23 de janeiro de 2008

IMPRESSÕES DE JANEIRO

Depois de uma estrada relativamente tortuosa e esburacada, começo a tirar algumas conclusões sobre algumas coisas. Tou entrando em férias e tentando reconstruir, juntar pedaços de mim, espalhados pela crueza da vida cotidiana e o que pude receber dos amigos. Amigos: uns me ofereceram sempre mel, sorrisos, compreensão, lealdade. Outros nem tanto! C'est la vie! Claro que são conclusões provisórias, mas lá vão algumas delas. 1. Não alimento ilusões sobre o mundo, a vida, as pessoas. Tenho sonhos e tento transformá-los em realidade com aquilo que a minha moral revolucionária vai moldando; 2. Do mundo, espero sempre o desenvolvimento e uma melhora geral pra maioria; 3. Da vida, espero que ela "me dê régua e compasso" pra que eu possa traçar meus caminhos e usufruir gotas de felicidade aqui, acolá. Continuo provando e vivenciando permanentemente céu e inferno! Ou não é isso a vida? 4. Das pessoas, apenas espero lealdade... o que nem sempre é possível; Quanto ao mais, nunca fui um otimista. Aprendi com Marx, citando um filósofo (ou seria um poeta?) que agora não lembro o nome, mas que em síntese dizia: "nada que é humano me é estranho". Em vez de otimismo continuo com um forte sentimento de esperança geral no mundo, na vida, nas pessoas. Um dia tudo será somente memória! Um dia eu serei apenas memória! Um dia não serei nada mais que informação genética transmitida! A mim alegra-me o fato de deixar alguns poemas, canções e breves escritos. Se alguém vai ler ou ouvir é uma outra história... Se vai ser 'tocado' aí é mais uma outra história...

9 de janeiro de 2008

ALGUMAS IMAGENS, SENTIMENTOS E BOAS LEMBRANÇAS PARA 2008

IMAGENS, SENTIMENTOS INVISÍVEIS 1. A primeira acerola (que mais parece uma maçã) de minha aceroleira, que outrora quase foi destruída pelas formigas roçadeiras; 2. O sorriso de Vinícius, cada dia mais humano, largo, solto e sem-vergonha... e as tantas lágrimas emocionadas que deixei cair pelo encantamento com suas peripécias, invenções e reinvenções que consegue provocar no amoroso coração de pai-filho; 3. O décimo-quinto reencontro de fim-de-ano com os amigos Waldir (que agora só bebe cerveja sem álcool), Roberto e Eduardo... e nossos 79 chopes, que me ajudaram a colocar pra baixo a pedra que estava no meio do caminho; 4. O reencontro de fim-de-ano com os irmãos e todas as nossas noitadas e rodas de violão na casa de Dona Neide (que continua firme como ponto de referência, verdadeira liderança afetiva da família); 5. A vitória da democracia e da competência política com a aprovação das leis dos Planos de Cargos, Carreiras e Remuneração da UEPB. A Assembléia Legislativa aprovou por unanimidade a proposta do CONSUNI e o projeto de lei do governador do Estado; 6. O telefonema de Santanna, o Cantador, pedindo autorização pra gravar minha Florbela... receber depois seu email com a mostra da canção já gravada... 7. O fortalecimento dos laços amorosos, da cumplicidade, da sedução, da união e da confiança no futuro junto a Camilla; A LISTA CONTINUA...

21 de dezembro de 2007

SOBRE OS SONHOS...

QUAIS SÃO OS SEUS?
Fico me perguntando quando em vez se tenho o direito de me imiscuir nos sonhos dos outros.
Confesso! É uma curiosidade que tenho e faço desta singela publicação e confissão um repto a Taiguara, a você que me lê.
Leia Mário Quintana.
"Se as coisas são inatingíveis... ora! não é motivo para não quere-las... Que tristes os caminhos, se não fora a magica presença das estrelas!"
Os meus amigos todos, creio eu, devem ter seus sonhos. Uns mais secretos, outros inconfessáveis, outros que devem ser públicos. Você confessaria o seu maior sonho?
Este Ipê Amarelo (que foi alvo até de projeto de lei para que se transformasse na árvore símbolo do Brasil) será minha árvore de natal. Ele está plantado no canteiro central da aveninda Floriano Peixoto, quase em frente à Churrascaria do Alexandre, no Centenário, em Campina Grande.
Não fosse árvore, não estivesse obrigada a aceitar e conviver com cachorros que amiúde mijam em seu tronco, fumaça de óleo diesel, bêbabos que o utilizam como escora na travessia da avenida... não fosse tudo isso, quem sabe quisesse ser somente sombra, somente flores.
Imagino assim o sonho do Ipê: uma árvore que sonha ser somente flor, uma árvore transformada em flor. Talvez por isso eles se concentrem durante o ano inteiro, fiquem feinhos, ressequidos, sem folhas... depois vão juntando forças, lapidando seus sonhos internamente e se preparando para o grande momento entre outubro e dezembro.
Desta vez alguns Ipês, teimosos, ainda exibem sua exuberância floral em plena véspera de natal. Muitos já perderam completamente as flores (já haviam perdido as folhas antes). Outros, como estes da foto, com a ajuda do celular, quase se transformam em pintura impressionista.
Vai entender essas árvores! Ando por aí prestando atenção em coisas, em cores, em odores, em gente...
Cá com meus botões eu fico matutando, ruminando (como costuma dizer o filósofo Biu) sobre meus sonhos e a construção de caminhos para realizá-los.
Qualquer hora dessas escrevo sobre eles... Por falar em sonhos, qual a última vez que você parou pra ouvir atentamente um passarinho cantar?

14 de dezembro de 2007

MARKETING CONFUSO

Cada dia me convenço mais de que esse negócio de marketing não é pra quem quer, mas pra quem ou sabe ou ao menos leva jeito. Vou mostrar nas próximos postagens uma pequena prova do que estou dizendo. Vinha eu tranquilamente saindo da feira no último sábado, perto do meio dia, e me deparo com este anúncio. Não resisti. A primeira sensação que tive foi uma mistura de confusão com vontade de rir. O que está mesmo à venda é o carro, claro. Mas reflita e me diga se a mensagem não tá truncada? Quantas mensagens não podem ser tiradas destas imagens e textos? O que está mesmo à venda? De quebra, aproveito e faço aqui um comercial gratuito pro cidadão. Eu, hein?

15 de outubro de 2007

A CAIXA DE BRINQUEDOS

A minha amiga psicóloga Socorro Dantas me presenteou com este belo texto do educador Rubem Alves, como parte de sua referência pela passagem do Dia do Professor. Não conhecia. Agradecido e emocionado decidi de pronto: publico o texto na íntegra. "A idéia de que o corpo carrega duas caixas —uma caixa de ferramentas, na mão direita, e uma caixa de brinquedos, na mão esquerda— apareceu enquanto eu me dedicava a mastigar, ruminar e digerir santo Agostinho. Como você deve saber, eu leio antropofagicamente. Porque os livros são feitos com a carne e o sangue daqueles que os escrevem. Dos livros, pode-se dizer o que os sacerdotes dizem da eucaristia: "Isso é o meu corpo; isso é a minha carne". Santo Agostinho não disse como eu digo. O que digo é o que ele disse depois de passado pelos meus processos digestivos. A diferença é que ele disse na grave linguagem dos teólogos e filósofos. E eu digo a mesma coisa na leve linguagem dos bufões e do riso. Pois santo Agostinho, resumindo o seu pensamento, disse que todas as coisas que existem se dividem em duas ordens distintas. A ordem do "uti" (ele escrevia em latim ) e a ordem do "frui". "Uti" significa o que é útil, utilizável, utensílio. Usar uma coisa é utilizá-la para obter uma outra coisa. "Frui" significa fruir, usufruir, desfrutar, amar uma coisa por causa dela mesma. A ordem do "uti" é o lugar do poder. Todos os utensílios, ferramentas, são inventados para aumentar o poder do corpo. A ordem do "frui" é a ordem do amor —coisas que não são utilizadas, que não são ferramentas, que não servem para nada. Elas não são úteis; são inúteis. Porque não são para serem usadas, mas para serem gozadas. Aí você me pergunta: quem seria tolo de gastar tempo com coisas que não servem para nada? Aquilo que não tem utilidade é jogado no lixo: lâmpada queimada, tubo de pasta dental vazio, caneta sem tinta... Faz tempo, preguei uma peça num grupo de cidadãos da terceira idade. Velhos aposentados. "Inúteis" —comecei a minha fala solenemente. "Então os senhores e as senhoras finalmente chegaram à idade em que são totalmente inúteis..." Foi um pandemônio. Ficaram bravos, me interromperam e trataram de apresentar as provas de que ainda eram úteis. Da sua utilidade dependia o sentido de suas vidas. Minha provocação dera o resultado esperado. Comecei, mansamente, a argumentar. "Então vocês encontram sentido para suas vidas na sua utilidade. Vocês são ferramentas. Não serão jogados no lixo. Vassouras, mesmo velhas, são úteis. Uma música do Tom Jobim é inútil. Não há o que fazer com ela. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que se parecem mais com as vassouras que com a música do Tom... Papel higiênico é muito útil. Não é preciso explicar. Mas um poema da Cecília Meireles é inútil. Não é ferramenta. Não há o que fazer com ele. Os senhores e as senhoras estão me dizendo que preferem a companhia do papel higiênico à do poema da Cecília..." E assim fui acrescentando exemplos. De repente os seus rostos se modificaram e compreenderam... A vida não se justifica pela utilidade, mas pelo prazer e pela alegria —moradores da ordem da fruição. Por isso Oswald de Andrade, no "Manifesto Antropofágico", repetiu várias vezes: "A alegria é a prova dos nove, a alegria é a prova dos nove...". E foi precisamente isso o que disse santo Agostinho. As coisas da caixa de ferramentas, do poder, são meios de vida, necessários para a sobrevivência (saúde é uma das coisas que moram na caixa de ferramentas. Saúde é poder. Mas há muitas pessoas que gozam de perfeita saúde física e, a despeito disso, se matam de tédio). As ferramentas não nos dão razões para viver; são chaves para a caixa dos brinquedos. Santo Agostinho não usou a palavra "brinquedo". Sou eu quem a usa porque não encontro outra mais apropriada. Armar quebra-cabeças, empinar pipa, rodar pião, jogar xadrez ou bilboquê, jogar sinuca, dançar, ler um conto, ver caleidoscópio: tudo isso não leva a nada. Essas coisas não existem para levar a coisa alguma. Quem está brincando já chegou. Comparem a intensidade das crianças ao brincar com o seu sofrimento ao fazer fichas de leitura! Afinal de contas, para que servem as fichas de leitura? São úteis? Dão prazer? Livros podem ser brinquedos? O inglês e o alemão têm uma felicidade que não temos. Têm uma única palavra para se referir ao brinquedo e à arte. No inglês, "play". No alemão, "spielen". Arte e brinquedo são a mesma coisa: atividades inúteis que dão prazer e alegria. Poesia, música, pintura, escultura, dança, teatro, culinária: são brincadeiras que inventamos para que o corpo encontre a felicidade, ainda que em breves momentos de distração, como diria Guimarães Rosa. Esse é o resumo da minha filosofia da educação. Resta perguntar: os saberes que se ensinam em nossas escolas são ferramentas? Tornam os alunos mais competentes para executar as tarefas práticas do cotidiano? E eles, alunos, aprendem a ver os objetos do mundo como se fossem brinquedos? Têm mais alegria? Infelizmente, não há avaliações de múltipla escolha para medir alegria..." DIZER O QUE DEPOIS DISTO? UM ABRAÇO GRANDE ÀS (E AOS) COLEGAS DE BATENTE.