Palavras e imagens. Impressões e olhares sobre o mundo e as relações. Um pouco de cada coisa: educação, universidade, cultura, arte, política, gente...até poesia e outras formas de escrita.
6 de maio de 2009
ADIANDO POSTAGEM
4 de maio de 2009
EU COMECEI A BRINCADEIRA
3 de maio de 2009
BOTIJA, SONHOS E MENINICE
Eu era ainda mais menino e ouvia muito sobre achamento e desenterro de botijas. Histórias de fortunas e encantamento, de decepção e tristezas. A bem da verdade, uma botijazinha até que não faria mal a ninguém, principalmente aos menos favorecidos pela sorte. Mas, ora, se o sujeito já é desfavorecido pela sorte, como iria, logo ele, ganhar um presentão desses?
Pra ter sucesso com uma botija é preciso seguir algumas regras: primeiro, como é sabida de todos a dificuldade do ser humano em guardar segredos, não contar nada pra ninguém sobre a visita do sujeito que já 'passou dessa pra melhor' e o escolheu como felizardo ganhador de um tesouro, é condição fundamental para assegurar que a botija esteja inteirinha lá onde ele indicou; segundo, para desafiar aquilo que é uma fraqueza e a garantia de sobrevivência da espécie, não sentir medo, nem que o capiroto apareça na hora em meio à escuridão, pois a botija deve ser desenterrada à meia-noite; terceiro, como a maioria dos seres humanos é terrivelmente apegada àquilo que constrói ou ao seu lugar, depois de arrancá-la do chão o indivíduo deve juntar suas coisas, pegar o tesouro e partir pra outro lugar, haja o que houver.
Caso essas requisitos não sejam rigorosamente cumpridos há grande chance de o sujeito ver o seu rico tesouro esfumaçar-se no ar ou então, ao desenterrá-lo, encontrar apenas um pote ou baú repleto de tralhas como cachimbos, arremedos de passarinhos, chaves velhas, cacos de panelas, pedaços de papel amarrotados de fiado de bodega, anzóis enferrujados, grandes botões de vestido ou de paletó, carretéis sem linha, corrimboques cheios de rapé, mechas de cabelo...
Nunca conheci alguém que tivesse recebido uma botija e ficado rico, mas é claro que se tivesse conhecido era porque a coisa não funciona do jeito que dizem. Há que se guardar o segredo por toda vida. O 'segredo' do segredo eu vou contar: a botija foi enterrada por alguém, provavelmente avarento ou muito precavido, que juntou aquela fortuna às escondidas, num tempo em que as mulheres nem sonhavam quais as posses do marido, tão-pouco onde ele as escondia; também num tempo que que não havia caderneta de poupança, o único banco era o BB e ainda somente nas capitais.
Quando o sujeito ia juntando um bom bocado em moedas de ouro, prata e cobre, algumas jóias ou pedras preciosas e aparecia um momento de turbulência política, com medo de perder as economias, ele botava tudo num pote de barro ou baú de madeira de lei, ia lá no meio do mato, enterrava tudo às escondidas e traçava um breve mapa mental para que somente ele pudesse resgatá-lo depois. Alguns morriam antes e por não terem tido tempo de avisar à família ficavam como almas penadas, atormentadas por aquele segredo até que algum escolhido para ser o felizardo desenterrador da botija o faça conforme as regras e só então aquela alma sofrida haverá de descansar. Dizem que muitos fazendeiros, donos de engenhos e até cangaceiros de Lampião se valeram dessa tradição e ainda há muita botija espalhada por esse sertão sem fim esperando por um 'escolhido' corajoso que faça a coisa certa e liberte aquelas almas penadas do sofrimento.
Vez por outra me pego matutando em quão curta é a vida pra gente realizar tantos projetos; isso pra quem sonha além da conta e vive com a cabeça nas estrelas, mesmo com os pés fincados no chão. Tenho pensado em preparar uma botija com alguns pedaços de canções, trechos de poemas, contos nunca concluídos, sinopses de romances que nunca começaram, roteiros de filmes, pequenos solos de violão com melodias incompletas e um pedaço do meu coração pra ver se um dia... vai que eu 'passe dessa pra melhor' (?) de forma repentina e já teria ao menos a possibilidade de fazer a curiosidade de algum lunático que, acreditando em botijas, possa transformar tudo isso depois em algo que, se não vier a ser um tesouro, ao menos poderá provocar um turbilhão de sentimentos que podem até aliviar algumas dores do mundo; quem sabe até fazer alguém sorrir...
2 de maio de 2009
1001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER
Há algum tempo foi publicado um livro com o sugestivo título 1001 discos para ouvir antes de morrer. É o resultado de uma seleção feita por “90 jornalistas e críticos de música internacionalmente reconhecidos” e apresenta uma lista daqueles que, aos olhos dos 90 escolhidos representariam uma “rica seleção dos álbuns mais inesquecíveis de todos os tempos”.Segundo sinopse de divulgação, “abrangendo desde as origens do rock ‘n’ roll nos anos 50 aos mais recentes sucessos, este livro vai guiar você por diferentes tendências sonoras e mostrar o poder que a música tem de representar as aspirações e os sentimentos de toda uma geração”.
Afirma ainda que “embora grande parte do livro seja dedicada ao rock e ao pop, há também dezenas de boas indicações de jazz, blues, punk, heavy metal, disco, soul, hip-hop, música experimental, world music, dance e muitos outros estilos”.
Quem me conhece sabe da minha paixão pela música brasileira, mas também sabe que não sou xenófobo ou preconceituoso. Minhas primeiras idéias e ensaios de composição musical foram a partir de músicas internacionais de sucesso no rádio, lá pelos anos 70 quando eu, ainda criança, gostava de inventar letras em português (como paródias) para canções que eu achava belíssimas (é o poder da música), mas não entendia patavina do que se dizia. Aliás, da mesma forma, continuo entendendo muito pouco.
Há um site onde os citados 1001 discos estão disponíveis pra baixar em seu computador. Como sou curioso e gosto de exercitar sobre o assunto, já baixei mais de 60 títulos e confesso que tenho 'pano pras mangas' por um bom tempo.
Quem desejar conhecer, não precisa fazer nem cadastro para baixar os discos completos. Algum interesse pessoal sobre algum disco e eu posso enviar numa boa. Seria uma espécie de 'serviço' em forma de gentileza pelo carinho da presença e da visita nesta minha 'casa virtual'.
Andei ouvindo alguns dos anos 60, Bob Dylan, The Beach Boys e Beatles, assim como muita coisa, pra mim totalmente nova, dos anos 50 que me deixaram maravilhado. É uma 'viagem'!
1 de maio de 2009
DIA DO TRABALHO?
Olhando daqui de cima não há como assegurar que seja feriado hoje. O movimento próximo à praia é enorme por conta do evento de 'conquista' do Comitê Olímpico Internacional para a olimpíada de 2016 no Rio. Acontece tudo no Copacabana Palace e na área em frente, na praia. É um fuzuê só.
Por aqui, lojas, bares, restaurantes, bodegas (isso mesmo, por aqui ainda há algumas bodegas de verdade), a aparência é de que a cidade não parou no Dia do Trabalhador.
Antigamente usavam Dia do Trabalho e, com muita luta política no campo das idéias, as grandes centrais sindicais e as esquerdas em geral conseguiram ganhar a luta ideológica e já se usa à quase unanimidade a expressão Dia do Trabalhador. Não considero apenas um detalhe.
Engraçado, sempre no primeiro de Maio, além das grandes manifestações e passeatas que fazíamos em Campina Grande nos anos 80 e 90, lembro demais do Ayrton Senna, que foi o último esportista brasileiro individual por quem torci, vibrei muito e sofri também com sua morte. Assisti a tudo no dia de sua última corrida e costumava acordar no meio da noite pra não perder nenhuma. Depois dele, pra imensa maioria de nós brasileiros, a F1 perdeu muito da graça e do interesse mesmo, em termos de competitividade.
De qualquer forma, a referência ao dia de hoje é pra lembrar e registrar que acredito no trabalho ainda como a única forma real de realização humana mais perene. Aliás, acredito na tese de que a humanização do homem se deu pelo trabalho. O problema ainda é a exploração contra a qual mantenho firme minha coragem de lutar e mudar.
Não vejo outra forma de transformação radical do mundo, do ponto de vista das relações de produção, sem que seja pela intensificação da luta. Quanto mais as crises se desenham no horizonte capitalista, mais notória fica a necessidade de transformação do sistema, não pela via de sua impossível humanização, mas pela evolução da sociedade para uma outra sociabilidade, onde o trabalho seja fonte de realização e sentido para todos, em vez de fonte de enriquecimento para uns.
Tenho dito!
