Rangel Junior
Via iPad

21 de outubro de 2013

EPITÁFIO

Ali jaz um amontoado de restos outrora humanos
Aqui jazem infinitas memórias de um futuro interrompido
Ali o tempo opera lentamente sem areia escoando na ampulheta
Aqui as horas se sucedem inexoravelmente velozes.
De tudo que a vida ofereceu e ainda está nalgum lugar
Apenas vagas sombras o acompanham rumo ao nada.
Águas idas movem palhetas de novos e velhos moinhos.
Vida é e será sempre o que está sendo.