29 de maio de 2009

SE RAIMUNDO SOUBESSE LER... E FOSSE MAIS PACIENTE...

Eis o cartaz que Raimundo deveria ter visto (e lido) antes de sair feito baratinado, burro de carroça, doido de pedra, em direção à casa da ex e dar-lhe três tiros no meio dos peitos. De quebra, ainda passou bala na filha de 3 anos que assistia a tudo. Morreram as duas. Ele, afinal, já estava morto mesmo. O Morro do Macaco nem ficou de luto, pois pouca gente a conhecia. Tinha chegado ali há poucos dias. Deu trabalho pra localizar parentes e tudo. Não tivesse saído na televisão e naquele jornal espalhafatoso...
Pagamento só depois de resolvido. Pense num negócio garantido. Melhor que carro com garantia de 5 anos pra motor e carroceria. Melhor que garantia de camelô, em bom portunhol, "la garantía soy yo".
"Não queria ser minha, não seria de ninguém", teria dito ele a um pareceiro de mesa de mar, antes de tomar quase um litro de 51 "pra criar coragem". O amigo até ainda aconselhou dizendo que "o mundo estava cheio de mulher", mas ele retrucou que "só queria aquela e ou seria ela ou nenhuma, nem que apodrecesse na cadeia". Fez lá umas contas e imaginou que pegando uns 30 anos, começaria a progredir em 10 anos e aí, com 35 ainda dava tempo de fazer muita coisa. No cálculo não entrava a soma dos anos de condenação pela morte da filha. Aliás, parece que não estava em seus planos, mas, como diz o ditado, estava no lugar errado e na hora errada.
Três dias de espera era do que o desvairado precisava pra resolver seu problema e poupar a vida da mulher e da filhinha. Se soubesse ler, poderia ter visto o cartaz ou, quem sabe, a pichação no muro...
Imagine, se fosse menos ansioso, 48 horas...

27 de maio de 2009

É BONITA, É BONITA E É BONITA

O movimento da vida, do nascer, crescer, desenvolver, morrer deveria ser entendido, ao meu ver, não um fim em si, mas simplesmente como parte do processo. Uns se agarram à idéia de vida eterna, vida depois da vida, moto contínuo, eterno retorno, outros tentam inultilmente eternizar a juventude, outros gastam as burras de dinheiro com um sonho de congelamento do corpo carcomido pelo tempo na esperança de avanços científicos no futuro poderem trazê-lo de volta. Mas é preciso perguntar, de volta pra onde se o tempo já será outro? De volta pro futuro, pois ele, o futuro, pode ser o 'bom presente' que ganhamos quando construímos um bom presente. Longe dessas idéias de eternidade, prefiro ser eterno (enquanto dure na lembrança de alguém) em alguma canção, nalguma besteira que disser e provocar uma livre e sonora gargalhada em alguém, num momento de pleno gozo. Eterno também pela possibilidade de ser tudo que puder ser agora. Meu pai morreu num dia exatamente como hoje, há 32 anos. Amanhã João Bosco, meu irmão mais novo, faz aniversário. Hoje, minha amiga Socorro Dantas também faz aniversário. Quantos no mundo se regozijam pelo simples prazer de estarem vivos, junto aos seus, e quantos outros não se lamuriam pelo desgosto de não terem o que inventaram de desejar sem que a vida lhes permitisse? É nisso que dá desejar o inatingível. Desejo e sonho não são a mesma coisa. Pro primeiro eu creio que há sempre limite, mas, será que há limite pros sonhos? Esta semana Vinícius acordou angustiado dizendo que "um pescador bem grandão queria me pegar e estava zangado porque eu havia colocado um monte de argolas nele". Descobri depois que eram algemas. E ele, do alto de sua inocência disse: "mas papai é fortão e fez 'bum' no caçador e derrubou ele...". Ainda bem que o pai terminou como herói! Pior foi num sonho meu em que eu estava sendo acusado de ter assassinado nada mais nada menos que Che Guevara. Pode? Por essas e outras que ando preferindo sonhar com os olhos abertos e em plena rua. Quanto ao desejo de continuar eternizando a juventude, não corro atrás dessas coisas, mas também não tenho de que reclamar. Um amigo que fiz há poucos dias jurou que eu o estava enganando, aumentando a minha idade. É o novo! Isso é coisa de jogador de futebol. Mas na vida é assim: a gente tem 17 e sonha em ser mais velho. Depois tem trinta e poucos e está satisfeito. Depois tem quarenta e uns e fica sonhando ter uns vinte e poucos, mas com a cabeça e a estrutura material que conseguiu até agora. Delírios! Não tenho essa vocação, nem pra delírio recalcado em relação ao tempo vivido e /ou por viver, muito menos de vocação pra Lobo mau. Aliás, pra lobo nenhum. Daqui de onde vejo o mundo e depois de umas coisas que ando aprendendo, acho que o melhor mesmo é tentar eternizar a infância. Ou, de outro modo, buscar sempre a infância das coisas e essa maravilhosa sensação de estar sempre começando, sem medo, sem vergonha de demonstrar ignorância, sem pejo ou censura pra 'certas infantilidades' que nos vêm ao juízo quando em vez.

25 de maio de 2009

NO RETORNO... UMA LINDA CANÇÃO

Não foi por preguiça nem falta de assunto. Peço desculpas às (aos) minhas (meus) visitantes. Viajei - pra conhecer e tirar um folga - até Cabo Frio, desde sexta-feira e o acesso à internet estava horrível. Maravilhas do serviço 3G da TIM. Estou satisfeitíssimo! Encantado! A areia de praia mais branca e macia que já vi em minha vida, parecendo talco, jeito tranquilo, gente pacata, amigos novos e de primeira, seresta na praça no sábado à noite, friozinho gostoso devidamente resolvido com vinho da Serra Gaúcha e Caldo Verde. Combinação esquisita? Nem ligo! Voos rasantes de Gaivotas, a três metros de minha cabeça, pescando em plena praia movimentada, curtição, repouso absoluto e entrega aos de casa. Razões de sobra (somadas à TIM) pra não ter postado nada desde então. Tenho uns assuntos pra conversar durante a semana e espero arranjar tempo pra espalhar por aqui no Blog. Levei o violão e nem o tirei do case. Voltei com algumas canções na cabeça e hoje, lembrando de Taiguara, meu filho, fui em busca de ouvir algumas canções do Taiguara original. É de arrepiar sempre, parar e ouvir com carinho o sujeito cantando. Tive contato com suas músicas no início dos anos 80 e esde então me tornei seu admirador, dentre várias razões de ordem estética e por sua bela história de vida comprometida com o sonho, com um ideal, com a luta pela mudança do mundo e o amor entre os humanos. Pesquei do youtube esta canção que oferto pra vocês hoje, na completa falta de condições de escrever à vontade, pois tenho umas 50 páginas pra ler e anotar daqui pra amanhã. "QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES SOBRE OS MUROS / E ENSINEM SONHO AO QUE NÃO SOUBE AMAR SEM DOR / E QUE O PASSADO ABRA OS PRESENTES PRO FUTURO QUE NÃO DORMIU E PREPAROU... O AMANHECER!! AINDA, QUEM QUISER OUVIR A MÚSICA COM O SOM MELHOR, MAS NÃO É AO VIVO, PODE CLICAR AQUI... MEU ABRAÇO E BOA SEMANA PARA TODAS (OS).

21 de maio de 2009

QUEM SABE

A cantora Sandra Belê gravou recentemente duas composições de minha autoria: Só de Escutar a Tua Voz e Do Céu ao Paraíso. Vou disponibilizá-las no palcomp3, com a sua interpretação, claro, tão logo tenha um tempinho.

POR ENQUANTO, EIS A LETRA DE "QUEM SABE", LANÇADA NO SHOW AUTORAL, DIA 12 DE MAIO.

"quem sabe a gente ‘inda se encontra

sem medo, sem fazer conta

do que o povo diz.

quem sabe a vida num sorriso

nos mostrando o paraíso

deixe a gente ser feliz

quem sabe a gente de mansinho

voe como passarinho

sem ter antes nem depois

quem sabe aquele amor tão puro

emprenhado de futuro

dê um tempo pra nós dois.

quem sabe uma chuva benfazeja

determine essa peleja

do sonho com a lembrança

quem sabe a gente esqueça tudo

seu olhar me deixe mudo

mas acenda a esperança

quem sabe um beijo aconteça

esse amor somente cresça

e a gente volte a ser criança!"

É ISSO! P.S. Por hoje é só, pois tenho um dia pleno de atividades até o início da noite. Não sei do meu estado no retorno, principalmente depois de duas noites de "peias" seguidas: uma no meu Campinense na terça, em pleno Amigão e outra ontem à noite no Tricolor, no Maracanã. E eu estava lá... Fiz minha parte!

20 de maio de 2009

FAZ 21 ANOS, MAS PARECE QUE FOI ONTEM

Era uma tarde, 18 de maio de 1988, mais fria àquela época em Campina. Taiguara nasce às 14:20h, na antiga Clínica Mater Dei, na Av. Floriano Peixoto. Por volta das 16h saio já com documentos em direção ao cartório e também porque havia um ato público na Praça da Bandeira e eu havia me comprometido em passar por lá pra cantar algumas canções. Por uma dessas coincidências fantásticas da vida, encontro o amigo Zé Martins (o grande Zé de Cazuza) na calçada da Clínica. E o que isso tem a ver com o nascimento do meu primeiro filho? Estive contando outro dia pra ele como havia apostado com Zé Martins sobre quem nasceria primeiro, se a filha dele (Yasminne, que completa amanhã seus 21) ou o meu, e a natural dívida de cervejas que o outro teria caso perdesse. Mas não deu outra. Mostrei ao perdedor o documento do hospital e depois dos abraços, aquele sorrisão do tamanho do mundo, nos dirigimos à bodega mais próxima, há uns 20 metros descendo a avenida, na esquina onde hoje funciona um mercadinho. Depois de muita resenha e algumas cervejas, creio que umas quatro ou cinco, subimos à pé para o centro da cidade e já o registro do cartório ficaria pro dia seguinte, pois na Praça da Bandeira o Ato Político já avançava e fui prontamente convocado pra subir à tribuna. Soy Loco Por Ti América, com os devidos comentários de homenagem ao rebento que acabava de chegar ao mundo e o destaque do seu um nome, que queria dizer em Tupi "homem livre; forro; aquele que não se deixa escravizar". Na sequência Cuitelinho e Viola Enluarada. Estava inspirado e ainda, por felicidade dessas coincidências da vida também, o sujeito do som, comovido com aquela declaração de amor, presentou-me com uma fita cassete contendo a gravação da minha apresentação. Ainda a tenho e tentarei digitalizá-la pra mostrar aqui um dia qualquer. Faz 21 anos, mas parece que foi ontem. Já ouviu essa frase antes? Pois é, quando a memória está acesa e o tempo vai passando a gente se habitua a essas expressões. Mas é pura verdade. Lembro de cada cena daquele dia, detalhe a detalhe, apesar de não ter uma memória tão boa pr'essas coisas. O velho tema do tempo me aparece quando vem uma comemoração do tipo. Nem pude estar junto dele, mas tenho consciência que é uma das minhas produções mais visíveis e melhores, bem mais que todos os CDs gravados, os textos e poemas escritos ou canções compostas, pois é vida. Talvez seja, juntamente com Vinícius (minha obra mais recente), as únicas que gosto de apreciar, de ver de perto ou à distância, em regozijo e das quais me orgulho. O tempo e a vida têm sido generosos comigo e sou-lhes grato por isto. Ainda esperando viver muito pra acompanhar os desdobramentos destas obras inacabadas, mas como toda obra humana, em busca da inatingível perfeição, a única coisa que pode fazer de cada um alguém sempre melhor. Se conseguir ensinar-lhe isso, certamente os ajudarei a continuar a obra... ad infinitum!