30 de junho de 2026

As Paixões e os Espelhos

Os mais antigos viviam repetindo uma frase que a vida insiste em confirmar: paixão não é boa conselheira.


Na juventude, a gente costuma rir dessa sabedoria. Afinal, quem está apaixonado acredita que descobriu uma exceção às regras do mundo. Mas o tempo, esse professor que não aceita recursos, acaba dando sua aula.


A paixão amorosa é como chuva de verão. Chega com trovões, relâmpagos e promessas de eternidade. Faz o coração correr mais depressa e colore até as segundas-feiras. Mas ela tem apenas dois destinos.


O primeiro é o desencanto. Um dia, o príncipe ronca. A princesa também acorda de mau humor. As asas imaginárias caem no chão da cozinha e, sem elas, sobra apenas a vida como ela é.


O segundo destino é bem mais bonito. A paixão também morre, mas morre como a lagarta. Deixa de existir para que outra coisa nasça. Transforma-se em amor: menos fogos de artifício, mais lamparina. Ilumina menos o céu, mas clareia a casa por muito mais tempo.


Com a paixão política, porém, a história costuma ser diferente.


Ela raramente se transforma. Vive de mitos, de salvadores, de discursos perfeitos e de fotografias cuidadosamente enquadradas. Apaixonados por líderes enxergam gigantes onde existem apenas pessoas. E pessoas, por definição, carregam virtudes, defeitos, vaidades, contradições e tropeços.


Mais cedo ou mais tarde, a cortina se abre. O herói desce do pedestal. Não porque tenha mudado completamente, mas porque ninguém consegue morar para sempre na altura em que seus admiradores o colocaram.


Talvez o maior erro não seja dos líderes. Talvez seja dos espelhos que fabricamos para eles. Polimos tanto a imagem que esquecemos de deixar espaço para a humanidade.


No fim das contas, amar pessoas é saudável. Admirá-las também. O perigo começa quando a admiração troca os pés pelo altar.


E talvez seja por isso que os velhos tinham razão: quem transforma gente em mito acaba colecionando decepções; quem aceita que toda gente é apenas gente aprende a gostar e até admirar, porém sem perder jamais a capacidade de pensar criticamente e a liberdade de ser, sem os grilhões da ignorância e fé cega em pessoas. 

14 de abril de 2026

RESPONDENDO SOBRE CANDIDATURA MINHA


Foto: Guilherme LR

Minha avaliação sobre tema "candidatura a cargo eletivo" é bem simples e um pouco egoísta, confesso.

Sou militante político do mesmo partido, o PCdoB, há 40 anos.

Tenho identificação, propósito, compromisso e afinidade até mesmo afetiva.

Uma vantagem: preciso do partido para me sentir bem. Isso tem a ver com pertencimento. Algo que sinto também em relação à UEPB. Não preciso do partido para mais nada além disso. Gosto de servir e não de "me servir" dessa condição.

Não é altruísmo, não é que deseje ser exemplo de nada para ninguém. Porém, no fundo é uma sensação de que este é o meu lugar. 

Por outro lado, os 64 de idade, que completarei este ano, me dizem para desacelerar, cuidar mais de alguns sonhos antigos, olhar mais para dentro, para a família, ajudar amigos, transmitir alguma experiência, aprender coisas que passei anos querendo aprender, mas não fazendo efetivamente.

Na condição de psicólogo há 38 anos, e professor há 41 anos, com relações de trabalho registradas há 46 e trabalhador, de fato, há 55 anos... como posso falar sobre qualidade de vida, envelhecimento saudável e bem scedido, se não cuidar eu mesmo de fazer isso comigo?

Enfim, apoio e aposto nos/nas mais jovens, que revelem algum talento e compromisso com certos padrões elementares de ética social e política, e com "sangue nos olhos", cheios/cheias de vontade de fazer coisas novas.

A música me convoca, a literatura me provoca, a vida com arte me convida e aproveitar o tempo de vida que me restar, para fazer coisas que me apaixonem e me renovem, que me movam e me seduzam, que me abram caminhos a novas perspectivas de bem viver.

É isso!