1 de agosto de 2006

AMIGOS SÃO COMO NUVEM...

Você não os vê, às vezes, mas eles estão lá! Em algum lugar! Os seres humanos precisavam viver perto, viver juntos. Era uma questão de sobrevivência para continuarem sendo isso, humanos. E dando-se conta do quanto era chato tal necessidade inventaram o amigo. Não bastava estar perto, não bastava estar junto, não bastava ser um apoiador do outro. Os humanos acharam por bem de inventar a amizade. Amizade é essa coisa esquisita que faz com que as pessoas fiquem perto estando longe, sejam presença quando a geografia e o cotidiano dizem pra ser longe. Longe? Onde é mesmo tal lugar? E desde quando a gente realmente não se fala? E desde onde a gente de fato não se vê? Pro amigo não existem tais situações. Você lembra, revê uma foto antiga, relembra, encontra e aí não existe essa de não estar perto. Amigo, mas amigo de verdade é como colhão de porco: está sempre junto! E quando não está junto está por perto e quando não está por perto está nalgum lugar que a gente não sabe, mas está dentro. Tão dentro que basta um lampejo de relembrança, uma faísca de memória e lá vem ao lado de sua companheira inseparável, a saudade. Ora, quem disse que estivemos tanto tempo sem nos vermos? Parece até que foi ontem! Parece que nunca deixamos de nos falar. Parece que não mudamos, parece que nem crescemos, meu amigo, minha amiga! Mas crescemos tanto que sobra lugar pra mais amigos e o seu continua aqui. Dia do amigo deveria ser todo dia! Na verdade, todo dia é dia do amigo, dia da amizade, dia de celebrar a vida e esse jeito bonito de seres humanos se sentirem importantes. Já pensou como você se sente importante quando descobre que um (a) amigo (a) o (a) reconhece como amigo (a)? Amigos não se separam pela pele, por membranas. Amigos não se exploram. Amigos não usufruem um do outro. Amigos não se bastam a si mesmo, precisam saber que o outro existe. E quando o outro não existe mais fisicamente continua existindo na lembrança. Amigos são mais que irmãos, que a gente ganha de presente, com informação genética parecida, pai, mãe e casa. Amigos a gente planta, cuida, rega e nunca poda. Deixa que a natureza faça sua parte. Mas, a parte fundamental somos nós que fazemos. Amigos são mais que irmãos porque são construção permanente, sem projeto. Amigos são como música, mas não precisam ser tocados pra existirem, porque são tocados por sonoridades inaudíveis, são executados por instrumentos inexistentes fisicamente. Aliás, sentimento é física? Se não for deve ser ao menos energia em movimento. Então é coisa que não se pega, não se apalpa, não se toca, mas nos toca! Amo você, meu amigo, minha amiga! Pra mim, dia do amigo é hoje, é agora! Quando precisar de um ombro, de uma mão, de um olhar, de um gesto, de uma palavra, de um colo, aqui estarei. E se não precisar de nada, não se preocupe. Nossa amizade não precisa de nada, apenas de continuarmos sendo eu e você. Haja o que houver você continuará existindo dentro de mim!

20 de julho de 2006

RECITAL NO XXXI FESTIVAL DE INVERNO DE CG

Acompanhado do meu violão, Waldenor Fonseca no contrabaixo e violão de 7, Edmilson Santos na percussão, apresentei um repertório completamente voltado para meu trabalho de compositor. Radicalizei! Cantei apenas canções de minha autoria, sendo dez delas inéditas e que deverão compor parte do repertório do novo DC - Disco Compacto. Uma presença maravilhosa de amigos e amigas, mutia gente da UEPB, um público educadíssimo, generoso e receptivo para conhecer coisas novas. Uma experiência para levar na lembrança e retomar muito em breve. A foto é de Camilla, minha namorada, mulher e mãe de Vinícius. E agora retratista! Já pensou? Gostei enormemente de ter cantado lá, apesar de saber que teria me sentido mais confortável num palco em ambiente fechado, mesmo que num pequeno auditório. O público sentado, concentrado, sem o barulho dos carros e tanta coisa do centro da cidade para chamar a atenção (inclusive a minha!) teria seido bem melhor. A coordenação do Festival está de parabéns. O público tem gostado bastante da iniciativa de levar todos os espetáculos da música para a praça. Vou cair em campo e mandar ver no disco novo. Inté!

18 de julho de 2006

FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPINA GRANDE

FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPINA GRANDE Mais ou menos ao estilo da foto - um banquinho, um violão - cantarei na Praça da Bandeira neste dia 19 de julho, às 17:30h, na programação oficial do 31º FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPINA GRANDE. Será oportunidade pra mostrar o novo repertório do CD NORDESTINO BRASILEIRO (título provisório) que gravarei ainda este ano de 2006. De xotes, sambas, bolero, reagae, guarânia, marcha, galope, martelo, canção e outras variações da musicalidade brasileira-universal com sotaque fortemente nordestino. Estarei acompanhado de Waldenor (contrabaixo) e Edmilson Santos (percussão). A expectativa é boa e muita gente deve estar por lá. Boa chance para trabalhar com um público receptivo, ávido por música sem apelação como a imensa maioria do que temos escutado nos últimos meses na cidade. Tentarei postar depois uma foto do Show. P.S. Andei fora do ar no blog por uns dias, pra variar. Também pudera! A Universidade, e nela o meu trabalho, tem sugado energia ao extremo e vou "puxar a tomada" por uns dias. Saio do ar depois da Colação de Grau. Não dá pra continuar! Definitivamente! Tou mais ou menos como bateria de celular quando está pra desligar... Tentarei escrever e manter o blog atualizado com informações e impressões das coisas, fatos, pessoas e eventos. Vou ficando por aqui!

12 de julho de 2006

QUEM SOU EU

PERGUNTADO "QUEM SOU EU" SAÍ COM ALGUNS VERSOS... S Sou meio destrambelhado / Sempre chegando atrasado / Vivo sempre apaixonado / Só assim vejo sentido / Sou como chão de estrada / Vivo levando porrada / Ô, vida desmantelada / Essa que tenho vivido. Às vezes sou meio gente / Às vezes sou meio bicho / Quase sempre estou contente / Igual a pinto no lixo / Quando a vida faz careta / Feito "boi-da-cara-preta" / Respondo c'uma munganga / "Isprito" de cangaceiro / Feito entidade em terreiro / Num tem quem me bote canga. De Dona Neide sou filho / E também de Seu Tonito / Bom de mote e estribilho / Não sou feio nem bonito / Um cab'assim, mais-ô-meno / Nem muito grande ou pequeno / Nascido em Juazeirinho / Pode não saber saber de tudo / Mas não sabe ficar mudo / Fazendo o próprio caminho.

10 de julho de 2006

Zidane é o melhor!

A poderosa FIFA decidiu o que todo mundo já vinha pensando, dizendo e já havia decidido: o jogador francês Zinedine Zidane foi o melhor jogador da copa do mundo de 2006. Em meio a um festival de besteiras, a grande mídia brasileira ficou o tempo todo com dor de cotovelo, apesar de haver incensado o francês durante toda a copa, principalmente depois do verdadeiro espetáculo diante da equipe brasileira. O sujeito jogou todas as partidas, liderou sua equipe, foi substituído algumas vezes sem ficar amuado e quando não deu pra fazer espetáculo fez o essencial, o feijãozinho com arroz necessário pra sua equipe vencer. A grande pergunta é: o que levou um fino cidadão francês, um craque tão destacado, um atleta exemplar, um “homem gentil”, no dizer dos colegas, um pacato sujeito pronto a ser modelo de boa índole e de artista da bola a perder a cabeça e atacar (com ela mesma, literalmente!) um adversário feito um bode caririzeiro? Depois de ter dado todo esse espetáculo nos gramados europeus, ganhar o título de melhor jogador do mundo, anunciado sua aposentadoria tão logo a França saísse da copa (sem a soberba de alguns que tinham a certeza de que seriam campeões, pois “eram e continuam sendo os melhores do mundo”!), o craque francês fez o que ninguém esperaria de um homem com tantos atributos: não resistiu a certas provocações de um adversário italiano e deu-lhe uma cabeçada, uma verdadeira bordoada. Acho até que ele teve o cuidado de não descer muito, pois teria atingido, como eu escutava lá em Juazeirinho “a boca do estambo” e fatalmente o atleta teria sido nocauteado, saído de ambulância e outros teatros do gênero. Neste caso, a comoção seria maior e as cobranças idem. Concordo com o coro dos globais e acho que Zidane mereceu ser expulso naquele jogo pela agressão física ao jogador italiano. Entretanto, condená-lo como se aquele ato tivesse enterrado toda sua história e o brilhantismo de sua participação na copa de 2006 é como se fosse uma vingança pelo que os nossos craques não jogaram. Pior: nossos super-famosos craques não jogaram, não deram espetáculo, não se zangaram, não xingaram, não brigaram, não choraram na derrota, não nada. Passearam na Alemanha e voltaram reafirmando o que diziam deles na ida: “são os melhores do mundo, de fato”. O problema foi a bola. Ela, a maltratada gorduchinha, não deu muita atenção aos nossos astros e preferiu ficar com os mortais franceses e italianos. Zidane com seu ato imprevisível provou que é mortal, tem sentimentos, se descontrola, não leva desaforo pra casa, chora, sorri, se emociona… é gente. Mereceu o título de melhor da copa. Acho até que mereceria ter ganhado a própria copa. Ao mesmo tempo seria um consolo pra nós não ter um selecionado tetra-campeão, coladinho no Brasil, não? Zidane provou que tem tutano, brios, sangue correndo nas veias. Ao contrário dos nossos super-astros, ou como alguns gostam de dizer “galácticos”, que foram frios, broxados, covardes, caíram em desgraça quando acreditaram de forma arrogante que eram, junto com o insosso Parreira e o caquético Zagalo, os melhores do mundo. Faltou combinar com os adversários para que eles também acreditassem. Ninguém acreditou. Nem Croácia, nem Austrália, nem Japão, nem Gana, muito menos França. Fomos um fiasco e alvo da chacota mundial. Todas as seleções voltaram aplaudidas pra casa, mesmo algumas eliminadas na primeira fase. A nossa saiu daqui derrotada pela petulância. Como dizíamos lá em Juazeirinho, comendo frango de granja e arrotando faisão. Comendo ova de curimatã e arrotando caviar. Foram vítimas da própria arrogância. Bem feito!