10 de junho de 2014

MANOEL MONTEIRO

A noticia do desaparecimento do Poeta Manoel Monteiro me deixou com aquele nó na garganta.

Compartilhei numa rede social a informação, com um banner, ainda na esperança de que algo de positivo acontecesse. Uma voz interior dizia que algo de muito errado estaria acontecendo e, nestas horas, um cético engole seco e torce para que o mais temível não tenha acontecido. Torcer aqui é pura força de expressão.

A noticia da sua morte provocou um enorme vazio e a sua viagem épica deixa uma enorme interrogação pra todos nós que gozamos do privilégio de sua convivência alegre e de sua grandeza humana e poética.

Dizer agora que Monteiro era um dos melhores, o melhor, o maior, o mais isso ou aquilo é chover no molhado.

Digo apenas que ele vai fazer uma falta imensa, deixa uma dor danada no coração de muito gente que lhe quer bem, que o admira e que conhecendo os seus tantos predicados valorosos, sempre se pergunta: por que tem que ser assim?

Ele escolheu assim!

Prefiro acreditar, como disse um poeta amigo, que ele escreveu o seu último roteiro, indicou o tema e o enredo completo (cinematográfico) do seu último cordel, já que ele mesmo não poderia escrevê-lo resolveu viver a história e deixar que outros a contem.

Não quis ser o escritor dessa história, mas simplesmente seu protagonista e personagem principal e personagem único e humanamente ativo.

Não adiantou ir embora, pois ficará pra sempre entre nos, na história da poesia popular brasileira, nordestina, paraibana, Campinense.
Nem deu tempo de abraçar ninguém, despedir de ninguém, avisar ninguém...
Fiquemos nós com estas interrogações enormes destas coisas insondáveis da vida humana.
Salve, Manoel Monteiro!

Presente!

29 de março de 2014

Jovens formandos da UEPB.

Minhas senhoras!
Meus senhores!

Se algo pode ser dito sobe a vida e estabelecermos apenas uma verdade absoluta sobre ela é que está sempre em movimento.

Tal movimento não é linear nem incessante, porém, é certo que acontece também de modo a permitir que tudo tenha suas fases, seus ciclos. Altos e baixos.

Assim como no planeta e na natureza temos verões e invernos, outonos e primaveras, na vida temos as mais variadas formas de manifestação das estações.

Humanos que somos, experimentamos momentos os mais diversos e mesmo díspares quando se trata do longo caminho da aventura humana entre o nascer e o morrer.

Vivemos momentos bons e momentos ruins. Outros nem tanto nem tão pouco.
Precisamos aprender sempre a reconhecer sua existência, suas formas de apresentação e aprendermos, portanto, a conviver com eles.

Se nos momentos de incerteza nos sentimos fragilizados, inseguros, duvidosos de que as coisas boas ainda acontecerão, de que somos vítimas infelizes do acaso ou da própria vida, certamente o aprendizado e a experiência nos darão mais adiante a clareza de que tudo passa, tudo muda, tudo se transforma, tudo se desmancha, renasce e volta de outra maneira para nos ensinar a viver a vida e sintonizar com o seu movimento.

Precisamos, isto sim, humildemente aprender duas lições fundamentais: em primeiro lugar aprender a não sermos derrotistas nos momentos de baixa, de negatividade de um ciclo; em segundo lugar aprender a não sermos auto-suficientes ou arrogantes nos momentos de alta, de positividade de um ciclo.

É nos momentos de alta que precisamos nos prevenir, guardar nossas reservas energéticas e morais para enfrentarmos os momentos de crise.

É nos momentos de baixa que devemos olhar para o horizonte, elegermos prioridades, operarmos com os elementos da coesão e da consciência e trabalharmos com mais afinco para que novo ciclo de bonança possa dali ser fecundado e elevar a todos a novo patamar... e assim por diante.

Saber lidar com ambos é essencial para o equilíbrio e a estabilidade de nossas vidas e, por extensão, de nossas famílias, dos grupos onde atuamos, das instituições que edificamos.

Aprenderemos então que nenhuma felicidade é eterna nem qualquer tempestade durará para sempre. Eu, por exemplo, se é que não fica piegas ou até mesmo arrogante se auto-exemplificar, venho me tornando mestre em aperreio, PHD em desatar nós e pós-doutor em sofrimento. E isto é só o começo! E ainda consigo sorrir em quase todos os momentos ou ao menos depois de passada cada tormenta.

Estamos aqui hoje diante de um enorme contingente de jovens que celebram o fechamento de um ciclo. No caso, talvez o mais importante e mais destacado de suas vidas até este momento.

Meus caros formandos e formandas.

Peço-lhes um minuto de sua atenção e sugiro que façam um pequeno exercício: caso estejam ao lado do pai ou da mãe olhem para ele, para ela. Toquem o seu braço, a sua mão...observem a sua expressão de regozijo, de orgulho, de silenciosa felicidade.

Se sua mãe ou seu pai não estiverem por perto ou nem mesmo mais em nosso meio, por favor, façam um esforço para imaginar o brilho do seu olhar, a expressão de orgulho e contentamento por você estar aqui hoje, neste exato momento, dizendo: agora eu sou graduado! Agora eu sou formado pela UEPB! Ou como diziam os antigos, enchendo o peito: "MEU FILHO AGORA É DOUTOR! MINHA FILHA AGORA É DOUTORA!"

Carreguem este momento em suas memórias! Não esqueçam de que muito mais que uma realização pessoal, este momento é uma realização daqueles que cuidaram de vocês cada segundo para que estivéssemos aqui hoje. Mães e pais.

Como vocês disseram no juramento que acabaram de fazer, honrem o nome a instituição que vos formou. Honrem o nome, a história e a memória dos seus país e mães.

E se eu perguntasse três coisas? Pra chegar até aqui...
PRIMEIRO: foi fácil? Certamente vocês responderão com um sonoro NÃO,
SEGUNDO: foi ruim? Seguramente vocês responderão com um sonoro NÃO,
TERCEIRO: VALEU A PENA? A resposta é com vocês!

E sobre os obstáculos que aparecerem no caminho, não se esqueçam, olhem pra eles frente a frente, nos olhos, cara-a-cara e com inteligência, paciência, persistência, enfrentem a todos. Superem todas as barreiras!

Lutem por seus sonhos e nunca desistam deles! A prova de que dá certo está aqui, nas mãos de vocês, no coração de vocês, na vida de vocês. E nós todos somos testemunhas disso.

Agradeço e parabenizo a todos vocês em nome do corpo docente e técnico-administrativo da UEPB por terem acreditado nesta instituição que completou 48 anos ainda nesta semana que se encerra.

A partir de agora vocês não estarão mais na UEPB, mas ela seguirá com vocês até o fim de vossos dias. Vocês levarão a UEPB aonde forem e a levarão em lugar seguro, nas mentes e nos corações de todos e de cada um.

Será assim por todos os dias bons e difíceis que tiverem de enfrentar. Levem a memória deste tempo que atravessaram com tão rica experiência. Levem na memória as lutas que travaram, os conflitos que viveram, as festas que fizeram, as noites que perderam...e se perderam foi pra ganhar o que agora estão recebendo.

Foi uma boa troca! Foi por uma boa causa! Nenhuma noite foi perdida! Nem as dos incansáveis estudos, ou das orações nem as da festas. Todas compuseram a obra inconclusa que segue a partir daqui por novos e ainda desconhecidos caminhos.

Desejo muitos êxitos pela vida que segue e que vocês nunca se afastem do caminho do bem, da justiça, da ética, da solidariedade, da fraternidade, do bom senso, do caminho dos justos. Mesmo diante das mais difíceis tempestades.

TENHAM MUITO ZELO. PRESTEM MUITA
ATENÇÃO COM O QUE FARÃO COM A VIDA DE VOCÊS DAQUI EM DIANTE. Com o legado que receberam desta bela e comovente história.

Tenham uma boa noite e um bom retorno para o coração e o aconchego dos seus lares.
Muito obrigado.

Prof. Rangel Junior
Via iPad

21 de outubro de 2013

EPITÁFIO

Ali jaz um amontoado de restos outrora humanos
Aqui jazem infinitas memórias de um futuro interrompido
Ali o tempo opera lentamente sem areia escoando na ampulheta
Aqui as horas se sucedem inexoravelmente velozes.
De tudo que a vida ofereceu e ainda está nalgum lugar
Apenas vagas sombras o acompanham rumo ao nada.
Águas idas movem palhetas de novos e velhos moinhos.
Vida é e será sempre o que está sendo.

26 de dezembro de 2012

GRAU ACADÊMICO - CAMPINA GRANDE. DISCURSO


Minhas senhoras e meus senhores.

Creio que podemos e devemos comemorar o dia de hoje por várias razões.

A primeira razão é prosaica e seguirá no anedotário popular: 21/12/2012. O MUNDO NÃO ACABOU... NEM ACABARÁ... Creio sinceramente, permitam-me a licença poética, que o mundo só acabou pra quem deixou de sentir saudades ou perdeu a esperança no futuro! Na vida!

A segunda razão é coletiva também: ESTE É O NOSSO MOMENTO! Estamos comemorando a nossa colheita; (e a safra foi boa!); a colheita universitária; a colheita social; o surgimento de novos profissionais capacitados pela Universidade Estadual da Paraíba e que estarão muito em breve brilhando no campo de trabalho e orgulhando a todos nós.

A terceira razão é pessoal: quis o destino (com nossa intervenção humana, é lógico) que eu estivesse hoje aqui, fazendo a minha estreia como presidente desta solenidade, no câmpus I (a primeira de uma série que deve ir até o meio do ano de 2016), tendo como Oradora Oficial das Turmas Concluintes uma ex-aluna (Ana Karine Gonçalves, do curso de Psicologia). Por outro lado, como Paraninfo Geral uma das mentes mais brilhantes desta terra, o Prof. Dr. Edmundo de Oliveira Gaudêncio, um dos meus mais lembrados e queridos mestres, também do departamento de Psicologia da UEPB. Ou seja, estou entre colegas. Posso jurar que não houve conspiração!

Quero antes de qualquer outra coisa mencionar um nome. O nome de uma pessoa que, depois de uma longa temporada, não está nesta mesa. Registrar deste modo um agradecimento especial: falo da Professora Marlene Alves, ex-reitora da UEPB. Seu nome já está gravado na história desta universidade como uma gestão de um tempo paradigmático. O tempo haverá de desagravá-la, fará justiça e saberá reconhecer seus feitos. Extensivo reconhecimento ao Prof. Aldo Maciel, ex-vice-reitor da UEPB.

Gostaria de agradecer a todos os professores e técnicos-administrativos da UEPB. A todos que acreditam em sonhos e utopias. Agradecer mais ainda aos que, acreditando, perseguem estes sonhos e utopias e lutam cotidianamente... racionalmente... arduamente... pela sua concretude, sua transformação em realidade.

Gostaria de agradecer a minha família nuclear: minha esposa Camilla e meus filhos Taiguara, Vinícius e Guilherme. Vocês me ajudam, me instigam, amiúde, a buscar incansavelmente o objetivo de me tornar um ser humano melhor. E digo isto mesmo sabendo que nem satisfaço plenamente ao que esperam de mim, muito menos ao que exijo de mim mesmo, em relação ao que, neste aspecto de humanidade, consegui atingir até aqui.

Aos formandos eu somente posso pedir que honrem o nome da instituição que os acolheu, em nome do povo paraibano. Este povo aguerrido que a duras penas financia esta instituição centavo a centavo, com o suor do seu rosto e por meio dos impostos que paga. Mais ainda os mais humildes.

Peço-lhes também que se esforcem para serem grandes profissionais sempre. Busquem unir as lições da ciência e o conhecimento que adquiriram aqui nestes anos todos àquelas lições de moralidade que aprenderam em seus lares, dos seus primeiros mestres: seus pais e suas mães.

Às mães, aos pais, esposos, esposas, noivos, noivas, namorados, namoradas, irmãos, irmãs...familiares, amigos,  todos que acompanharam suas trajetórias, que lhes deram o amparo nas horas mais difíceis, TODOS. Todos estão de parabéns! Esta vitória é de todos vocês!

A Universidade Estadual da Paraíba sente-se honrada em afirmar para a sociedade que entrega a esta um novo conjunto de profissionais aptos a operar no campo de trabalho, seja ele qual for, em condições de intervir com qualidade, dignidade e compromisso social.

Não falarei das dificuldades! Não mencionarei os sofrimentos enfrentados! Não farei registro penoso dos dramas cotidianos! Afinal, que seria de nós sem todos eles? É com base nos desafios que forjamos a nossa força, testamos a nossa coragem, pomos à prova a nossa coerência e provamos a nossa sintonia entre o pensado, o dito e o feito.

Agradeço também, por muitas razões que não cabem neste discurso, ao Governador Ricardo Coutinho e ao Vice-Governador Rômulo Gouveia. Agradeço em meu nome e também em nome do Prof. Etham Barbosa, vice-reitor da UEPB, que empreenderá ao meu lado esta nova caminhada à frente dos destinos desta Universidade. Vamos enfrentar muitos desafios juntos! Venceremos todos pela UEPB!

Por fim, senhoras e senhores! Caros formandos, pais e mães! Peço-lhes a generosidade do perdão, mas não poderia deixar de registrar algo tão singelo, tão particular, mas também tão humano: Gostaria muito que duas pessoas estivessem aqui hoje: meu pai e minha mãe. Mas a vida não me permitiu esta alegria.

Contento-me em ver a felicidade de vocês por estarem juntos, aqui, comemorando este grande momento. Esta grande vitória! Este dia de festa! Este dia de júbilo! Este dia de glória, de recompensa para todo o esforço que vocês fizeram. E que hoje aqui estão porque fizeram por merecer.

O Brasil precisa de vocês! A Paraíba precisa de vocês! Levem e ergam bem alto, aonde quer que forem, o nome da UEPB!
Lembrem-se sempre destes dias passados que, mais adiante vocês verão: talvez tenham sido os melhores anos de vossas vidas!

Sejam felizes!
Muito obrigado!
Boa noite!

16 de novembro de 2012

MEUS PRIMEIROS 50 ANOS


 
“O tempo generoso faz oferta

e vejo em pleno outono a descoberta

de nova primavera em minha vida.”[1]

 

O dia já é de manhã e eu acordo com a marca dos meus primeiros 50 anos vividos. Este senhor cinquentão que vos escreve já percorreu uma longa e tortuosa estrada.

Não tem sido fácil. Porém, nem pense que é chata ou triste. A pesada labuta, desde cedo, todavia, muita música e poesia.

Muita surra de cinturão, sandália “currulepe” e cipó de jucá, mas muito banho de açude e estripulias que me renderam um bom e comprometedor apelido.

Sem comida vária, mas muitas goiabas, melancias e umbus comidos lá onde eles nascem.

Algumas tristezas e decepções, mas inumeráveis vivências ricas em amizade verdadeira, solidariedade fraterna, cumplicidade amorosa, camaradagem absoluta, amor incondicional.

Angústias que viraram poemas; dores que pariram canções; amores que geraram filhos maravilhosos; cansaços e tensões premiados por conquistas; alegrias novas e antigas convertidas em fachos embalando e iluminando discretamente este coração cinquentenário. Mais que filmes e retratos eu carrego lembranças.

“Aqui, chora um ocaso sepultado;

Ali, pompeia a luz de branca aurora.”[2]

Aprendi muito e continuo. Quando tento ensinar algo é por acreditar que apenas o exemplo é capaz de tanto. No mais aprendemos juntos.

Do alto deste meio século de existência sinto-me pequeno e ainda menino pra muitas e tantas aventuras. Dentre estas a coragem, nada ingênua, de acreditar nas pessoas e a vontade eterna de descobrir, conhecer, provar e sorrir sempre, mesmo depois dos revezes.

De onde vejo o mundo, o retrovisor revela mais que o largo para-brisa. Do mesmo modo, sinto que as melhores coisas ainda estão adiante, à espera por serem tocadas, experimentadas, vivenciadas. Sou um homem do presente e a ele me agarro com força.

“O canto desse menino talvez tenha sido em vão.

Mas ele fez o que pôde.

Fez sobretudo o que sempre lhe mandava o coração.”[3]

Não digo que valeu a pena, mas que está valendo. Se já vivi praticamente o tempo do meu pai quando se foi, a estrada a ser edificada anima e desafia a seguir caminhando e cantando.

Peço licença ao meu amigo Chico Passeata numa paráfrase: A minha vida é a melhor do mundo, pois única. Vida (boa!) que segue! Afinal, são apenas meus primeiros cinquenta anos! Evoé!



[1] Ronaldo Cunha Lima, 47, Livro dos Tercetos.
[2] Augusto dos Anjos, Insânia, Eu & Outras Poesias.
[3] Thiago de Mello, Cantiga quase de roda, Faz escuro mas eu canto: porque a manhã vai chegar.