9 de julho de 2009

ANTIGAMENTE EM JUAZEIRINHO...

O sujeito chegava em casa esbaforido e preparado pra levar um carão dos grandes. - Marminino, que foi isso no pé? - Levei um trupicão na calçada, bem na cabeça do dedão, mas não caí, não! - Anda olhando pra cima, é? Deixa eu ver! Será que descolou a unha? Ô minino danado! - Não, mãe, só deu um jeito. Cortou um pedaço e acho que desmentiu... vai ficar uma perebinha só... - Vá logo lavar isso que vou ralar um Cibazol pra botar com Mercúrio Cromo! Vai sarar logo... - Tá bom!

BISBILHOTANDO POR ACASO

"Conheço um punhado de branquelos e amarelos que passam a vida espichados na praia, arrsicando até pegar um câncer de pele, só pra ficar preto. Por que então Michael Jackson não podia querer ficar branco? Deixa o cara, ô, meu!" (Uma moça dizendo pra outra numa mesa ao lado, em conversa de boteco em Copacabana) Voltarei ao assunto.

8 de julho de 2009

MAIS CAÇADORES DE ARCO-ÍRIS

Aonde vai dar essa estrada depois da curva eu não tenho como saber. Afinal, fica na Patagônia argentina e quem esteve por lá foi minha amiga-leitora Socorro Dantas. É dela estes dois presentes que publico aqui, na promessa de continuarmos a busca. Alguém já me disse que tinha capturado um, mas não me enviou. Aguardo colaborações. De vários que ela caçou e disponibilizou na internet publico estes dois. Este último aqui foi obra de um grande acaso, como quase todos os arco-íris caçados por aí afora. A caminho de Campina Grande, no último dia 01 de julho, por volta das 6h da manhã, na saída de Recife, precisamente logo depois de um dos viadutos da avenida Recife saíndo para a rodovia. Se você apurar a vista, como dizíamos lá em Juazeirinho, verá que são dois, um mais aceso e outro clarinho logo à direita. Ei-lo!Agora são de todo mundo!

4 de julho de 2009

ELABORANDO A AUSÊNCIA

Como acontece em boa parte do nosso interior nordestino, num pasado próximo em Juazeirinho eu era Junior de Dona Neide. Assim como já havia sido Junior de Tonito. Assim como quase todos os meus amigos são fulano 'de' sicrano. Conheci na quarta-feira passada o Seu Cícero que lá em Juazeirinho é simplesmente Ciço de Camelo. Seu Camelo foi durante muito anos o coveiro oficial de Juazeirinho. Lá, assim como até bem pouco tempo eram os cartórios, hereditários como capitanias, a função de coveiro também o é. Ainda. Seu Ciço de Camelo é o homem responsável por ajudar a família a juntar todos os signos, coisas que ficaram ou vieram como forma de última homenagem a Dona Neide. Escrevo isto e decido que vou parar de falar no assunto e doravante só comentarei sobre coisas boas, alegres, felizes. Resolvi comentar por conta da impressão que me causou a habilidade de Seu Ciço de Camelo com a colher de pedreiro e a amarração do massame para a vedação final do lugar onde o que restou materialmente dela ficará pra sempre, sob a sombra de uma frondosa Ingazeira. Assim como tantos outros sobre a face da terra, este é um ofício esquisito, o de receber pra colocar numa espécie de depósito definitivo aquilo que para muitos é (ou era) um dos seus bens mais preciosos. Ofício silencioso, ancorado nos gemidos de dor, no choro e nas lágrimas de uns tantos que se debruçam por sobre os ombros de outros tantos em busca de uma última visão, de um último adeus, de uma imagem a mais pra registrar na memória. Preferiria não ter hoje esta imagem registrada, mas é a Seu Ciço de Camelo que rendo minha homenagem. Não tendo a veia de Augusto pra fazer sonetos perfeitos, como os 'versos a um coveiro' e me contento em registrar minha admiração e na sua humildade buscar fortalecer a minha. Eis que um dia eu também estarei lá e, seja quem for, haverá um outro Ciço de Camelo, quiçá um sucessor da mesma linhagem pra realizar humildemente o seu trabalho. Espero que faça tão bem feito serviço que nem um fogo-fátuo apareça em uma noite escura qualquer alimentando fantasias e terrores de quem por um enorme acaso passe por perto nessa hora. Com o passar do tempo, os mais novos lá de Juazeirinho não saberão mais de Seu Tonito nem de Dona Neide e aí eu serei apenas eu mesmo, talvez Rangel Junior, talvez Junior irmão de Zeneto, de Marcos... Espero que o dia de ser 'envelopado' e depositado à sombra da Ingazeira lá da minha cidadezinha esteja tão distante que eu não possa nem imaginar. Quanto a minha mãe, a imagem que fica do seu último adeus é a da humildade, da simplicidade, da bondade e respeito manifestado por tanta gente que foi vê-la no último dia e nos dar um abraço, um aperto de mão, uma palavra. Assim como ela, prefiro ficar apenas como algo bom na memória das pessoas, nas músicas que compuser, nas realizações que a vida me permitir e nos exemplos que puder dar na preparação do caminho. O meu próprio. Afinal, o tempo de nossa passagem pela vida é tão fugaz se comparado com o tempo histórico que nós mesmos não passamos de uma espécie de fogo-fátuo.

3 de julho de 2009

AGRADECIMENTO E PROMESSA

Sensibilizado com tantas manifestações bacanas de gente idem nos comentários postados no blog, agradeço comovido. Sei de toda sinceridade de vocês e da verdade que contem todas as palavras assinaladas. Da mesma forma, em mensagens pelo celular, telefonemas, telegramas, recados e ao vivo. Cá pra nós, o corpo todo ainda está respondendo ao tamanho do baque e a fisioterapia ajudou um pouco hoje e amanhã em sessão especial deverá melhorar mais um pouco. Só não doem as unhas. Ainda não pude sentar aqui pra escrever à vontade e, como gosto, expor minhas impressões do mundo, suas gentes e os fenômenos que me chamam a atenção. Não o fiz por pura falta de tempo e falta também de energia vital. Cheguei de Campina Grande hoje pela manhã depois de tanto tormento, estradas, aeroportos e cadeiras apertadas de aviões. Saudades dos tempos da VARIG. Amanhã tentarei retomar, com cuidado pra não publicar um texto com tantos erros como fiz na terça à noite, sob o impacto da trágica notícia. Me aguardem! Até mesmo porque isso me ajudará em todos os sentidos. Vocês todas (os) me ajudam muito. Só tenho a agradecer. Abraços!