9 de outubro de 2012

RECLAMAR PRA QUÊ?


Acordei na madrugada pensando já ser dia claro. Dentre as várias ideias mirabolantes pra passar o tempo que me vieram ao juízo, uma delas indicava um poema. Desisti rapidamente. Foi-se embora o poema antes de nascer.

Entre levantar da cama e tentar dormir novamente, incomodado com uma breve dor no estômago (efeito colateral de remédios pra coluna e tendinite), nem fiz uma coisa nem outra. Nem levantar, nem escrever poema, nem registrar ideias pruma breve crônica no blog (abandonado há mais de um mês)... 

O que mais me incomodou, e acordei abraçado com esta ideia, foi a constatação de que estou tomando mais remédios do que minha mãe, quando faleceu há três anos, aos 71. 

Dores musculares fortíssimas nas costas, tendinite no cotovelo, taxas disso e daquilo, rinite alérgica, sinusite, faringite... Ao todo 12 remédios diários, de 8 tipos diferentes. Não acrescento o polivitamínico pra não mudar o primeiro número já citado. Aí já seria demais mesmo. 

O mundo da política pegando fogo com o segundo turno das eleições municipais, as articulações a mil nos bastidores, mil tarefas a cumprir, tese pra revisar, aula às 7h da manhã, planejamento na UEPB, 5 músicas pra ensaiar (retorno da Banda Mentallica, com Psicólogo Eugênio Felipe, Sergio Murilo, e Gilvan Music), 3 composições novas pra entregar a Edmundo Gaudêncio pra seu “Auto do Conselheiro”...Livro de Efigênio Moura (Santana do Congo) pra ler e pitacar...Projeto do CD/DVD (FIC) pra entregar...e os meninos pra criar e educar.
 
Hômi! Seu minino! Reclamar pra quê?
 
Eu vou é viver a vida!


 

16 de setembro de 2012

CRIANÇA DIZ CADA UMA...II

Depois de uma tarde de atividades bem legais no colégio, a mãe pergunta pro moleque se ele está gostando mais da escola agora.
- É! Agora eu tô gostando sim. Mas ainda gosto muito da outra minha escolinha.
Tentando colocá-lo em dificuldade eu pergunto:
- Então, quer voltar pra estudar na outra?
A resposta não poderia ser mais curiosa.
- Eu queria fazer dois clones. Um estudaria no Rosa Mística e o outro no Motiva.
- Mas com dois clones ainda sobraria um, não?
- Sim! E eu ficaria em casa só vadiando...
O jeito foi rir muito.

14 de setembro de 2012

CRIANÇA DIZ CADA UMA...

Hora do almoço. O menino impertinente solta a pergunta entre uma colher e um garfo, assim sem mais nem menos:
- Papai, deus existe?
Surpreso o pai vai rodeando, rodeando...
- Filho, essa não é uma pergunta pra se responder apenas SIM ou NÃO. Precisamos conversar sobre o assunto.
- Eu acho que ele não existe - solta o moleque, na bucha.
O pai, a esta altura, sem querer abrir um grande debate diz:
- Não, filho, não é bem assim. É que... Bem! Se a pessoa acreditar que ele existe, então ele existe. Se a pessoa não acreditar, então ele não existe.
O guri solta o verbo com uma segurança de aviador:
- Pra mim ele não existe!
- Vamos fazer o seguinte: depois a gente conversa sobre isso, com mais calma, tá certo? Assevera o pai tentando encerrar o assunto.
E o almoço continua...

7 de setembro de 2012

RETRATO


...pois, estar ali tomado de uma lassidão espartana, esparramado na velha poltrona, a preguiça dominando completamente o corpo depois de me fartar de carne de bode guisada, fava verde com farinha, e um arrozinho branco, lavado, tudo antecedido por duas ou três doses de caçhaça boa, boas risadas, sutis reminiscências, a prévia gastronômica regada à boa prosa maneira, aquele clima de quase ficção, as ventas entranhadas dos odores todos de minha infância espalhados no ar da cozinha, o vento fresco que vinha da porta da frente amainando o calor do verão, aquela mão miúda, calejada da lida e enrugada dos 70 dezembros a afagar-me os cabelos me deixando mais criança do que já era... Quisera eu saber naquele momento que tudo era cena que se tornaria apenas lembrança, sentimento vago e doloroso, cicatriz no peito, lágrima salgada, dessa bruta saudade daquela velhinha danada que sabia como ninguém sobre as veredas da vida. Não congelaria o tempo em respeito à vida, mas teria prestado mais atenção aos detalhes pra que o tempo e sua fama de varredor de memórias não danificasse nada daquele retrato singelo de um começo de tarde qualquer. Em meio ao vendaval, aqui e agora, cadê? Cadê? Eita, Dona Neide! Bons tempos! Bons tempos!

21 de agosto de 2012

MEU DICIONÁRIO BREVE

PRA BONS/BOAS ENTENDEDORES/AS...

recesso
 |é| 

(latim recessus, -us, recuo, afastamento, lugar retirado) 
s. m.
1. Lugar recôndito.
2. Lugar íntimo ou escondido. = ESCONDERIJO, ESCONSO, RECANTO, RETIRO
3. O que é mais íntimo. = ÂMAGO, IMO
4. [Direito]  Acto de uma das partes se retirar de acordo, convenção, contrato, etc.
5. Suspensão ou interrupção de actividades ou de trabalhos.
adj.
6. Que é íntimo ou está escondido.

quarentena |ê|
s. f.
1. Número de quarenta.
2. Oração pública ou festividade que se repete durante quarenta dias.
3. Demora que devem ter num lugar isolado as pessoas e mercadorias, provenientes de país atacado de epidemia.
de quarentena: até ulterior exame, em observação, de reserva.
laudémio de quarentena: o que vale a quadragésima parte do foro.


clausura
s. f.
1. Vida de claustro.
2. Estado de quem não sai de casa, e vive nela com retraimento.
3. [Figurado]  Claustro, convento.
( http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=clausura )


Recomendo fortemente a quem gosta (ou precisa) de escrever sempre o uso do PRIBERAM e do ORTOGRAFA